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Clínica Veterinária de Corroios: “Funcionamos muito como o médico de família”

Ainda são do tempo em que a medicina veterinária era uma profissão a meio tempo. Em 26 anos muito mudou e a Clínica Veterinária de Corroios adaptou-se aos novos tempos. Falámos com as sócias Elsa Figueiredo e Maria Vasconcelos, que se orgulham do seu pioneirismo em várias situações e da persistência em levar os casos até ao fim.

Dizem não ter muito jeito para o marketing, mas são exímias na arte de fidelizar. O segredo? “Tratar muito bem os nossos clientes, que são os animais”, revela Elsa Figueiredo, diretora-clínica da Clínica Veterinária de Corroios, em Corroios. A médica veterinária, juntamente com a colega Maria Vasconcelos, abriram há 26 anos este centro de atendimento médico veterinário (CAMV) que desde então não tem parado de crescer. “Começámos com um espaço pequeno e depois comprámos o do lado”, explica Elsa Figueiredo. Hoje, além do espaço da clínica, possuem uma petshop contígua. E há cerca de três anos abriram também um consultório na Costa da Caparica.

As pioneiras

Em 26 anos muito mudou, não só o tecido social onde estão inseridas, mas a própria medicina veterinária e as ‘regras’ pelas quais os CAMVs se regiam. “Somos do tempo em que os médicos veterinários trabalhavam apenas a meio tempo. Todos os consultórios abriam às 17h30”, conta a diretora-clínica. Na verdade “fomos as primeiras, nesta zona, a abrir mais cedo, às 16h00”. Uma vez que tinham movimento não passou muito tempo até “começarmos a abrir de manhã e assim a clínica foi evoluindo, sempre com bastante clientela”, refere Elsa Figueiredo.

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Maria Vasconcelos ainda permaneceu mais alguns anos a “meio tempo porque, além da clínica, trabalhava no Ministério da Agricultura, mas passados dois ou três anos de abrirmos o espaço saí para me dedicar a tempo inteiro à clínica”, salienta a médica veterinária. Olhando para trás, em jeito de balanço, Maria Vasconcelos avança que, ao longo deste mais de quarto de século, “trabalhámos muito”. E hoje as médicas veterinárias orgulham-se de terem sido pioneiras em várias situações. “Foi uma evolução da noite para o dia”, refere Elsa Figueiredo. “Fomos as primeiras, nesta zona, a usar soro endovenoso, quando se tratavam as parvoviroses com soro subcutâneo e fomos as primeiras a ficar com os animais internados durante o dia”.

“Acompanhamos o processo de desenvolvimento da Veterinária, nomeadamente ao nível científico”, reforça Maria Vasconcelos. A este propósito, a médica veterinária sublinha a importância da formação: “fizemos e continuamos a fazer muita formação, tanto cá, como no estrangeiro”.

A crise e a concorrência

Ainda assim, ao longo destes 26 anos nem toda a evolução foi favorável. “O mercado hoje está difícil”, indica Maria Vasconcelos e agravou-se nos últimos anos. “Sentimos os efeitos da crise”, completa Elsa Figueiredo. No entanto, graças ao facto de possuírem uma clientela “bastante fidelizada temos conseguido aguentar a pressão”. E mais – sendo igualmente motivo de orgulho para as duas médicas veterinárias – “nunca despedimos ninguém e os nossos colaboradores têm todos contratos, ou seja, apesar das dificuldades, conseguimos manter os postos de trabalho”, revela Maria Vasconcelos.

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Além da crise, o ambiente envolvente também se tem vindo a complicar nos últimos anos. “Atualmente há muita concorrência”, sublinha a médica veterinária, explicando que “nesta zona há bastantes hospitais veterinários e clínicas low cost”. No entanto, não é na clínica que a situação está mais complicada, mas na petshop, “que já tem 20 anos, mas presentemente ressente-se muito com a oferta online“, complementa Elsa Figueiredo.

