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Hospital Veterinário Berna: “O mais perto possível do state of art”

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No Hospital Veterinário Berna há uma forte componente científica e tentam sempre estar “um passo mais à frente”. Joaquim Henriques, o seu mentor e um pioneiro na área da oncologia veterinária no nosso país, alerta para a necessidade de “aprendermos a colaborar mais, pois isso permitiria às unidades de referência crescer”.

“A oncologia descobriu-me”, declara Joaquim Henriques, diretor-clínico do Hospital Veterinário Berna (HVB), em Lisboa. Tudo começou há quase duas décadas, quando fazia clínica num centro de referência, na capital, e via muitos doentes oncológicos “em que pouco ou nada era feito”. A curiosidade natural de um homem da Ciência e a vontade de poder apresentar soluções falaram mais alto e, em consequência, “contactei a professora Jane Dobson, em Cambridge, que ainda hoje é uma autoridade em oncologia, e fui ver o que faziam”.

Regressou a Portugal – apesar da hipótese de poder continuar no Reino Unido – e a partir daí a missão passou a ser levar a oncologia cada vez mais longe, “tentando sempre arranjar novas soluções para os meus doentes”. Nesta senda por expandir o tratamento oncológico no nosso país, Joaquim Henriques criou o projeto Oncovet, em 2006 e em 2012 acabou por abrir o Centro Veterinário Berna, “para dar resposta aos doentes oncológicos que seguia”. Uma clínica que rapidamente foi ‘promovida’ a hospital veterinário “devido ao tipo de clientes e doentes que tínhamos”. Passados dois anos “aderimos ao OneVet Group e em 2017 fizemos obras para expandir o hospital, criando mais valências, nomeadamente a tomografia e aumentando a área de internamento e o bloco cirúrgico”, salienta o médico veterinário.

Joaquim Henriques, diretor-clínico do Hospital Veterinário Berna (HVB)

Além da oncologia

Apesar de, quando nasceu, o core deste centro de atendimento médico veterinário (CAMV) ser sobretudo a área de oncologia, de tal modo que “80% da nossa casuística até há pouco tempo era oncológica”, atualmente “é difícil, no nosso país, ter um centro só dedicado a uma ‘especialidade’ porque não se consegue sobreviver”. E, por isso, no HVB existem mais valências, nomeadamente “ortopedia, dermatologia, medicina tradicional chinesa, anestesia e clínica da dor, medicina felina, oftalmologia, cardiologia, cirurgia geral, oncológica e minimamente invasiva, endoscopia, tomografia e laboratório interno de citologia e microbiologia”.

Relativamente ao aparelho da TAC, Joaquim Henriques sublinha que é bastante particular uma vez que “permite fazer vários tipos de intervenções, como biópsias guiadas por TAC e colocação de stents em animais que, por exemplo, tenham tumores a causar obstruções”. O HVB tem vindo a tornar-se cada vez mais robusto em termos dos serviços e das valências que o constituem e hoje “temos colegas que nos referenciam outro tipo de situações além das oncológicas”.

Mas não são só os médicos veterinários que referenciam casos para este CAMV. De acordo com o seu diretor-clínico, também chegam casos através dos próprios clientes: “estes reconhecem o serviço que prestámos, estão satisfeitos e acabam por referenciar a um amigo ou a um vizinho quando estes precisam”.

Forte componente científica

Um marco importante na vida do HVB foi a integração no OneVet Group, que aconteceu por uma razão simples. “Felizmente estava com muito trabalho clínico e havia uma carga de trabalho administrativo muito grande. A possibilidade de integrar um grupo que tratasse de toda esta parte, e até dos recursos humanos, foi bastante aliciante”. Por outro lado, a integração no OneVet Group permitiu ainda ao médico veterinário “crescer cientificamente, pois tenho como colegas pessoas com outras áreas de interesse e de mérito reconhecido”. Deste modo “deixamos de ter só os nossos doentes e passamos a ter outros, o que permite um crescimento e uma evolução em termos de carreira muito significativa”.

