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Médicos Veterinários

O peso das más notícias na saúde mental dos médicos veterinários

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Sem formação ou ferramentas para comunicar más notícias, os médicos veterinários são constantemente confrontados com tutores enlutados e com decisões difíceis, que podem ter efeitos devastadores na sua saúde mental a longo prazo. Neste sentido, fomos saber como pesam as más notícias no equilíbrio dos profissionais de medicina veterinária, que estão entre os mais afetados pelo burnout ou esgotamento, e que estratégias podem adotar para se proteger e comunicar de forma mais empática.

Uma comunicação eficaz na prática clínica veterinária pode traduzir-se em “consultas mais eficazes”, “maiores níveis de adesão terapêutica”, “melhores outcomes das intervenções ou tratamentos”, “diminuição do erro clínico” e “maior satisfação por parte dos tutores”. Quem o diz é Elizabete Loureiro, especialista em psicologia clínica e da saúde, investigadora do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) e docente responsável pelo Curso Prático de Comunicação de Más Notícias da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), que assume que a comunicação continua a ser vista como “o parente pobre” e “a soft skill que qualquer um domina” apesar da sua importância em contexto clínico, sobretudo quando é preciso dar uma má notícia.

A comunicação empática e compassiva de más notícias aos tutores de animais pode ser vista como uma obrigação ética, uma competência clínica fundamental e uma ferramenta para o sucesso de qualquer equipa veterinária, mas a verdade é que poucos são os profissionais do setor que já receberam formação em comunicação.

“É uma competência que tem de ser ensinada, treinada e aperfeiçoada constantemente […]. A única via [para melhorar as competências de comunicação na prática clínica] é incluir o ensino destas competências nos curricula de forma integrada e helicoidal, pois, ao contrário, corre-se o risco de estas competências continuarem a serem encaradas com algo acessório; apostar nas metodologias de ensino, garantindo prática experiencial, com espaço para feedback; e apostar na formação de docentes porque precisa-se de role models”, defende ainda a investigadora.

Entre as principais barreiras a uma comunicação eficaz está a ansiedade e o medo criados pela simples ideia de ter de se dar uma má notícia. “Nenhum profissional quer ser portador de más notícias. Teme-se causar dor e sofrimento, estar errado ou dar informação incorreta, extinguir a esperança… Não ter a noção de que o stresse do veterinário que dá a má notícia termina quando acaba de dar a notícia, mas que o stresse do cliente começa logo ali, também pode levar ao apressar da transmissão da notícia, a uma trivialização das emoções dos clientes, a não dar a informação que o cliente necessita ou a um distanciamento completo, até para sua autoproteção. Em muitas situações, uma das grandes barreiras também é a falta de ensino específico da comunicação das más notícias que é considerada uma competência avançada e extremamente desafiante”, acrescenta ainda Elizabete Loureiro.

A empatia, a escuta ativa, a calibração emocional e a atenção ao comportamento não verbal assumem, assim, um papel crucial na ‘entrega’ de más notícias, devendo os médicos veterinários lembrar-se que “o sucesso da transmissão da má notícia está na observação da reação do cliente quando recebe a notícia e no modo como o veterinário responde a essa reação”, sublinha a investigadora, para quem o Protocolo SPIKES (Bailes et al, 2000), usado na medicina humana, “é um dos protocolos que melhor se adapta ao contexto veterinário”.

Patrícia Fonseca, psicóloga clínica, defende que as estratégias de comunicação de más notícias, como a morte de um animal, devem ser adaptadas caso a caso, contudo, podem usar-se as mesmas ferramentas usadas em medicina humana.

