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Animais de Produção

Projeto europeu investiga como comportamento de suínos pode influenciar eficiência alimentar

Cientistas do Instituto de Investigação e Tecnologia Alimentar e Agrícola da Catalunha, Espanha, encontram-se a investigar a relação entre bem-estar animal e eficiência alimentar, bem como as interações entre indivíduos de um grupo de produção, através do projeto europeu Feed-a-Gene.

O projeto, que teve a duração de quatro anos e terminou em março deste ano, permitiu observar diferentes indicadores e medidas de comportamento em suínos para investigar como poderão estar relacionados com a eficiência alimentar.

Para tal, foram criados modelos que permitem que as interações sejam indiretamente avaliadas, prevendo a informação individual a partir de registos de grupo – por exemplo, a partir do consumo médio na pocilga.

O projeto estudou ainda o valor que os dados de grupo podem ter num programa de seleção genética em suínos, por forma a substituir o controlo individual e, consequentemente, reduzir os custos.

Foram utilizados como indicadores comportamentais observações diretas de comportamento relacional entre porcos (hierarquias, lutas, lesões, etc.), recorrendo a análise de redes sociais.

Por outro lado, os alimentadores eletrónicos recolhiam informação, como a velocidade a que os animais comem a cada visita, a frequência com que se aproximam dos comedouros, o tempo entre duas visitas consecutivas, entre outros.

Apesar de estes dois grupos de características comportamentais terem uma associação limitada com a eficiência alimentar, o projeto destacou a importância do papel das interações entre os animais que partilham uma pocilga.

“Estes modelos assumem que parte dos genes envolvidos no controlo de uma determinada característica não estará no indivíduo que mostra ou em quem a característica é medida, como o crescimento, mas nos seus companheiros na pocilga.  Estes são genes envolvidos em características comportamentais que, por exemplo, tornam um animal mais ou menos agressivo para os seus companheiros com consequências no seu crescimento”, explica Juan Pablo Sánchez, um dos investigadores.

Um dos desenvolvimentos alcançados no projeto Feed-a-Gene tem sido um modelo alternativo das interações entre os animais. Segundo Sánchez, “dois animais que tendem a ir para o confinamento ao mesmo tempo podem interagir mais um com o outro do que dois animais que comem em momentos diferentes”.

Esta consideração diferencial dos diferentes pares de animais em cada compartimento “permite-nos melhorar as capacidades de previsão dos modelos que consideram as interações sociais nas avaliações genéticas”, acrescenta.

Paralelamente ao estudo das características comportamentais, foram também explorados indicadores fisiológicos de bem-estar e de stresse (níveis de cortisol, linfócitos e neutrófilos), embora os resultados não indiquem uma associação clara entre estes indicadores e o nível de eficiência.

Além disto, o projeto europeu tem trabalhado na adaptação dos diferentes componentes dos sistemas de produção monogástricos para melhorar a eficiência global e reduzir o impacto ambiental. Com este objetivo, desenvolveu novos recursos e tecnologias alimentares, além de ter identificado e selecionado animais mais bem-adaptados a condições oscilantes.

“Esta mudança na estrutura da recolha de informação no âmbito de um programa de seleção eficiente resultaria numa redução significativa dos custos do programa”, acrescenta o investigador do Instituto de Investigação e Tecnologia Alimentar e Agrícola.

No âmbito do projeto, foram também desenvolvidas técnicas de alimentação que otimizam o potencial alimentar e o desempenho animal, abordando a eficiência alimentar de uma perspetiva multidisciplinar – nutrição, genética, fisiologia, modelação matemática, engenharia, economia e sociologia.

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