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Animais de Companhia

Microbioma: Uma chave terapêutica para o futuro

Além de ser parte do “bilhete de identidade” dos animais de companhia, o microbioma pode ser influenciado por fatores externos.

Além de fazer parte do “bilhete de identidade” dos animais de companhia, o microbioma pode ser influenciado por fatores externos e por doenças. Pode também ser modulado e é também a esse nível que a ciência tem evoluído através de investigações promissoras. Ainda que os tutores possam não conhecer o significado do microbioma, o papel dos médicos veterinários no aconselhamento nutricional faz a diferença na saúde gastrointestinal dos seus animais. E não só. É que todo o estado geral e bem-estar podem ser influenciados positivamente por uma alimentação cuidada.

O microbioma tem sido um dos grandes focos da ciência nos últimos anos. Cada vez mais ouvimos falar da sua relevância, não só na saúde animal, mas também na saúde humana. Mas será que os tutores já vão tendo noção do impacto do microbioma na saúde dos seus animais de companhia? E os próprios médicos veterinários abordam esta temática nas consultas? Rodolfo Oliveira Leal, especialista europeu em medicina interna e professor na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa (FMV-ULisboa) desenvolveu um trabalho com a colega Constança Pomba e a sua equipa e um antigo estagiário e, agora colega, Alexandre Gomes, que avalia o facto de o microbioma estar alterado em cães com hiperadrenocorticismo canino [doença endócrina frequente] quando comparado com o de cães saudáveis. E que impacto tem esta alteração na doença? Isso é que ainda não se sabe. “A ciência caminha no sentido de associar as descobertas das alterações do microbioma com outros parâmetros e metabolitos, daí referirmos também a metabolómica”, refere a médico veterinário.

O microbioma tem sido estudado em várias doenças endócrinas (diabetes, hiperadrenocorticismo), doenças digestivas (enterites crónicas, por exemplo), doenças neurológicas (como a disfunção cognitiva), entre outras. Outra área da investigação que tem sido muito importante destaca o papel dos antibióticos na alteração do microbioma, explica Rodolfo Oliveira Leal. “Mesmo após curtos períodos de antibioterapia, temos alterações durante várias semanas a meses no microbioma dos nossos animais de companhia.” O especialista europeu em medicina interna costuma afirmar que “temos mais bactérias no nosso trato digestivo do que células no corpo” e, fazendo o paralelismo com os animais, o microbioma tem um papel relevante e crescente. O mesmo é modificado por fatores externos e por doenças internas. No fundo, “faz parte também do bilhete de identidade dos nossos animais.”

Muitos estudos científicos suportam a tese de que determinadas espécies bacterianas presentes no trato digestivo têm potencial patogénico e outras são protetoras, impedindo a colonização pelas anteriores. É o que defende Vanessa Pais, médica veterinária da clínica Cascaisvet. “Num animal saudável, o microbioma desempenha assim um papel importante e complexo na homeostase corporal, intervindo em vias metabólicas importantes, na síntese de vitaminas essenciais e na hidrólise de hidratos de carbono complexos, no desenvolvimento e maturação da imunidade sistémica e de estados inflamatórios, na regulação da motilidade gastrointestinal e na proliferação celular e diferenciação da barreira epitelial intestinal.”

 

São inúmeras as funções do microbioma. É todo um mundo de hipóteses que se coloca frente a médicos, profissionais de medicina veterinária e tutores. A médica veterinária acrescenta que a dieta e o meio envolvente são dois fatores que alteram o microbioma e que o mesmo pode ser modificado tornando-o adaptativo. “Contudo, um desequilíbrio grave neste ecossistema reflete-se prejudicialmente na saúde do animal, quer ao nível do trato gastrointestinal, bem como em outros órgãos” adianta.

É também possível ficar a saber um pouco mais acerca do equilíbrio microbiológico do intestino através de uma avaliação do microbioma. “É um excelente indicador de disbiose e, indiretamente, se soubermos que bactérias se expressam mais (ou menos) também podemos mais facilmente averiguar o impacto das mesmas e dos metabolitos que produzem, não só na saúde digestiva, como também em vários processos fisiológicos do organismo”, refere Rodolfo Oliveira Leal. “Não viveríamos sem o nosso microbioma digestivo que é individual e único”, sublinha.