Tal como a vinculação faz parte das relações entre humanos, também existe na relação dos humanos com os animais. Deste modo, no processo oposto, as estratégias devem ser as mesmas, porque em ambas as perdas existe angústia e sofrimento e um processo de luto a ultrapassar. Tal como na morte de uma pessoa significativa, no caso de morte de um animal de estimação também devemos dar especial atenção à comunicação das más notícias às crianças e aos idosos. As estratégias devem ser adequadas a cada caso. Não podemos esquecer que existem jovens de 14 anos que cresceram com o seu animal de estimação ou idosos para quem o animal era o seu único suporte emocional. A melhor estratégia é compreender esse sofrimento e o significado que o animal tinha na sua vida, sem julgamentos, desvalorizações ou críticas. Tal como na perda de uma pessoa significativa, também deve haver espaço para a partilha e apoio na reorganização emocional e de vida da pessoa que perdeu o seu animal de estimação”, explica a psicóloga.

Para Ricardo Reis dos Santos, biólogo, investigador e consultor do Núcleo Académico de Estudos e Intervenção sobre o Luto (NAEIL) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), que, em conjunto com o psicoterapeuta Miguel Barbosa, fundou a plataforma ResPET, no que diz respeito à comunicação de más notícias, “não há uma receita universal.”

“A comunicação de más notícias é, talvez, uma das situações mais difíceis para qualquer profissional, seja ele médico ou veterinário. Ninguém gosta de dar más notícias. Há, aqui, três grandes desafios para os veterinários: como comunicar uma má notícia, como lidar com a resposta, por parte dos tutores, a essa má notícia, e como evitar envolver-se emocionalmente nessa resposta, sem deixar de manifestar empatia e apoio”, começa por explicar.

“Ao contrário do que se possa pensar, tudo isto passa por um treino de competências de comunicação clínica e o exercício de uma medicina centrada na relação. Aos três grandes desafios que referi, talvez acrescentasse um outro, e que tem que ver com o significado que o tutor atribui ao seu animal de companhia”, explica o investigador.

“Por exemplo, se para um determinado indivíduo o cão tem um valor meramente instrumental, ele até pode ficar triste, mas certamente que a má notícia não lhe irá acertar no ‘nervo emocional’. Porém, se tiver um valor emocional, aí a má notícia acerta-lhe no nervo e a resposta poderá ser de vários níveis e intensidade — choque, negação, dor, etc.”

Para Ricardo Reis dos Santos, há ainda uma outra dimensão, relacionada com a resposta à má notícia por parte do tutor, sobretudo nas situações que envolvem uma decisão. Isto porque a decisão do detentor pode nem sempre ser a mais acertada, do ponto de vista clínico, para o animal. “Quando um tutor está demasiado ligado ao seu cão ou gato, pode surgir uma situação de obstinação, que não beneficia de todo o animal, antes pelo contrário, que agrava mais o seu sofrimento, e que pode frustrar o veterinário, constituindo-se assim uma fonte de stresse moral. Seja como for, e considerando que é impossível mudar a personalidade dos tutores, diria que a melhor forma de ultrapassar as várias barreiras é a aquisição de competências de comunicação clínica, que não apenas permitam tornar mais eficaz e menos crítica a relação veterinário-tutor, mas que, ao mesmo tempo, protejam o veterinário, do ponto de vista emocional, contribuindo para uma adesão terapêutica ou uma decisão que beneficie o animal”, refere ainda.

Já Patrícia Fonseca defende que, independentemente da causa, a morte “é sempre algo inesperado e difícil de aceitar” e que, por isso, em primeiro lugar “é importante perceber o estado emocional em que a pessoa se encontra para receber a informação”.

“O ideal é a pessoa estar acompanhada por um familiar ou amigo, porque recebe afeto e apoio imediato de uma pessoa significativa que a entende. Embora as reações mais comuns sejam o desespero e o choro, as pessoas podem ter atitudes inesperadas e preocupantes perante o choque da notícia. O mais importante é que as pessoas sejam confortadas, compreendidas e recebam todos os cuidados necessários na hora de dar a notícia e posteriormente no seu processo de luto”, acrescenta.

A outra face da moeda

Um desajuste emocional na hora da comunicação de más notícias também pode ter consequências devastadoras para os profissionais de medicina veterinária, que estão entre os mais afetados pelo burnout e por casos de suicídio — um estudo britânico revela que a taxa de suicídio entre médicos veterinários é quase quatro vezes superior à da restante população e duas vezes superior comparativamente a outros profissionais de saúde.