No entanto, o fundamental para o responsável do HVB é ter tempo para “poder dedicar-me sobretudo à parte clínica e à investigação, que é aquilo que gosto”. Prova disso é que no HVB, neste momento, existem vários ensaios clínicos a decorrer, sendo que “colaboramos muito com outros centros europeus” e, em consequência, existem “artigos científicos a serem publicados com a nossa colaboração”. A forte componente científica do hospital também é notória pelo facto de “recebermos com frequência médicos veterinários estrangeiros ou que têm interesse em oncologia”. E tudo isto tem vindo a contribuir para “ganharmos nome”, visto que este hospital “é conhecido nos meios oncológicos europeus.” De tal modo que “temos clientes estrangeiros que estão cá de férias ou que vieram morar para Portugal e ao contactarem o seu médico veterinário no país de origem, ele sugere-lhes o HVB”, revela Joaquim Henriques.

Um passo à frente

Em termos de oncologia, em Portugal já se faz “muito ao nível de um país mais avançado e temos médicos veterinários muito bons em vários hospitais nacionais”, sublinha Joaquim Henriques, alertando contudo que “lá fora há uma referenciação muito grande e há grandes unidades que conseguem ter, por exemplo, radioterapia ou ressonância magnética precisamente porque há referenciação”. Na opinião do médico veterinário, esta questão da referenciação “tem de ser trabalhada em Portugal porque permite-nos investir mais e ir mais além”.

Quanto ao HVB, em particular, “tentamos estar sempre um passo mais à frente, ou seja, providenciar ao animal aquilo que possa ser o mais perto possível do state of art”. Neste sentido, por exemplo, como não há radioterapia em Portugal “colaboramos com vários centros na Europa e o tutor pode decidir se vai para Espanha, Itália ou França, pois temos contactos nestes três países. E temos clientes que efetivamente levam os seus animais a estes centros”. Tirando a radioterapia, “tudo o resto fazemos cá: cirurgia oncológica e reconstrutiva e ainda disponibilizamos várias formas de terapia médica, seja ela quimioterapia, terapia dirigida, imunoterapia, fotodinâmica ou eletroquimioterapia”.

Quanto ao futuro, Joaquim Henriques revela que além de “queremos continuar a crescer em termos científicos e técnicos, quem sabe se não avançamos também com uma unidade de radioterapia”. Afinal, a missão deste médico veterinário é – como se dizia no início – providenciar as novas, e as melhores, soluções para os seus doentes, acompanhando a evolução científica, bem como contribuindo para ela.

Trabalhar mais em conjunto

O HVB enfrenta vários desafios diariamente, sendo um deles a gestão de uma equipa grande, constituída por 30 elementos. “Transmitir a mensagem aos colegas que trabalhar em conjunto é melhor para todos e o cliente reconhece isso” é outro dos desafios deste CAMV. Neste sentido, Joaquim Henriques defende que “seria importante aprendermos a colaborar mais, pois isso permitiria às unidades de referência crescer e investir e às clinicas fazer mais e manter o seu cliente satisfeito”. Na perspetiva do médico veterinário, a medicina veterinária tem de se tornar como a humana, “em que existem os médicos de família a quem as pessoas recorrem no âmbito das doenças mais comuns e depois as unidades de referência para o diagnóstico e tratamento diferenciado”.

 

A oncologia “não é um dead end”

A Medicina Veterinária mudou muito nos últimos, sobretudo “em áreas fronteiras como a oncologia, à qual está sempre associada uma grande componente emotiva”, refere Joaquim Henriques. “Cada vez temos clientes mais exigentes, que aceitam menos que lhes digam que nada pode ser feito”. A oncologia é uma área propícia a que se estabeleçam relações de proximidade com os tutores dos animais, pois “não é um dead end. Há animais oncológicos que, tendo em conta que normalmente são já geriátricos, devidamente seguidos vivem três ou quatro anos ou só um ano, mas muito intenso, e isto cria uma relação de grande proximidade com os tutores”.

Sendo a oncologia uma área com grande carga emocional subjacente é preciso saber lidar com ela. “A preparação para lidar com estas situações ganha-se com a vida. Faço veterinária há quase 20 anos e há cerca de 15 que faço oncologia e já vivi experiências muito bonitas, mas também muito aterradoras”. Face a esta realidade, o médico veterinário deixa um conselho: “ser o mais honesto possível. A pior coisa que pode acontecer a uma pessoa que está a passar por uma situação de perda e de transtorno emotivo é sentir que, do outro lado, não se está a ser honesto”. Assim, o médico veterinário tem de saber gerir as expectativas dos tutores e apoiá-los. “Muitas vezes, as pessoas perdem os seus animais e nós fazemos um follow up, ligando de vez em quando para saber como estão”.

 

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