CDS-PP promove interpelação parlamentar para avaliar política da saúde

Os deputados do CDS-PP promovem hoje uma interpelação parlamentar para avaliar a política de Saúde do Governo e confrontar a actual ministra sobre a «disparidade» entre as «promessas e a realidade».

Segundo explicou à “Lusa” a deputada Teresa Caeiro, «a interpelação pretende fazer um exame geral à política de Saúde dos três anos do Governo. Se a situação da Saúde estivesse tão bem como o Governo diz, quem estaria na interpelação seria Correia de Campos e não a actual ministra», que defendeu que a mudança de responsável «se destinou a inverter a política, o Governo tem que assumir que esteve errado durante três anos», sublinhando que «há uma indefinição» em relação ao rumo do Executivo no sector e que «se foi para se prosseguir com as políticas anteriores, então não se percebe porque é que houve mudança».
O CDS-PP quer confrontar Ana Jorge com «a disparidade entre as promessas e anúncios e a realidade» em relação a «um conjunto de políticas e compromissos anunciados nos três anos de governação», cuja concretização está «longe de ser atingida». «A vacina contra o cancro do colo do útero foi anunciada para entrar em vigor em 2008. Mas só vai ser incluída no plano nacional de vacinação em Setembro. Havia o compromisso de abertura de 100 unidades de saúde familiar em finais de 2006 e essa meta foi atingida com um ano de atraso.
Os «planos de vacinação e de prevenção de doenças», a requalificação das urgências, as «metas para a abertura de mais USF», o programa nacional de promoção da saúde oral e a recuperação das listas de espera são algumas das matérias que irão ser analisadas na interpelação, assim como a «má utilização de recursos» no Serviço Nacional de Saúde, adiantou a deputada. Sobre esta última questão, Teresa Caeiro considera que o Governo mantém «preconceitos estatistas» que «têm impedido que haja um maior alargamento de protocolos» com o sector social e privado, dando como exemplo o programa de combate às listas de espera às cataratas, no qual o Governo «vai pagar 28 milhões de euros aos serviços faltosos», pelo que «falta saber em quanto é que fica cada cirurgia. Ficará mais barato que o valor apresentado pelas Misericórdias, 900 euros por operação?», indagou a deputada.