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A luta contra parasitas externos e internos num só comprimido para cães

Bem resumida, a estratégia de marketing por detrás do mais recente lançamento da Zoetis resume-se em três “três”: três ingredientes ativos para uma proteção tripla contra três tipos de parasitas. A empresa de saúde animal faturou 6,3 mil milhões de euros em 2019 — segundo o vice-presidente sénior para o Reino Unido, Irlanda e Norte da Europa, Jamie Brannan, é a primeira empresa de saúde animal a fazê-lo, ultrapassando a marca dos seis mil milhões de euros — e lançou oficialmente no mercado europeu, no dia 19 de fevereiro, um novo desparasitante para cães que promete maior proteção com a toma de um único comprimido.

O produto, de nome Simparica Trio, vai começar a aparecer no mercado português nas próximas semanas, e é uma evolução do já conhecido Simparica, lançado em 2015.

Segundo a Zoetis, a combinação de três moléculas — sarolaner, moxidectina e embonato de pirantel — promete proteção contra parasitas externos e internos, incluindo carraças, pulgas, parasitas da dirofilariose e angiostrongilose, e ainda nemátodes gastrointestinais, como ascarídeos e ancilostomídeos.

Como já é habitual, a marca reuniu um conjunto de especialistas internos e consultores para apresentar a novidade. Apelidando este novo lançamento de “o seu bebé”, Nadia Koziar, diretora de marketing para o desenvolvimento comercial global da Zoetis, afirmou estar entusiasmada com o Simparica Trio “não só por várias razões, mas também enquanto cliente da Zoetis”, referindo-se à sua cadela labrador retriever, que teve direito a uma aparição especial nos slides da responsável.

Se o lançamento da primeira versão do Simparica vinha responder a um pedido frequente dos médicos veterinários e dos detentores de cães — encontrar uma solução oral e não tópica —, o Simparica Trio, aprovado no final do ano passado, cobre essa aposta e sobe a parada: a toma de um comprimido elimina, afirma a Zoetis, “imediata e persistentemente” e “durante até cinco semanas”, duas espécies de pulgas (Ctenocephalides felis e C. canis) e as espécies de carraças “mais comuns na União Europeia (Ixodes hexagonus, Ixodes ricinus, Rhipicephalus sanguineus)”, bem como, “até quatro semanas, as Dermacentor reticulatus”.

Como explicou Cynthia North, médica veterinária e diretora médica para o desenvolvimento comercial global da marca, a ação rápida do comprimido elimina as pulgas ainda antes da postura de ovos (no caso da C. felis não demora mais do que oito horas), podendo utilizar-se como estratégia de tratamento para a dermatite atópica. Funciona também como prevenção da dirofilariose e angiostrongilose, além do tratamento de infeções gastrointestinais por ascarídeos e ancilostomídeos. 

Conveniência para os tutores
Do ponto de vista dos detentores, salientou o professor de parasitologia da Universidade de McGill, no Canadá, Tim Geary, o valor acrescentado do produto reside no seu “espectro alargado de ação e conveniência”, além da proteção contra algumas zoonoses.

Tim Geary

E, acredita o especialista, que é também consultor da Zoetis, serão cada vez mais os detentores de cães a preocuparem-se com os parasitas nos seus animais. Segundo Geary, as alterações climáticas e o subjacente aumento de temperaturas implicam uma mudança nos parasitas — aqueles que não eram um problema, podem agora passar a sê-lo. Como exemplo, deixou o caso da dirofilariose no Canadá, que, se antes não era uma questão, agora já o é, especialmente no sul do território.

“As pessoas viajam mais, levam os animais para sítios com parasitas e depois trazem-nos de volta para sítios onde não existiam esses parasitas. Importam ainda cães de abrigo de outros países, o que acaba por ser uma ameaça”, afirmou.

Para a prevenir, o também professor de parasitologia da Universidade de McGill, Roger Prichard, explicou a química por detrás da combinação molecular deste novo produto e elogiou as maravilhas da moxidectina: “É mais segura para raças como os collies, na qual outras moléculas podem provocar toxicidade […]. É a molécula mais potente conhecida pela ciência para prevenir a infeção por dirofilariose.”

Domenico Otranto

Sublinhando exatamente a importância da profilaxia, Domenico Otranto, professor de doenças parasitárias em humanos e animais da Universidade de Bari, em Itália, mencionou um estudo que realizou em que mostra como a dirofilariose – antes confinada no norte de Itália, começou a surgir no sul do país, por vezes com a complacência dos médicos veterinários desta zona, que não estavam tão despertos para o problema (ver vídeo abaixo).

Disponível apenas sob prescrição veterinária, o Simparica Trio é comercializado em embalagens de seis comprimidos para cães entre 1,25 kg e 60 kg (seis dosagens disponíveis) e com pelo menos oito semanas de vida. Em cães maiores, há que recorrer a uma combinação de diferentes dosagens. Segundo a marca, é ainda “prudente” testar os animais para a dirofilariose antes da prescrição do produto.

Números do programa de teste global de eficácia do Simparica Trio

  • Duas espécies de pulgas em cinco estudos laboratoriais (93 600 pulgas usadas em 156 cães)
  • Dez espécies de carraças em 30 estudos laboratoriais (222 600 carraças em 636 cães)
  • Quatro espécies de nematódes gastrointestinais (até três fases de desenvolvimento) em 13 estudos de laboratório com 242 cães
  • Dois nematódes vasculares em cinco estudos laboratoriais com 136 cães
  • 15 ensaios clínicos de campo em quatro regiões geográficas (2241 cães tratados com 9609 doses)
  • Vários estudos exploratórios
  • Na Europa, a autorização de introdução no mercado envolveu 1900 cães de várias raças em estudos realizados em oito países