“A ansiedade e a depressão são, há muitos anos, considerados comuns entre os profissionais de medicina veterinária, à semelhança do que acontece com outras profissões na área da saúde. Todavia, estudos muito recentes apontam para o facto de que há uma taxa de suicídio elevada entre os médicos veterinários – 3,5 vezes mais alta que a população em geral”, conta a especialista em psicologia clínica e da saúde, Elizabete Loureiro.

Entre os principais fatores de risco para a tendência de elevados níveis de depressão e ansiedade na profissão, levando a stresse elevado e eventualmente burnout, estão, de acordo com a investigadora, “o excesso de trabalho que leva a um deficit no equilíbrio da vida profissional com a vida pessoal; implicações nos padrões circadianos, sobrecarga de horas; ambiguidades de papéis; situações de urgência; recursos inadequados; ambições não satisfeitas; conflitos interpessoais; tomadas de decisão rápidas; gestão das clínicas; gestão da expetativa ou pressão dos clientes; e a exposição constante a sofrimento, morte (eutanásia) e dilemas éticos”.

Segundo Elizabete Loureiro, os médicos veterinários lidam com, pelo menos, 100 mortes por ano, um valor muito superior ao enfrentado pelos profissionais de saúde humana, que lidam com cerca de 20 mortes anuais.

“É necessário que os veterinários ao longo da sua formação sejam constantemente estimulados a cuidarem de si, que lhes seja estimulado a prática reflexiva, para permitir uma maior capacidade de automonitorização do modo como perspetivamos o nosso quotidiano e efetuar mudanças necessárias e transformativas. Aliado a isto, é necessário ainda combater o stresse, a ansiedade e a depressão, atendendo aos padrões negativos de pensamento, implementar técnicas de relaxamento, adoção de estilos de vida mais salutares, recorrer ao suporte social disponível e, se sentirem uma sobrecarga difícil de gerir, recorrer a apoio especializado”, conclui.

Por outro lado, a psicóloga Patrícia Fonseca acredita que a mudança que uma decisão clínica pode implicar na vida do próprio tutor do animal também pode pesar nos ombros de um médico veterinário.

“Os médicos veterinários lidam com decisões muito importantes na sua prática profissional, não só em relação aos animais como também relativamente à vida dos seus tutores. Tomar a decisão de realizar a eutanásia a um animal, como único recurso possível, acarreta uma grande capacidade de gestão emocional, porque, além do procedimento em si, é o médico veterinário que tem de dar a notícia aos tutores, sabendo que naquele preciso momento irá alterar completamente a vida daquela pessoa ou família […]. A morte é sempre vivenciada como um fim sem retorno. É com este sentimento que o médico veterinário se depara constantemente e sente que tem uma responsabilidade direta”, explica ainda.

Ricardo Reis dos Santos lembra, porém, que é preciso estudar mais sobre o burnout na profissão para entender o que leva os médicos veterinários a estarem entre os profissionais que mais se suicidam.

“Em Portugal, desconhece-se a prevalência de burnout nos veterinários. Infelizmente, estuda-se pouco, embora se fale muito com base naquilo que se estuda em outros contextos culturais, ou seja, o discurso sobre o burnout é muito vicariante. Mesmo lá fora, os estudos não são conclusivos, pois usam amostras não representativas. Há ainda, por vezes, confusões conceptuais entre burnout e fadiga por compaixão. Um estudo recente sobre o bem-estar dos veterinários norte-americanos indica que a prevalência de burnout nesta classe é superior à da classe dos médicos, e que os veterinários têm mais ideações suicidas — sobretudo mulheres — e tentativas de suicídio — sobretudo homens — do que os não veterinários”, adianta o investigador.

O biólogo acrescenta que são os jovens e a área clínica que verificam valores mais elevados, enquanto os médicos veterinários de animais de produção registam maior bem-estar. “A nossa hipótese é que estes veterinários lidam com um perfil de cliente que, habitualmente, não estabelece uma relação emocional com os animais, não constituindo, por isso, uma fonte de stresse. É uma hipótese a ser testada”, refere o investigador.

