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Animais de produção

Peste suína africana chega pela primeira vez à Índia

Suinicultura e Ambiente debatem-se hoje

A peste suína africana (PSA) chegou pela primeira vez à Índia. Na semana passada, dia 21 de maio, os Serviços Veterinários Oficiais indianos notificaram a Organização Mundial de Saúde Animal sobre os primeiros focos da doença na região nordeste do país, perto da fronteira. Só no estado de Assam, mais de 14 mil suínos morreram de PSA, mas também há registo de casos no estado de Arunachal Pradesh.

Segundo um comunicado do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação espanhol, há 11 focos da doença na Índia. Os primeiros casos remontam a final de janeiro, com perdas significativas de suínos em três municípios do nordeste indiano.

Após a deteção de mais um caso suspeito no final de fevereiro, as autoridades indianas adotaram medidas para evitar a propagação da doença, incluindo restrições comerciais na região de Assam, em abril, e o abate preventivo nas explorações situadas a um quilómetro dos produtores afetados. O Governo indiano identificou ainda cinco distritos vulneráveis na região leste do estado e deu ordens para limitar os movimentos dos porcos domésticos e o seu contacto com javalis.

De acordo com o jornal local The Diplomat, estima-se que a população de suínos no estado de Assam seja superior a dois milhões de animais, incluindo javalis. No Parque Nacional de Kaziranga, património mundial da UNESCO, as autoridades cavaram mesmo uma trincheira de dois quilómetros de comprimento e 1,8 metro de profundidade para protegerem os suínos selvagens da doença.

Segundo o mesmo jornal, acredita-se que o vírus se tenha disseminado a partir de milhares de carcaças encontradas nos afluentes do rio Brahmaputra, cuja nascente se situa no Tibete, China.

O primeiro surto de PSA foi confirmado na China em agosto de 2018 e, desde então, surgiram inúmeros outros surtos em países vizinhos, como a Mongólia, Vietname, Camboja, Filipinas, Coreia do Sul e Indonésia, segundo dados da Food and Agriculture Administration (FAO).

Desde então, já foram vários os alertas de subnotificações por parte das autoridades chinesas, uma vez que as autoridades locais não solicitaram testes para confirmar as suspeitas da doença e não alertaram adequadamente o público, o que levou à morte de milhões de suínos no país.

Em junho de 2019, o Ministério da Agricultura indiano tinha já emitido um alerta a todos os estados do país, indicando que a PSA “era uma preocupação para a Índia, já que há movimentações de suínos vivos e de produtos à base de carne de porco oriundos dos países vizinhos”. No documento, podia ainda ler-se que: “Neste sentido, as pessoas nas áreas fronteiriças, especialmente no Nordeste, devem ser adequadamente sensibilizadas [para a questão].”

Neste momento, são já 15 os países afetados pela PSA no continente asiático.

Ainda este mês, cientistas do instituto Pirbright, no Reino Unido, anunciaram que uma vacina vital para a PSA poderia estar para breve, após um estudo ter demonstrado a imunização de 100% dos suínos testados.