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GoldenVet: dar passos sustentados para manter a qualidade dos cuidados

Abriu portas em agosto de 2019 e localiza-se numa zona onde não existe grande oferta de cuidados médico-veterinários, no Prior Velho, em Lisboa. Surgiu do sonho e entusiasmo de duas jovens profissionais, Margarida Lopes e Joana Lourenço, que assumem a preocupação em crescer de forma equilibrada e sustentada para conseguirem prestar serviços de qualidade aos seus clientes.

É um espaço clean, novo e com uma decoração que nos remete para um ambiente familiar. Tudo foi pensado ao pormenor pela diretora clínica, a médica veterinária Margarida Lopes, e pela sua sócia, Joana Lourenço, auxiliar de veterinária. Foi em agosto de 2019 que decidiram inaugurar esta clínica, um ano depois da decisão de se lançarem num negócio próprio. Após terem trabalhado juntas numa outra clínica e percebido que se davam bem no âmbito profissional, decidiram juntar áreas de interesse e apostar no empreendedorismo, com tudo o que essa decisão implica num país como Portugal. Joana, de 23 anos, foi a grande impulsionadora da ideia: “A Joana é mais aventureira que eu”, assume Margarida Lopes, sete anos mais velha do que a sua sócia.

Por sua vez, Joana sentia que já não conseguiria crescer mais na profissão e que esta seria uma oportunidade de mudança. “A Margarida era a pessoa certa, pois sempre nos demos bem e era alguém com quem me imaginava a trabalhar o resto da vida. Foi uma questão de tempo até percebermos que seria possível”, explica. E assim foi.

Não queriam abrir a típica clínica, tradicional. Preferiam marcar pela diferença e estar num local onde se sentissem bem, até porque sabiam que iam passar imenso tempo no espaço. “Tentámos meter um pouquinho ‘de casa’ aqui. Notamos isso na reação das pessoas quando entram. Dizem que gostam do espaço e foi precisamente esse ambiente que quisemos criar e que tem chamado algumas pessoas a visitar-nos. Em primeiro lugar, temos de nos sentir bem. Se isso acontecer, os nossos clientes também vão gostar de estar aqui e, quem sabe, voltar”, explica a auxiliar de veterinária.

 “Já notamos que a palavra vai passando, o que felizmente tem trazido muitos clientes”, diz Joana Lourenço

Avaliados os custos e analisados os vários espaços que foram visitando, a decisão ficaria facilitada por alguns fatores. “Não queríamos abrir um consultório porque queríamos apostar na área de cirurgia e isso implica ter várias salas, recobro, bloco cirúrgico… Precisávamos de uma área mínima numa zona onde, à partida, não houvesse grande concorrência”, afirma Margarida Lopes. Foi nesta procura que encontraram uma loja nova que nunca tinha sido usada e que era um open space. Decidiram avançar, alugaram a loja em abril e deram início às obras.

A nova clínica tem sido divulgada no seu site, redes sociais – Facebook, Instagram – no Jornal de Loures (publicação da área de abrangência da clínica) e foram ainda distribuídos panfletos. Mas a melhor publicidade ainda é a recomendação. “Já notamos que a palavra vai passando, o que felizmente tem trazido muitos clientes”, diz Joana Lourenço.

Apesar de este ser um projeto recente, as sócias e fundadoras têm verificado o crescimento gradual, mês após mês. “Ainda não temos tantas cirurgias como gostaríamos, mas vamos ganhando a confiança do cliente aos poucos e também recebemos mais telefonemas a pedir informações, o que é positivo e mostra que as pessoas procuram saber mais”, explica Margarida. Atualmente, os serviços com mais procura são as esterilizações, remoção de massas e destartarizações. “Realizamos uma ou outra cesariana e trabalhamos muito com criadores em articulação com a área de reprodução”, acrescenta.

Uma parte dos dias é ocupada com domicílios para clientes que não têm possibilidade de se deslocar à clínica, como por exemplo, pessoas idosas ou tutores de gatos muito stressados, que têm maior dificuldade em estar na sala de espera antes de uma consulta. “Acompanhamos também ninhadas grandes de criadores, pois não convém que os cachorros estejam assim tão expostos”, refere a diretora clínica. A GoldenVet está aberta de segunda a sexta-feira, das 10 h às 13 h e das 15 h0 às 20 h, e aos sábados, das 10 h às 13 h, além de disponibilizar urgências 24 horas, por telefone.