Ricardo Reis dos Santos diz também que importa estudar as consequências do burnout que podem, inclusive, aumentar o risco de erro médico. “As consequências do burnout, à luz da sua conceptualização por Maslach, compreendem três dimensões, a exaustão emocional, a autorrealização e a despersonalização. Em particular naqueles casos em que se verifica uma despersonalização, o risco de erro médico ou negligência aumenta substancialmente, com prejuízo para a saúde e o bem-estar dos animais.”

E deixa um exemplo: “O cão que, no internamento, vocaliza dor, mas que o veterinário ignora porque está dessensibilizado. De um modo geral, estão mais ou menos identificados os fatores de stresse dos veterinários e que podem potencialmente levar a uma situação de burnout. E esses fatores são múltiplos: vão desde as decisões de eutanásia, interação com os tutores, lidar com expectativas irrealistas por parte dos tutores, passando pelas condições de trabalho, a remuneração, as horas de trabalho, o reconhecimento da profissão, a relação com os colegas, entre outros. Mas há também fatores protetores como, por exemplo, uma boa rede de suporte social, um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, ser casado ou ter um companheiro, ter filhos. Seria muito importante que se estudasse mais as questões da saúde mental dos profissionais de saúde animal, pois só a partir de um estudo sério, credível e representativo da população se podem desenhar e implementar estratégias realmente eficazes”, defende.

E é precisamente para estudar a saúde mental dos profissionais de saúde animal que Ricardo Reis dos Santos e Miguel Barbosa vão lançar, em breve, um estudo nacional que irá incidir nos profissionais de saúde animal, nos estudantes de medicina veterinária e de enfermagem veterinária e que terá como objetivo fazer o diagnóstico da situação em Portugal, tanto ao nível do burnout como dos fatores de stresse.

“Estamos a ultimar o questionário, que será feito online, vamos fazer um piloto, que consiste em aplicar um questionário a um pequeno número de pessoas, e contamos lançar o estudo no final da primeira quinzena de novembro. O estudo conta já com o apoio da Associação dos Médicos Veterinários Especialistas em Animais de Companhia (APMVEAC), mas estamos também a contactar outras associações do setor. Estes apoios vão ser muito importantes para que se consiga o máximo de respostas possível”, afirma.

Como olhamos para o luto pelos animais de companhia?


Também esquecida e pouco estudada tem ficado a dor que a perda de um animal de companhia pode causar no seu tutor. Visto como um tabu, o luto por um animal de companhia é mal aceite pela sociedade e quase sempre alvo de comentários que em nada ajudam a ultrapassar a perda.

Cristina Rodrigues, antiga representante parlamentar do PAN, entregou em outubro um projeto de lei no Parlamento que propõe o alargamento dos dias de luto por morte de familiares e a introdução de um dia de luto pelo falecimento de animais de companhia de agregados familiares. Os comentários nas redes sociais não se fizeram esperar e vieram mostrar que o luto pelos animais de companhia continua a ser visto como exagerado ou desajustado: “Meu Deus, ao que isto chegou”; “Um verdadeiro escândalo, esta proposta”; “Isto é o superlativo de solidariedade”.

“Geralmente, quando uma pessoa significativa morre, existe bastante condolência com quem sofre a perda, existindo solidariedade e compreensão aos sentimentos associados ao luto. Na maioria dos casos, as pessoas são confortadas e podem partilhar a sua dor”, explica a psicóloga Patrícia Fonseca.

Porém, quando se trata de um animal de estimação, o luto do tutor tende a não ser tão valorizado e entendido pelos outros, podendo até ser relativizado através de conselhos muito pragmáticos, como a sugestão imediata de adoção de outro animal.

