Investigação

Ratazana-cinzenta identificada como “reservatório-chave” de bartonella

Ratazana cinzenta identificada como “reservatório-chave” de bartonella

Uma equipa de investigadores do Instituto Friedrich-Loeffler, na Alemanha, e do Instituto de Investigação da Natureza e Florestas, na Bélgica, entre outros, estudou os ratos como potencial reservatório para espécies de Bartonella, que podem provocar infeções graves tanto em seres humanos como em animais de companhia, como cães e gatos.

As espécies de Bartonella spp. são agentes patogénicos propagados por vetores e que são transmitidos aos seres humanos através de artrópodes, como as pulgas.

O rato-preto, Rattus rattus, e a ratazana-cinzenta ou castanha, R. norvegicus, podem ser o reservatório principal, de acordo com os investigadores, que recolheram dados biométricos e retiraram tecidos dos baços dos animais para extração do ADN, aquando da sua dissecação.

Uma infeção por Bartonella spp. associada à mordida de roedores pode causar sintomas graves nos seres humanos, além de poder afetar também animais de companhia.

As ratazanas e outras capturas acessórias de roedores para a investigação eram oriundas de um estudo de resistência aos rodenticidas realizado em diferentes locais da Flandres, na Bélgica.

Dados do estudo

Segundo a Animal’s Health, o ADN extraído foi analisado para Bartonella spp., através de reação em cadeia da polimerase (PCR). Para determinar a espécie, foi selecionado e sequenciado um número de fragmentos amplificados para comparação com dados do GenBank (base de dados de sequências genéticas).

O estudo analisou 1 123 roedores, sendo a espécie predominante o rattus norvegicus (99,64%), conhecido como ratazana-cinzenta ou de esgoto. Os outros roedores utilizados no estudo foram dois ratos-toupeiras, Arvicola amphibius; um R. norvegicus domesticado; e um rato-almiscarado, Ondatra zibethicus.

A análise PCR de 1 097 roedores revelou que 410 (37,37%) amostras de ADN estavam positivas para Bartonella, sendo a Bartonella tribocorum (94,68% do total) a espécie mais frequente, seguindo-se as espécies B. grahamii (3,19%) e B. doshiae(1,06%).

Foi também detetada uma espécie deBartonella não cultivada no rato-toupeira.

Os resultados do estudo apontaram também para uma prevalência significativamente mais elevada em ratos mais velhos, no que diz respeito aos locais de captura.

O estudo permitiu aos investigadores concluírem que “a ratazana-cinzenta parece ser um reservatório-chave para o zoonótico B. tribocorum na Bélgica”.

Neste sentido, destaca-se a importância da proteção contra os vetores de Bartonella, como as pulgas, que podem transmitir a doença de um rato infetado aos seres humanos e a animais de companhia.