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Cascaisvet: aposta na prevenção e na sustentabilidade

Com apenas alguns meses de existência, a Cascaisvet enfrenta um desafio que é global: a pandemia de Covid-19.  Com a missão de acompanhar os animais em todas as fases da vida, a equipa defende uma simbiose entre a medicina convencional e a medicina integrativa. Tratamentos personalizados, identificados caso a caso e acompanhados por práticas sustentáveis deram o mote para a criação de um conceito diferenciador em Cascais.

Abriu portas a 26 de outubro do ano passado com a direção clínica de Sónia Monteiro Diniz, médica veterinária com experiência profissional de 20 anos. Depois de alguns anos à frente do Onevet Hospital Veterinário de Cascais (anteriormente designado Hospital Veterinário Casvet), decidiu que queria investir num outro tipo de conceito e modelo de negócio. Começou a estruturar então um novo projeto que conciliasse a medicina convencional e a medicina integrativa e convidou quatro colegas com quem já tinha trabalhado. A ela, juntaram-se as médicas veterinárias Rita Nova e Rita Vicente, e a enfermeira veterinária Catarina Pinto. “Na vida hospitalar não temos tempo para seguir de perto os casos e a prática clínica é mais intensa. Na Cascaisvet, temos a possibilidade de fomentar uma maior proximidade, na qual os clientes são conhecidos pelo nome e é possível seguir os casos de perto. É um pouco regressar à medicina do antigamente, mas com as valências atuais e mais tecnologia.”

Para a diretora clínica, estruturar um novo projeto de raiz não é propriamente novidade. A localização – Cascais – seria óbvia para Sónia Monteiro Diniz, que sempre privilegiou esta zona geográfica. “Apesar de esta zona ser bastante especulada e o preço por metro quadrado ser muito alto, já conhecia o tipo de clientes e público que queria conquistar”, explica. O espaço clean e com um ambiente leve pretende fazer com que os tutores se sintam bem e confortáveis. Pensar na decoração, no design e no layout também é algo que lhe dá particular gozo.

A equipa jovem e motivada tem estado focada na missão de potenciar o melhor tratamento, assente na personalização, aos pacientes. “Apostamos muito na área da prevenção e tentamos resolver os problemas dos nossos animais de uma forma natural, tentando não procurar de imediato – ou apenas – os químicos. Não somos radicais ao ponto de só fazer medicina integrativa e deixar de exercer medicina convencional, mas somos a favor da integração, de otimizar e de ir buscar a cada tudo aquilo que têm de benéfico”, explica Sónia Monteiro Diniz. É neste equilíbrio que têm pautado a atividade. Pelo feedback recebido, os clientes parecem identificar-se totalmente com o conceito.

Rita Nova partilha com a VETERINÁRIA ATUAL que a referenciação “boca a boca” continua a ser a melhor publicidade e que as redes sociais têm sido utilizadas para partilhar informações úteis aos tutores. “Recebemos também algumas referenciações sugeridas por parte de alguns colegas que sugerem a nossa clínica porque recebem casos que são mais da nossa competência ou porque as próprias pessoas já procuram uma alternativa à medicina convencional”, afirma.

Logo no arranque do projeto, a equipa idealizou que este centro veterinário seria cat friendly, certificação que resulta da experiência profissional anterior e que se traduz em sensibilizar os clientes para levarem os gatos à clínica de forma confortável e adequada. “Conseguimos perceber o seu comportamento, manipulá-los de forma diferente e ajudar os tutores a reduzir o medo de trazer os gatos à clínica porque o transporte ao veterinário está muito associado ao stresse.” A equipa está ainda treinada para utilizar meios, técnicas e terapias não invasivas que promovam o bem-estar dos felinos.

“O seu veterinário para sempre”

É desenhado um protocolo à medida de cada paciente nesta clínica que tem como compromisso ser o seu “o veterinário para sempre”, como sublinha o slogan. Além dos exames complementares de diagnóstico comuns – raio-x, ecografia e análises gerais –, a Cascaisvet tem fisioterapia, consulta de saúde oral, pet spa e várias técnicas de medicina integrativa.

