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Podem, os animais de companhia, influenciar a decisão de compra do agregado familiar?

A dissertação de mestrado com o tema “A relação entre a decisão de compra do agregado familiar e a humanização do animal de estimação: um estudo exploratório no contexto português” apresentada recentemente no IPAM Porto, vem dar o mote sobre o estudo de uma nova vertente do marketing ainda por explorar no nosso País: o marketing do animal de companhia.

Portugal, tem vindo a sofrer alterações estruturais na sociedade que contribuem para o aumento do número de animais de companhia dentro dos lares. Também o aumento das famílias monoparentais, o crescente número de divórcios, a existência de uma população mais envelhecida, com menos filhos e a tomada de consciência do bem-estar proporcionado pelos animais aos tutores, tem vindo a transformar o modo como se desenvolve o vínculo entre tutor-animal de companhia (Pereira 2019).

 

Assiste-se assim, no nosso País, a um novo agente de mudança, o animal de companhia. Este, assume extrema importância dentro do agregado familiar, exigindo que a sociedade se adapte e crie medidas para integrar o animal de companhia na vida social dos tutores. O desenvolvimento de relações de humanização entre tutor-animal de companhia e a sua influência na decisão de compra do agregado familiar, tem sido um fator modificador de economia, pois impulsiona o mercado de bens e serviços para os animais de companhia, fazendo com que este mercado já atinja, em Portugal, os 750 milhões de euros.

Sendo um fenómeno ligado ao comportamento do consumidor, o objetivo desta investigação visa compreender a relação entre a decisão de compra do agregado familiar e a humanização do animal de companhia, uma vez que ainda é um tema por explorar e que pouco se sabe, em especial, na escala nacional. Por conseguinte, a forma como o animal de companhia e a sua ligação emocional com o tutor vai influenciar realidades de compra do consumidor e como é que os fatores sociais, pessoais e psicológicos podem ou não contribuir para o comportamento do tutor ainda é pouco claro (Vänskä, 2015; Kylkilahti & Syrjälä, 2015; Cavanaugh et al., 2008). Em causa poderá estar a decisão de compra de um apartamento ou uma casa com jardim para o animal usufruir de maior conforto. Da escolha do local de férias e se são permitidos animais. Do simples acesso, ou não, do animal a um café até à escolha e aquisição de bens de saúde e alimentação para animais. Basta simplesmente a questão de a influência do animal ser tão forte que a decisão do tutor de ir (ou não) a um lugar se baseia unicamente na pergunta: aceitam animais? (Talkpet, 2019)

 

Se, por um lado, ao longo do desenvolvimento da investigação foram encontrados vários argumentos que indiciam um “efeito do animal de companhia” (Feldman, 2017). Por outro lado, constata-se que a importância do vínculo tutor-animal de companhia condiciona o comportamento de compra de bens e serviços quer para o tutor quer para o animal de companhia, realçando o papel do animal como co consumidor (Kylkilahti & Syrjälä, 2015).

Desta forma, para compreender a relação entre a decisão de compra do agregado familiar e a humanização do animal foram realizadas entrevistas em profundidade a 30 entrevistados representativos de 30 agregados familiares portugueses com animais de companhia que ajudassem a responder ao fenómeno em estudo.

 

Os principais resultados desta investigação apontam para:

 

 

Com esta análise, pretende-se que haja uma sociedade mais atenta aos pormenores sobre a influência do animal de companhia e no papel que este assume como decisor silencioso, capaz de ditar comportamentos do consumidor e influenciar as decisões dos tutores. Desta forma, sugere-se que os estabelecimentos adequem a forma como comunicam com os tutores e adotem medidas mais agregadoras dos animais. O tutor do animal ainda é quem tem a última palavra na decisão de compra e esta é, cada vez mais, com o animal de companhia no seu pensamento. Também é sugerido aos estabelecimentos que aceitem genuinamente a entrada dos animais de companhia pois assim vão poder assumir um posicionamento diferente face aos concorrentes e atingir um público-alvo em franco crescimento: os tutores dos animais de companhia que se fazem acompanhar para todo o lado como os seus animais.

Por fim, a revisão da lei do acesso dos animais de companhia aos espaços fechados é outro dos pontos citados nesta investigação, pois acredita-se, que a sua alteração vai facilitar decisões de compra do consumidor que é tutor ou apenas simpatizante de animais de companhia.

Na verdade, quando existem relações de amor, acorrem influências que determinam as características do consumidor como pessoa que é (Ahuvia, 2005).

Referências bibliográficas

Ahuvia, A. C. (2005). Beyond the Extended Self : Loved Objects and Consumers ’ Identity Narratives. February 2005. https://doi.org/10.1086/429607

Cavanaugh, L. A., Leonard, H. A., & Scammon, D. L. (2008). A tail of two personalities: How canine companions shape relationships and well-being. Journal of Business Research, 61(5), 469–479. https://doi.org/10.1016/j.jbusres.2007.07.024

Feldman, S. (2017). For better mental health experience the pet effect. Mental Health America. https://www.mhanational.org/blog/better-mental-health-experience-pet-effect

Kylkilahti, E., & Syrjälä, H. (2015). Understanding co-consumption between consumers and their pets. International Journal of Consumer Studies, 40, 125–131. https://doi.org/10.1111/ijcs.12230

Pereira, S. (2019). Negócio dos animais vale tanto como planteis dos três grandes. Dinheiro Vivo. https://www.dinheirovivo.pt/empresas/negocio-dos-animais-vale-tanto-como-planteis-dos-tres-grandes-12684544.html

Talkpet. (2019). Geração Y é a que mais investe em produtos para pets: entenda o perfil. Talkpet. https://pet.talknmb.com.br/produtos-pet-geracao-y/

Vänskä, A. (2015). New kids on the mall : Babyfied dogs as fashionable co-consumers Young Consumers Article information : Young Consumers, 15(3), 263–272. https://doi.org/10.1108/YC-10-2013-00400

*Artigo com base na Dissertação de Mestrado de Gestão de Marketing (IPAM): “A relação entre a decisão de compra do agregado familiar e a humanização do animal de estimação: um estudo exploratório no contexto português”

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