Abordagem personalizada

Com uma equipa constituída por quatro médicas veterinárias, na Clínica Veterinária de Corroios a filosofia é a de ‘médico veterinário de família’. “Possuímos uma abordagem muito personalizada”, conta a diretora-clínica, acrescentando que “funcionamos muito como o médico de família”. A tónica no tratamento personalizado é precisamente uma das razões pela qual as sócias não pensam em avançar para a categoria de hospital veterinário. Estes “são muito impessoais e as pessoas não gostam de hoje serem atendidas por um médico veterinário e amanhã por outro”, refere Maria Vasconcelos. Nesta clínica esse problema não existe porque “somos uma equipa pequena e as pessoas conhecem muito bem todos os seus elementos”.

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Mas não é pelo facto de não ser um hospital que as médicas veterinárias não passam sete dias por semana no seu CAMV. “Fechamos ao domingo e aos feriados e vimos cá sempre principalmente por causa da continuidade de tratamentos”, revela Maria Vasconcelos. O animal, para as médicas veterinárias, está sempre em primeiro lugar e por isso “procuramos resolver os casos até ao fim”, sendo que, para tal, muitas vezes “colaboramos com vários hospitais e com a faculdade”, especifica Elsa Figueiredo. “Com uma clínica deste tamanho não nos podemos dar o luxo de ter ‘especialidades’, daí que quando o caso exige recorremos a quem de direito”, complementa Maria Vasconcelos. Apesar de serem “muito generalistas”, uma das “colegas dedica-se bastante aos exóticos” e, além disso “temos áreas de que gostamos mais, por exemplo nós duas fazemos muito cirurgia”, sublinha a médica veterinária.

Continuar a investir

Apesar dos longos anos de experiência, todos os dias há desafios a enfrentar. Para Elsa Figueiredo, um deles “é o tempo de espera na sala”. Já para Maria Vasconcelos é a grande carga fiscal: “gasta-se muito dinheiro nos impostos e com a Segurança Social”. Estando a parte da gestão ao encargo das médicas veterinárias, Elsa Figueiredo indica que “já tivemos um acompanhamento personalizado nesta área”. Mas os desafios são algo inerente a quem tem a ‘porta aberta’ e, por isso, o objetivo presente e futuro de ambas as médicas veterinárias é “dar sempre o nosso melhor e que os clientes continuem a gostar do nosso trabalho”. Com esta meta em vista, “temos investido, e continuaremos a fazê-lo, em equipamentos e na formação contínua da nossa equipa”, remata Varia Vasconcelos.

 

População envelhecida

Da perspetiva de Elsa Figueiredo, atualmente “as pessoas cuidam muito mais dos animais”. Se antigamente “vinham mais por doença, agora vêm muito por prevenção”. E, em consequência, “temos esta zona muito bem vacinada, até mesmo em relação a vacinas que os colegas normalmente não fazem”. Uma das particularidades da Clínica Veterinária de Corroios é a de servir uma população muito envelhecida, “tanto em termos de pessoas, como de animais”, salienta Maria Vasconcelos. “Temos muita atenção a esta situação”. Assim sendo, por exemplo, têm uma carrinha com o intuito de se deslocarem aos domicílios. “Temos algumas pessoas  que já não saem de casa. Estou a lembrar-me, por exemplo, de uma cliente em que só vamos a casa dela cortar as unhas ao gato”, refere a médica veterinária. Porém, uma vez que os próprios animais são, com frequência, geriátricos “lidamos muito com as doenças próprias das idades avançadas, como as neoplasias”, acrescenta.

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Ao longo de 26 anos, muitos problemas de saúde têm passado pelas mãos das duas médicas veterinárias. Dos mais marcantes, Elsa Figueiredo aponta o caso de um Labrador com um tumor no tórax, “em que já lá vão seis meses e o cão ainda está vivo, contra todas as probabilidades”. A diretora-clínica relembra ainda quando diagnosticou, pela primeira vez, a doença de Addison há muitos anos. “O caso veio de um amigo de Vigo e o cão viveu comigo oito meses para eu conseguir perceber o que ele tinha e depois ainda durou bastante tempo. A partir daí já diagnosticámos vários casos”.