Sempre que não conseguem dar resposta a determinada situação, optam por referenciar o paciente para um hospital ou para colegas em quem confiem e que sejam experientes em determinada área de interesse. Só assim faz sentido, defendem. “Nós referenciamos os casos que não conseguirmos resolver e notamos que os clientes ficam agradecidos, porque viram o seu caso resolvido e acabam por voltar. Não perdemos o cliente e mantemos uma boa relação com os colegas”, assinala Margarida.

O atual volume de consultas ainda não justifica o recurso a profissionais mais especializados em determinadas áreas, como, por exemplo, medicina de exóticos ou de comportamento, mas era algo que Joana e Margarida gostariam de ter no futuro. Para já, a clínica dispõe de análises, ecografia, cirurgia, consultas, banhos e tosquias. “Gostaríamos de apostar num raio-x, mas a casuística ainda não o justifica e preferimos dar passos ponderados no que respeita a novos investimentos”, assinala a médica veterinária.

Evolução da medicina veterinária

“Desde que estou no ativo, há cinco anos, a medicina veterinária tem evoluído imenso. Além da abertura de muitas clínicas e do crescimento exponencial, tenho notado que os colegas apostam cada vez mais em pós-graduações, doutoramentos, e querem aplicar em Portugal o que estudaram fora”, sublinha Margarida Lopes. Formada pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, as suas áreas de interesse são sobretudo a cirurgia e a ecografia.

Ao contrário de outros colegas, o sonho de ser médica veterinária não surgiu quando a diretora clínica era pequena. Pensou em ser médica ou farmacêutica e ainda esteve um ano no curso de Radiologia antes de tomar uma decisão do percurso a tomar. “Até estava a gostar do curso, mas a minha tia – que é veterinária – levou-me a ver uma necropsia de uma leoa de um circo, na Madeira, onde íamos muitas vezes. Eu gostei da experiência e comecei a pensar que deveria tentar esta área”, conta. Apesar de não estar absolutamente segura, falou com pessoas ligadas à área e, como sempre gostou de cães e gatos, procurou aperfeiçoar os seus conhecimentos. “No terceiro e quarto anos, nas aulas mais práticas de cirurgia e de consultas, comecei a perceber que tinha feito a escolha certa”, partilha. E continua com a mesma certeza até hoje.

“Gostaríamos de apostar num raio-x, mas a casuística ainda não o justifica e preferimos dar passos ponderados no que respeita a novos investimentos”, assume a diretora clínica Margarida Lopes

Joana tem animais desde pequena e os gatos são a sua grande paixão. Apesar de ter sido sempre boa aluna no ensino regular, sabia que queria começar a trabalhar cedo, o que seria incompatível com um curso de longa duração. “Sempre quis trabalhar com animais de companhia, mas como estudar medicina veterinária implicava estudar durante seis anos, achei que o curso de auxiliar de veterinária seria uma boa opção.” Ainda tentou trabalhar numa ou noutra área, foi estagiando ao mesmo tempo que tirou o curso (no Instituto Monitor) e foi-se aproximando à clínica de pequenos animais. “Foi aí que pensei que era mesmo isto que queria fazer da vida e cá estou.”

Ao longo do tempo, tem sentido que os tutores pensam mais no bem-estar e apostam mais na profilaxia. “Sentimos que nos questionam mais, tentam saber o que é necessário, quais são os timings de prevenção e o que aconselhamos.” Para os que já são clientes, o digital é a solução para relembrar os clientes das consultas de rotina. Estas lembranças – e inclusive as faturas – são enviadas por e-mail.

Aos colegas que tencionem lançar-se num negócio próprio e abrir uma clínica, como Joana e Margarida fizeram, a primeira defende que devem ponderar todos os aspetos. “Por exemplo, não faz sentido abrir num local onde já exista muita oferta, porque certamente não vai correr bem”, defende. Para facilitar o acesso, ambas decidiram ter um preço acessível e protocolos com seguradoras e entidades como forma “de facilitar a vida aos clientes”, explica Margarida.

A GoldenVet assume-se como uma equipa jovem e dinâmica cuja principal preocupação é o bem-estar dos animais de estimação dos tutores. O objetivo para 2020 passa por aumentar a lista de clientes e realizar uma cirurgia por dia. A médio prazo, gostariam de caminhar para uma clínica cat friendly. Para já, a clínica dispõe de consultório exclusivo para gatos e para cães. Gostariam ainda de contratar mais um médico e um auxiliar, por forma a conseguirem conciliar melhor os horários, ficarem menos sobrecarregadas e permitir que Margarida se dedique mais tempo à cirurgia.

Texto publicado originalmente na edição de janeiro, n.º 134, da VETERINÁRIA ATUAL.