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Relatos de transmissão de gripe aviária a humanos aumentam

Vários relatos de vírus que circulam nos aviários de produção intensiva têm surgido ao longo do último ano. Em dezembro do ano passado, na Rússia, 101 mil galinhas num aviário na cidade de Astrakhan começaram a adoecer e a morrer. Os testes revelaram que se tratava de uma estirpe relativamente recente do vírus da gripe aviária [1], tendo sido abatidas 900 mil aves para evitar uma epidemia, noticia a revista Visão [2].

O vírus na Rússia conseguiu contagiar cinco mulheres e dois homens que trabalhavam no aviário, embora tivessem sofrido apenas sintomas ligeiros. Em questão estava o vírus H5N8 – e não é a primeira vez que surgem relatos de este vírus se estar a espalhar entre aves de aviário, como galinhas, patos e perus. Nos últimos anos, o vírus foi identificado em mais de 50 países [3]. Mas o caso de contágio de seres humanos na Rússia foi o primeiro.

 

A situação levou as autoridades russas a alertar a Organização Mundial de Saúde (OMS). A conselheira principal dos consumidores da Federação Russa, Anna Popova, afirmou que exista a probabilidade de o vírus se começar a espalhar entre seres humanos e que deviam ser iniciados de imediato trabalhos para desenvolver uma vacina.

“A descoberta destas mutações, enquanto o vírus ainda não adquiriu capacidades para se transmitir entre seres humanos, dá-nos a todos – em todo o Mundo – tempo para nos prepararmos para as eventuais possíveis mutações e reagir em tempo adequado”, alertou [4].

 

Por sua vez, a chefe de investigação no Instituto Nacional para a Agricultura, Alimentação e Ambiente da França, Gwenael Vourc’h, considera que os vírus da gripe são conhecidos por evoluírem “muito rapidamente”. A responsável acredita que pode ter havido outros casos além dos reportados na Rússia. “Isto é provavelmente a ponta do iceberg”, afirmou, em declarações à Agence France-Presse.

Na China, um outro tipo de vírus da gripe aviária, desta vez o H5N6, infetou 48 pessoas desde a primeira vez que foi identificado, em 2014. Mais de metade das pessoas que contraíram o vírus morreram na sequência da infeção.

 

O Centro de Controlo de Doenças da China (CDC) já identificou diversas mutações [5] nos recentes casos de infeção pelo vírus H5N6. O diretor do CDC, Gao Fu, já afirmou que este novo vírus é uma “séria ameaça” à saúde humana e à indústria aviária.