“As duas colegas médicas veterinárias que trabalham comigo têm pós-graduações nessa área e fazemos acupuntura, fitoterapia, ozonoterapia, entre outras terapias”, explica Sónia Monteiro Diniz. Por exemplo, a autohemoterapia, uma técnica há muito utilizada na medicina chinesa, passa por “retirar sangue venoso do animal e injetar esse sangue subcutâneo ou intramuscular em pontos de acupuntura específicos.  Podemos usá-lo em conjunto com o ozono, e o que fazemos é retirar o sangue, oxigenamos este sangue reintroduzindo-o nos pontos de acupuntura [autohemoterapia minor]”, explica Rita Nova. O objetivo, diz, é potenciar o sistema imunológico.

Uma outra terapia utilizada na Cascaisvet e que não é muito falada, segundo a médica veterinária, é a hirudoterapia, que consiste no “uso de sanguessugas para tratar hematomas, tromboembolismo, etc”. Também a dietoterapia pode ser sugerida em complemento de tratamentos realizados e consiste na utilização da dieta, potenciada por todos os seus constituintes, tanto numa abordagem preventiva como curativa. “Muitos dos nossos clientes já seguem um estilo de vida mais saudável e querem replicá-lo nos seus animais. Formulamos dietas personalizadas para cada paciente e algumas pessoas acabam por visitar-nos com esse objetivo”, salienta Rita Vicente. Noutros casos, como pacientes com doença osteoarticular, a equipa tenta ajudar na formulação de dietas que auxiliem a perda de peso.

Para promover um acompanhamento regular aos seus pacientes, o centro desenvolveu o Cartão Pet, dividido em três planos adequados a cada animal, consoante a espécie, a idade e a raça. “Temos diversos planos para ajudar os tutores nas diversas fases do crescimento e de etapas da vida dos animais”, explica a médica veterinária. São planos anuais que incluem alguns serviços, como a vacinação, a desparasitação e os check-ups necessários para que os animais de companhia tenham uma vida longa e saudável, bem como alguns descontos em produtos alimentares e medicação. “As pessoas têm aderido e recebemos cada vez mais tutores preocupados em seguir o animal de uma forma ponderada e contínua”, acrescenta. Ao acompanharem os pacientes ao longo do tempo, conseguem assim diagnosticar patologias, atualizar o programa e enviar lembretes aos clientes quando é necessário agendar alguma rotina para determinado procedimento. “Queremos promover este encontro nas várias fases de vida de um animal. Se os tutores apostarem na prevenção, certamente que esta relação com o médico veterinário vai ser duradoura, longa e feliz.”

Medidas resultantes da Covid-19

No dia em que foi realizada esta reportagem, Portugal vivia o começo do isolamento social decorrente da pandemia de Covid-19. Quando esta revista chegar até si, provavelmente as medidas já serão outras e muito terá evoluído desde então. Mas quisemos saber como é que a Cascaisvet enfrentou este período de mudança global. Para começar, a clínica não fechou portas e nas páginas de Facebook e de Instagram foram sendo partilhados alguns conselhos para informar e sensibilizar os clientes.

Sónia Monteiro Diniz explica algumas medidas de contingência que foram adaptadas desde logo: “Alguns clientes estavam preocupados com o fecho da clínica e decidiram antecipar a compra de alguma medicação crónica, material para os animais que fazem fisioterapia em casa, mais ração e outros produtos… Como este vírus não atua nos animais, os clientes têm mais receio de sair de casa, mas continuamos a receber pacientes que precisam de serviços específicos e dos quais não podem prescindir.”

