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Investigação

Que animais poderão ser propagadores dos próximos coronavírus?

ser coronavírus

Apesar de ainda não se saber a origem animal da covid-19, o Institute of Infection, Veterinary and Ecological Sciences da Universidade de Liverpool fez um estudo para descobrir que espécies de mamíferos podem ser potenciais hospedeiros de próximos coronavírus.

Os resultados sugerem que há pelo menos onze vezes mais associações entre espécies de mamíferos e variantes de coronavírus do que até agora tinha sido observado, noticia o Portal Veterinaria. Além disso, os cientistas estimaram que existem 40 vezes mais espécies de mamíferos que podem ser infetadas com um conjunto destas variantes do que se conhecia anteriormente.

Espécies animais com maior potencial de serem hospedeiras

O modelo mostrou que o SARS-CoV-2 pode recombinar-se com outros em espécies onde esses vírus já tinham sido observados. Um dos exemplos é a espécie animal paradoxurus hermaphroditus, que pode ser um potencial hospedeiro de 32 coronavírus diferentes, além daquele que causa a covid-19.

Além disso, o estudo prevê que o morcego-de-ferradura-grande (rhinolophus ferrumequinum) e o morcego-ferradura (rhinolophus affinis) podem abrigar 68 e 45 novos coronavírus, respetivamente, incluindo o SARS-CoV-2. Estes são acompanhados pelo pangolim (manis javanica) que pode ser hospedeiro de 14 coronavírus.

No entanto, ao identificar os hospedeiros nos quais poderia existir uma recombinação do SARS-CoV-2, os investigadores indicaram que pode existir 30 vezes mais espécies hospedeiras do que aquelas conhecidas por abrigar novos coronavírus baseados no SARS-CoV-2.

Dentro destes, o trabalho destaca que o SARS-CoV-2 poderia recombinar-se com outros coronavírus no morcego scotophilus kuhlii – em que se prevê 48 interações. Os ouriços (erinaceus europaeus), o coelho bravo (oryctolagus cuniculus) e o gato doméstico (felis catus) são também outros possíveis hospedeiros. O ouriço e o coelho já eram de outros betacoronavírus.

O chimpazé (pan troglodytes) e o primata chlorocebus aethiops, assim como o dromedário (camelus dromedarius) e o javali (sus scrofa), são outros dos animais que apresentam um maior número de associações com outros coronavírus, de acordo com a previsão do modelo.

Outras conclusões

Em declarações à  agência SINC , Maya Wardeh, investigadora que liderou a pesquisa, explica que “novos coronavírus podem aparecer quando duas variantes diferentes co-infetam um animal, fazendo com que o material genético viral se recombine” “A nossa compreensão de como diferentes mamíferos são suscetíveis a diferentes coronavírus foi limitada, mas o estudo pode oferecer uma visão sobre onde essa recombinação viral pode ocorrer”, acrescenta.

“É importante notar que a recombinação ocorre em períodos mais longos, em comparação com as mutações, que são fenómenos distintos. Isso significa que apresenta um risco a médio ou longo prazo”, indicou Maya Wardeh. Mas, apesar de identificarmos prováveis ​​recombinações, “não queremos chamar a atenção indevidamente negativa para esses animais, pois a recombinação pode não ocorrer necessariamente neles”, comentou.

Método de pesquisa

O modelo procurou relações entre 411 variantes de coronavírus e 876 espécies de mamíferos potencialmente hospedeiras. “Identificamos fatores-chave do lado dos mamíferos, como a distância filogenética ou evolutiva para conhecer os hospedeiros de cada coronavírus, a dieta, ou o tipo de habitat em que vive, até mesmo as relações com hospedeiros conhecidos”, frisou a investigadora.

Do ponto de vista do vírus, os cientistas usaram as sequências do genoma, a sua “estrutura secundária” e a frequência das combinações de bases no genoma do vírus. O último fator correspondeu às conexões complexas que já existiam entre o coronavírus e os mamíferos.

“Uma vez identificados esses fatores, depois quantificámo-los produzindo uma probabilidade para cada combinação possível entre o vírus e o hospedeiro e, finalmente, combinámos essas pontuações usando um ‘algoritmo de conjunto’ para produzir as previsões finais”, disse Wardeh.

Limitações ao estudo e futuro

Não foi possível incluir coronavírus para os quais não tinham acesso ao genoma. Além disso, não foi possível incluir aves na análise.

A próxima fase da investigação vai ser adicionar uma estimativa geográfica.

Os resultados foram publicados na revista Nature Communications e indicam como variantes ou espécies completamente novas de coronavírus podem surgir a longo prazo em diferentes espécies.

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