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Esterilização em cães de grande porte aumenta risco de obesidade, diz estudo

Médicos veterinários e tutores estão bem conscientes do aumento de peso que muitas vezes ocorre depois da esterilização de um animal. Mas, agora, um estudo da fundação estado-unidense Morris Animal Foundation veio confirmar que a esterilização de cães de raça grande em qualquer idade pode mesmo aumentar o seu risco de obesidade anos depois.

Publicado na revista científica PLOS One, o estudo relaciona ainda a esterilização precoce dos cães de grande porte com o aumento do risco de desenvolvimento de lesões ortopédicas não traumáticas em idade mais avançada.

“Durante anos, ensinaram-nos que a esterilização do cão faz parte das tarefas de um tutor responsável, mas existem realmente vantagens e desvantagens a considerar quando se toma a decisão”, explicou em comunicado a investigadora principal do estudo, Missy Simpson, epidemiologista na Morris Animal Foundation.

Para a investigadora, este estudo vem questionar a decisão de esterilizar canídeos de grande porte, especialmente se considerarmos a sua saúde e bem-estar a longo prazo. Uma decisão que se torna ainda mais difícil quando a obesidade continua a ser um problema em crescimento nos animais de companhia [1]. De acordo com a Associação de Fabricantes de Comida de Animais de Companhia do Reino Unido, 51% dos cães, 44% dos gatos e 29% dos pequenos mamíferos sofrem de obesidade ou excesso de peso.

Os investigadores da Morris Animal Foundation analisaram dados recolhidos sobre mais de três mil cães da raça golden retriever ao longo de seis anos. Destes, cerca de metade havia sido esterilizada. Através de questionários anuais online, os tutores e médicos veterinários dos animais responderam a questões sobre a saúde e estilo de vida dos pacientes de quatro patas. Os cães foram ainda alvo de um exame físico anual e foram recolhidas amostras biológicas.

Os resultados mostraram que os cães esterilizados tinham entre 50% a 100% mais probabilidade de ficarem com excesso de peso do que os que não haviam sido, independentemente da idade dos animais na altura da intervenção.

Quando este fator entrou na equação, Missy Simpson percebeu que os retrievers esterilizados antes dos seis meses de idade tinham 300% mais probabilidade de desenvolverem problemas ortopédicos.

De acordo com a publicação Today’s Veterinary Practice, os investigadores estão confiantes de que a sua descoberta pode ser generalizada a outras raças, particularmente de cães de grande porte.

Pode ler o estudo na totalidade aqui [2].