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Variante de coronavírus canino é identificada num adulto humano

Investigadores do Emerging Pathogens Institute [1] da Universidade da Flórida identificaram uma variante de coronavírus canino [2] num adulto humano. A variante continha ainda caraterísticas genéticas de coronavírus felino, relata a universidade, em comunicado [3].

A variante foi retrospetivamente descoberta tendo infetado pelo menos uma pessoa durante uma visita ao Haiti, no início de 2017. O indivíduo sofreu doença de gravidade média, com febre e fatiga. Este vírus foi identificado como semelhante em 99,4% com um coronavírus canino relatado no início de 2021 na Malásia, onde causou sintomas parecidos à pneumonia em várias pessoas. Em nenhum dos casos havia indícios de uma maior propagação do vírus dentro das populações humanas.

 

Apesar de ser muito semelhante, o vírus identificado no Haiti “parecia ter sido submetido a uma recombinação, uma forma de mistura genética, com outros coronavírus de cães, bem como coronavírus de porcos e gatos”.

A equipa da UF faz parte de um esforço para entender doenças inexplicáveis com febres no Haiti. Desde 2013 que analisam samples biológicas de participantes de estudos na região de Gressier, no Haiti. Quando os participantes têm febre, mas testam negativo para vírus conhecidos na área – como Zika, chikungunya, ou dengue – iniciam um processo de testes laboratoriais com o objetivo de detetar e identificar vírus desconhecidos. Foi no âmbito desse projeto, que foi identificada a variante do coronavírus canino num humano.

 

“Obter uma compreensão mais profunda de como estes coronavírus se movem entre espécies permitirá que os cientistas prevejam melhor quais as combinações genéticas dentro de um coronavírus que podem representar uma ameaça para os seres humanos”, considerou o diretor de patógenos emergentes da UF, J. Glenn Morris. “Isto dará tempo para o desenvolvimento de vacinas e outras terapias para reduzir a probabilidade de futuras pandemias”, concluiu.

No início deste ano, a mesma equipa de investigação reportou o primeiro caso conhecido [4] de um coronavírus comum em porcos ter ganho a capacidade de infetar humanos.

 

A investigação foi publicada no Clinical Infectious Diseases [5].