Aposta na sustentabilidade

Este centro de veterinário assume a preocupação de tornar a vida dos animais de estimação mais sustentável. Por esse motivo, disponibiliza acessórios biodegradáveis, brinquedos e areias sustentáveis, snacks naturais, aconselhamento nutricional individual saudável e, ainda, alimentação seca e húmida em que 5% das receitas revertem a favor da associação internacional de proteção dos animais World Wildlife Fund. “Tomámos uma série de medidas, tanto internas, como externas, nesta área da sustentabilidade. A nível interno, utilizamos muito a política dos cinco R: reutilizar, reduzir, reciclar, recusar e repensar… até mesmo na forma como fazemos as compras internas do dia a dia”, explica Catarina Pinto. Além de evitarem o plástico, há a preocupação em utilizar papel reciclado e comprar produtos que vão ao encontro da visão da equipa. “Por esse motivo, tentamos escolher fornecedores que se identifiquem com a nossa missão.”

A Cascaisvet estabelece ainda parcerias com diversas escolas e instituições sociais, com o objetivo de partilhar conhecimento útil e sensibilizar a comunidade para uma vida mais amiga dos animais e do ambiente. “Tentamos educar os clientes para que repliquem as nossas ideias em casa, como por exemplo, na forma como administram a medicação”, explica Catarina. Na área da responsabilidade social, a equipa assume um papel de intermediário para a adoção animal e desenvolve parcerias com outras instituições, nomeadamente a União Zoófila, para promover alguma ajuda na qualidade de vida e de bem-estar dos animais que venham a ser adotados.”

 

A Cascaisvet passou também a apostar em consultas por videochamada sempre que fosse possível para evitar a deslocação dos clientes e uma maior exposição ao vírus. “Felizmente, temos uma área exterior simpática onde os clientes podem aguardar e tentamos não estar todos confinados em espaços fechados”, explica a diretora clínica.

Nas consultas agendadas, foi pedido aos clientes que apenas um dos tutores acompanhasse o seu animal e, em tratamentos nos quais não é exigida a sua presença, o paciente fica ao cuidado da equipa.

Rita Vicente explica ainda que, em situações menos urgentes, se privilegiam os contactos telefónicos e a clínica tem um contacto disponível 24 horas por dia. “As prescrições de medicação para doenças crónicas podem ser enviadas por e-mail, permitindo pagamentos por transferência bancária ou através de MBWay.” Todos os profissionais estão a trabalhar com máscara e luvas, e a clínica é higienizada depois do atendimento a cada cliente. “Neste momento, estamos a tentar evitar as marcações de consultas ao domicílio, mas, numa altura normal, os tutores podem agendar uma visita de uma das nossas médicas veterinárias a menos que tenhamos conhecimento que a situação exija também a presença da enfermeira veterinária”, explica.

Projetos para o futuro

Sónia Monteiro Diniz confessa que tem ambições para o crescimento da clínica e que podem traduzir-se em contratar mais colegas para se dedicarem a este conceito de medicina integrativa e convencional. No entanto, a pandemia de Covid-19 veio adiar os projetos planeados para 2020. Após cinco meses da abertura, consolidar é a palavra de ordem.

Quando compara a medicina veterinária atual com a praticada há duas décadas, a diretora clínica considera que os clientes são hoje mais curiosos e responsáveis, o que torna o trabalho mais exigente. “Se há algo que aprendi neste meu percurso é que não podemos estagnar e achar que o curso que tirámos há 20 anos vai ser suficiente até ao final da nossa vida. Temos de inovar, procurar saber mais e não nos podemos acomodar”, defende. Tem noção que nem todos os colegas se identificam com este conceito, mas remata: “Ao longo da vida, fui percebendo que não podemos negar as evidências. Temos de nos ir moldando.” Apesar da consciência de que este é um caminho longo, considera que o futuro passa cada vez mais por uma maior sensibilidade por parte da classe para complementar técnicas, tratamentos e terapias.

A missão da equipa está bem definida: “Sensibilizar os tutores para a prevenção e para o acompanhamento diário com o máximo conforto e carinho”, conclui.

*Artigo publicado originalmente na edição de abril de 2020 da revista VETERINÁRIA ATUAL.