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Antena Aberta responde a dúvidas sobre o Covid-19 e os animais de companhia

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Ângela Xufre

Na semana passada, a VETERINÁRIA ATUAL realizou uma Antena Aberta nas suas redes sociais, destinada a médicos veterinários mas também detentores. Hoje, colocamos no ar as perguntas que recebemos através da nossa página de Facebook [2] e Instagram [3], com as respostas de Ângela Xufre, diretora técnica do laboratório veterinário português DNAtech [4] e doutorada em biologia.

Pergunta de Rita Ferraz, recebida via Facebook

 

Quais os sintomas?
Ângela Xufre (AX):
Recebemos efetivamente a notícia de que um cão de companhia teria testado positivo fraco para o Covid-19 em Hong Kong. Contudo, de acordo uma declaração do Departamento da Conservação da Agricultura e Pescas (AFCD) de Hong Kong, o cão não apresenta sintomas clínicos da doença [5] e mantém-se apenas em quarentena até os resultados dos testes serem negativos. Segundo a mesma fonte, é possível que o resultado tenha sido devido a “contaminação ambiental na boca e nariz do animal”. Desta forma e segundo os dados atuais, ainda não foram reportados animais de companhia com sintomatologia associada ao Covid-19.

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AX: Segundo a informação da WSAVA (World Small Animal Veterinary Association) e o Centro de Controlo de Doenças (CDC), dos Estados Unidos da América, não há evidências de que “os animais de companhia possam ser infetados com a nova estirpe de Covid-19 ou possam ser a fonte de infeção de pessoas”.

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AX: Como atualmente ainda não foi confirmado que os animais de companhia possam ser infetados por Covid-19, não sabemos se haverá alguma raça com mais predisposição para ser infetada e desenvolver a doença.

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AX: Também ainda não nos é possível prever se será possível a infeção nos animais de companhia e nem a sua morbilidade/mortalidade. Aliás, um dos grandes problemas deste vírus é o facto de ser totalmente novo para a comunidade científica. Ainda só está a ser estudado na população humana, uma vez que é a que estar a ser alvo de infeção. Neste momento a preocupação reside no controlo da doença, para que a comunidade científica tenha tempo, quer de conhecer o vírus, quer de conhecer a sua capacidade de infeção, para poder ser desenvolvida uma vacina.

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AX: A técnica que está a ser utilizada no diagnóstico do Covid-19 é o PCR (Polymerase Chain Reaction). Para a realização desta técnica, são extraídas amostras nasofaríngeas (com uma zaragatoa). Da amostra recolhida, é feita uma extração do DNA e é a partir deste DNA extraído que é efetuada a análise. A análise consiste na utilização de sondas que reconhecem e se ligam a uma sequência especifica do Covid-19, ou seja, só ocorrerá ligação destas sondas caso exista na amostra o material genético do coronavírus. Desta forma, a técnica para diagnóstico é dirigida ao Covid-19 independentemente da espécie onde poderá estar alojado.