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Resistência antimicrobiana matou mais que SIDA e Malária em 2019

As infeções causadas por bactérias resistentes a antibióticos [1] estão entre as principais causas de morte para pessoas de todas as idades, revelou um estudo publicado na revista científica The Lancet. Em 2019, segundo o estudo, 4,95 milhões de pessoas morreram de doenças em que a resistência antibacteriana desempenhou um papel. Dessas, 1,27 milhões de mortes foram resultado direto dessa resistência – mais do que a SIDA (846 mil) ou a malária (643 mil), informa a Nature [2].

Para conseguir perceber os efeitos da resistência antimicrobiana, uma equipa de investigação na Universidade de Washington em Seattle analisou dados do 2019 Global Burden of Diseases, Injuries and Risk Factors Study (GBD) – um inquérito sobre 369 doenças e lesões entre pessoas de todas as idades em 204 países e territórios – para estimar o número de mortes causadas por infeções.  A equipa usou depois todos os dados disponíveis sobre a resistência antimicrobiana para calcular a sua prevalência em vários locais, e o impacto que essa resistência teve na mortalidade.

 

O estudo apurou que os três locais mais comuns para infeções bacterianas causadas pela resistência foram o peito, a corrente sanguínea e o abdómen — as infeções nestas partes do corpo foram responsáveis por 78,8% das mortes diretamente atribuíveis à resistência. Outro dado interessante é que, só em 2019, a escherichia coli [3], resistente a antibióticos, matou cerca de 200 mil pessoas.

Os números mostram também que os países com baixos rendimentos foram os que tiveram taxas mais elevadas de morte relacionadas com a resistência antimicrobiana. Entre as 21 regiões geográficas, a África Subsaariana Ocidental teve a maior taxa de mortes diretamente atribuível, com 27,3 por 100 mil pessoas. A Australásia foi a mais baixa, com 6,5 mortes por 100 mil pessoas.