ASAE analisa alimentos potencialmente perigosos para a saúde

Um grupo de técnicos da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) encontra-se a estudar todos os alimentos que possam representar maior risco para a saúde. Segundo noticiou o “Diário Digital”, a finalidade é intensificar a fiscalização naquele grupo de produtos e atenuar os perigos para os consumidores.

A título de exemplo, num dos testes já efectuados ao pescado, os especialistas da ASAE detectaram elevadas quantidades de mercúrio em espadartes e atuns, peixes que em breve deverão passar a estar na mira da ASAE, admitiu Manuel Barreto Dias, director científico da ASAE.
«Todos nós ficaríamos muito contentes se todos os produtos que estão no nosso prato tivessem sido fiscalizados. Mas isso não é possível», afirmou à “Lusa” o responsável pelo estudo que deverá estar concluído no final do ano.
. Uma vez que «não é possível» fiscalizar tudo, técnicos da ASAE estão a analisar os circuitos de produção e comercialização alimentar para avaliar os riscos dos principais grupos dos alimentos consumidos em Portugal.
«Queremos ajustar os programas de controlo aos alimentos com maiores riscos para diminuir os perigos. A ASAE quer pôr em prática medidas que garantam um risco o mais baixo possível. Queremos localizar os pontos que poderão ser mais críticos, para fazer uma fiscalização mais apertada mas também para avançar com acções pedagógicas junto dos consumidores e entidades envolvidas», acrescentou.
Constituída por engenheiros agrónomos e especialistas em áreas como a biotecnologia, a química e a veterinária, a equipa seleccionou os quatro grupos mais problemáticos. São eles: ovos e carne de aves; leite e produtos lácteos; carnes de bovino e suíno e pescado.
Antes da conclusão do estudo, já existem alguns alimentos que apresentam maior risco para os consumidores, como é o caso do espadarte e do atum. Nos últimos três meses do ano passado, foram analisadas para este trabalho «87 amostras e detectou-se algumas situações em que os peixes apresentavam mercúrio acima do limite máximo permitido pelo regulamento comunitário», lembrou. «Detectámos algumas amostras de espadarte e atum maior com excesso de mercúrio, o que representa um perigo relativo para a saúde humana. Claro que o perigo não existe por comer uma só vez, mas sim pela exposição contínua. Nós somos dos europeus que comem mais pescado», contou o responsável, acrescentando que «a sardinha não constitui qualquer problema».
O estudo científico liderado por Manuel Barreto Dias deverá ser apresentado em Novembro ao conselho científico da ASAE.