“Se uma pessoa não é substituível, um animal também não é. Na minha opinião, mesmo que a sociedade entenda e respeite o luto dos tutores, poderá considerar esse sofrimento como ‘exagerado’ ou ‘desajustado’, existindo uma comparação inconsciente com a perda de um ser humano. Infelizmente, ainda existem muitas pessoas que não compreendem que o luto não se restringe à perda do animal em si, mas fundamentalmente à quebra da relação que o tutor construiu com o seu companheiro de vida, às experiências que tiveram em conjunto, à rutura das rotinas e dos hábitos ao longo de vários anos, onde são valorizados os sentimentos de lealdade, de companheirismo e de afeto sincero que receberam do seu animal”, refere a psicóloga.

Já segundo Ricardo Reis dos Santos, que em conjunto com Miguel Barbosa estuda o tema há vários anos, quando o que está em causa é a perda de um animal de companhia é frequente ouvir-se comentários como “Era só um cão”.

“Nunca como hoje se falou tanto de cães e gatos como membros da família. Há, no entanto, uma diferença entre ‘falar-se de’ e os animais serem ‘cuidados como’ um membro da família. Aliás, obriga-nos ainda a questionar o que se quer dizer com isso de ‘família’ e de ‘ser membro de’. Em bom rigor, os cãos e os gatos sempre fizeram parte da família, com múltiplas funções que não apenas de companhia. Ademais, mesmo dentro de uma família, sempre tiveram significados vários: para o pai significava uma coisa, para a mãe significava outra, para o filho outra ainda, e estes significados nem sempre estavam alinhados. Mesmo em agregados familiares não estereotipados como aqueles que estamos aqui a invocar, cada cão e cada gato tem um significado singular para uma determinada pessoa singular, não apenas porque todos os animais têm características morfológicas e comportamentais distintas, mas porque, ao longo do percurso de vida daquela pessoa em concreto, ela vai construindo significados relacionais diferentes consoante as suas circunstâncias pessoais, sociais e emocionais. Daí que, para algumas pessoas, haja aquele gato especial que guarda na memória, embora já tenha tido dez gatos, ou aquele cão em particular, embora já tenha tido quatro cães. Esta construção de significado é muito importante, pois é ele que vai determinar, em certa medida, a resposta perante a perda. E isto não é uma total novidade dos dias de hoje”, sublinha.

“Basta perscrutarmos os epitáfios do cemitério de animais domésticos do Jardim Zoológico, cuja criação remonta a 1934. Pelo que ali está gravado a cinzel, podemos inferir o significado que aqueles animais tiveram para os seus tutores. De alguma forma, são experiências relacionais irrepetíveis, são vestígios de perdas dolorosas”, nota o investigador.

Para Ricardo Reis dos Santos, o que talvez haja hoje “é menos pejo em declarar-se publicamente que um cão ou um gato é um membro da família, com estatuto e com direitos, sem que isso seja ridicularizado socialmente, ou melhor, que seja menos ridicularizado socialmente”.

No fundo, explica o biólogo, é como se a dor da perda, quando tornada pública, fosse “socialmente autorizada”. E acrescenta: “Veja-se, a título de exemplo, o que sucede quando alguém partilha, nas redes sociais, que perdeu o seu animal, sobretudo quando tal é feito por figuras públicas. As caixas de comentários rapidamente se enchem de emojis e mensagens expressando empatia, compreensão, compaixão e identificação.”

De acordo com o investigador, nenhum tutor está preparado para enfrentar o luto, mesmo que haja a consciência de que o ciclo de vida de um animal é relativamente curto. “Se for uma perda acidental, aí ninguém está preparado nem avisado. Se for uma perda resultante de uma doença crónica — um cancro daqueles terríveis, por exemplo —, em que o tutor estava já avisado sobre o possível desfecho, então nestes casos há oportunidade para um luto antecipatório. Seja como for, o luto é um processo caracterizado por uma resposta a uma perda significativa. E, embora nem sempre tenhamos consciência disso, — e seria possível viver tendo consciência disso? — a nossa vida é feita de perdas […]. Curiosamente, são justamente essas perdas que nos ajudam a crescer enquanto pessoas, que acabam por definir a nossa biografia”, conclui.

*Artigo publicado originalmente na edição n.º 144 da revista VETERINÁRIA ATUAL, de dezembro de 2020.

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