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Lobo ibérico ameaçado em Vila Real

Segundo adiantou o “Diário Digital”, Gonçalo Costa integra a equipa do Grupo Lobo que monitoriza a população destes animais desde 2005, no âmbito da construção das auto-estradas A7 e A24 no Sítio Rede Natura 2000 Alvão/Marão.
Neste sentido, o técnico explicou, durante a conferência “Grandes Infra-Estruturas & Conservação do Lobo”, que teve lugar em Lamego, que o recente «desenvolvimento humano tem contribuído decisivamente para o desaparecimento do factor isolamento, ameaçando a manutenção a médio prazo dos lobos».
De acordo com o último Censo Nacional de Lobo, efectuado em 2002/2003, foram identificadas naquele distrito 18 alcateias (com uma média de cinco lobos por alcateia), distribuídas pelas serras do Alvão, Marão, Falperra e zona do Barroso.
«Nestes últimos anos registou-se um decréscimo da população e, actualmente, pensamos que haverá menos de 90 lobos neste território», sublinhou Gonçalo Costa, que se devem a «grandes alterações» no habitat destes animais.
Alterações essas que, segundo o presidente do Grupo Lobo, Francisco Petrucci-Fonseca, poderão conduzir «mesmo à extinção» naquele território.
Por outro lado, «o grande impacto provocado pelos parques eólicos são os acessos construídos em zonas que antes eram inacessíveis e que serviam de abrigo aos lobos», frisou Gonçalo Costa.
A somar a estas construções, estão mais quatro barragens na zona do Alto do Tâmega, o que para este grupo representa «mais um problema», uma vez que «vão destruir o corredor ecológico ao longo do rio Tâmega, que é de importância vital para muitas espécies». Para Francisco Petrucci-Fonseca, estas infra-estruturas «vão funcionar como uma barreira, impedindo a passagem dos lobos e o seu contacto com outras alcateias e servirão também de factor de atractividade para muitas pessoas», pelo que considera que todos estes factores «vão fazer com que os lobos do Alvão fiquem completamente isolados».
Para que a sobrevivência da espécie seja assegurada, o responsável defende a integração desta área num Plano Nacional de Acção para o Lobo, «há muitos anos previsto e nunca implementado», o ordenamento das actividades humanas numa visão de desenvolvimento sustentável e a elaboração de planos de gestão de áreas naturais e agro-florestais onde a presença de espécies autóctones seja um dos objectivos.
Estima-se que existam cerca de 2.000 lobos na Península Ibérica, 300 dos quais em Portugal, mais concretamente na região fronteiriça dos distritos de Viana do Castelo e de Braga, província de Trás-os-Montes e parte dos distritos de Aveiro, Viseu e Guarda.
«Apesar do actual estatuto de conservação do lobo, os estudos até agora realizados sugerem que a população lupina em Portugal continua em regressão», alerta o Grupo Lobo no seu site, indicando que entre as principais causas para este declínio estão a perseguição directa, o extermínio das suas presas selvagens (veado e corço) e, actualmente, a fragmentação e destruição do habitat e o aumento do número de cães abandonados que com eles competem pela procura de alimento.
Criado em 1985, o Grupo Lobo, que conta com cerca de 1.250 associados, luta pela conservação do lobo e do seu ecossistema em Portugal.