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Opinião: Implantes de Ouro no tratamento de doenças ortopédicas e imunomediadas

Someia

Perto de atingir a marca de 1000 pacientes tratados com Implantes de Ouro (IO), o balanço é muito positivo e merecedor de partilha com os que seguem o trabalho da Zenvet.

Ao longo dos últimos anos, a casuística de patologias tratadas por este método é dividida maioritariamente entre ortopedia e doença imunomediada.

No âmbito da ortopedia, a grande maioria são pacientes com displasia de anca, displasia de cotovelo, espondiloses anquilosantes, hemivértebras, artroses pós cirúrgicas em joelho e outros processos de degenerescência articular.

No universo de pacientes tratados, apenas um necessitou de repetir a aplicação de IO. Tratou-se de uma cadela de raça pastor alemão, com displasia e artrose de anca severa, cujo primeiro tratamento ocorreu quando tinha 11 anos. Manteve-se estável por 2 anos, sem a toma de aine´s, e ao fim desse período surgiram sinais de mielopatia degenerativa que forçaram a uma maior carga em toda a zona lombar e trauma devido a quedas frequentes. Foi reimplantada para auxiliar no maneio da dor e, atualmente, com 15 anos, não tem dor e consegue ter qualidade de vida, apesar da evolução da doença medular degenerativa.

Os pacientes tratados têm entre 6 meses e 13 anos. Os IO mais antigos, aplicados na Zenvet, já vão fazer 5 anos.

Os pacientes são avaliados de acordo com os parâmetros da Escala da Universidade de Helsinque para avaliar a dor em cães com osteoartrite e monitorizados com regularidade para posterior publicação de dados. Este trabalho já foi realizado num estudo com um número limitado de pacientes na UTAD-FMV e publicado na tese de Dissertação de Mestrado intitulada O uso de implantes de ouro como controlo da dor associada a displasia de anca em cães: descrição de casos clínicos de Maria Miguel Miranda Torres.

Leão marinho com osteoartrite severa na barbatana esquerda.

A espécie com maior representatividade são os canídeos, seguidos dos felinos, ainda alguns exóticos e um caso de mamífero marinho. Este último, um Zalophus californiacus, conhecido como leão marinho da Califórnia, foi tratado em fevereiro de 2017 já com 20 anos (a espécie em cativeiro tem uma esperança média de vida de 25 anos). Foi tratado com IO para uma osteoartrite severa do cotovelo que se manifestava por dor e consequente perda de peso, atividade e qualidade de vida. A medicina alopática é ainda hoje muito limitada quando se trata de pacientes de espécies exóticas e as opções de maneio de dor para o paciente foram esgotadas.

Até ao dia de hoje, mais de 3 anos depois, o paciente encontra-se bem, sem sintomatologia associada à sua lesão e sem necessidade de medicação.

A utilização interespécie dos IO deve-se às características deste metal orgânico e à pureza do material que utilizamos.

Os felinos representam a espécie com maior casuística de tratamento por IO devido ao Complexo Estomatite Gengivite Faucite Felino. Já foi também publicada uma tese de Dissertação de Mestrado intitulada Tratamento do complexo Gengivite-Estomatite-Faringite felino com Implantes de Ouro: um estudo piloto. Esta tese teve como sujeitos pacientes que já tinham sido submetidos às abordagens convencionais da patologia, desde extração dentária múltipla, laser, administração de analgésicos, antibióticos e imunossupressores. Os resultados foram muito favoráveis.

Em nenhum paciente ocorreu toxicidade por absorção de sais de ouro, migração de implantes, infeção ou qualquer outro efeito secundário prejudicial.

*MV, PG Acupunctura, IVAS Certf. AP

Diretora Clínica Zenvet Medicina Veterinária Integrativa

*Artigo de opinião publicado originalmente na edição n.º 143 da revista VETERINÁRIA ATUAL, de novembro de 2020.

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