O papel no sistema imunitário

Também é notória a importância do microbioma no sistema imunitário. Mafalda Pires Gonçalves, médica veterinária responsável pela nutrição dos animais de companhia do Hospital Escolar Veterinário da FMV-ULisboa explica que se observou nos animais “que a quantidade de proteínas, hidratos de carbono e lípidos de um alimento, assim como a sua digestibilidade influenciam fortemente a composição do microbioma. Além disso, observou-se que cães com excesso de peso apresentavam uma predominância de bactérias diferentes na sua microbiota face a um animal com o peso ideal”. E é aqui que a alimentação tem um papel preponderante. Seguir as tendências humanas para alimentar os animais pode contribuir para problemas futuros. A também estudante de doutoramento em nutrição sob a coorientação de Rodolfo Oliveira Leal exemplifica a sobrealimentação como uma causa da obesidade ou a dieta vegan em gatos como um erro já que os mesmos são “carnívoros estritos”. “A expressão ‘somos o que comemos’ também se aplica a estas espécies”, defende.

Assim, um microbioma saudável não tem apenas – e exclusivamente – um impacto positivo no trato gastrointestinal, mas sim, em todo o organismo, sendo determinante no bem-estar geral do animal de companhia, assinala Rita Vicente, também médica veterinária na Cascaisvet. “Nutrir e apoiar o microbioma gastrointestinal abre caminho a novas oportunidades para a saúde digestiva e cumulativa. Face a isto, a investigação neste ramo tem sido reforçada”, assinala. Na rotina profissional, os casos que mais surgem nesta clínica são a síndrome do colón irritável, as gastroenterites secundárias a uma alteração do microbioma por administração prolongada de antibióticos, as alterações dermatológicas (como por exemplo, a dermatite atópica) e o aparecimento de doenças oportunistas por quebra na defesa do sistema imunitário.

“Nutrir e apoiar o microbioma gastrointestinal abre caminho a novas oportunidades para a saúde digestiva e cumulativa. Face a isto, a investigação neste ramo tem sido reforçada” – Rita Vicente, médica veterinária

Em casos de doença já instalada, a sugestão da equipa da Cascaisvet passa por iniciar uma dieta ao paciente, sendo dada primazia a uma alimentação natural crua ou cozinhada, dependendo da patologia em questão, em vez de rações secas e/ou húmidas. “No que diz respeito a fármacos, tentamos sempre, numa primeira abordagem, recorrer a fitoterapia e/ou suplementos alimentares em vez dos típicos antibióticos que a alopatia nos proporciona. Uma das terapêuticas que associamos sempre são os pré e probióticos, seja na alimentação (como por exemplo, kefir, iogurte natural, entre outros) seja sob a forma de nutracêuticos”, refere Vanessa Pais.

Esta é uma área em franca expansão, acrescenta Rodolfo Oliveira Leal. “Os principais pontos chave são o recurso a prebióticos (substratos passíveis de ser utilizados pelas bactérias na produção de metabolitos), probióticos (bactérias que se replicam no hospedeiro e induzam uma melhor estabilização do microbioma) e simbióticos (a junção de prebióticos com probióticos)”, explica.

Apesar de o tema do microbioma não ser muito abordado numa consulta veterinária de rotina, onde se fala sobretudo da importância de uma dieta saudável e facilmente digerível, que garanta todos os nutrientes adequados e que seja adaptada à espécie e à fase de vida do animal em questão ou a alguma doença que este possa apresentar, Mafalda Pires Gonçalves denota que “alguns tutores já se interrogam sobre os benefícios dos probióticos”.

 

“Alguns tutores já se interrogam sobre os benefícios dos probióticos” – Mafalda Pires Gonçalves, médica veterinária e estudante de doutoramento em nutrição

Combater a desinformação

É um dos males dos nossos tempos. Se, por um lado, temos mais informação à disposição e mais fontes à distância de um smartphone, que anda connosco por todo o lado, também é notório o aumento de fake news, de mitos e contradições associadas à nutrição. E se esta realidade é verificada na saúde humana, no que toca aos animais, a confusão pode gerar-se e não fica atrás. Daí que exista uma maior preocupação por parte dos CAMV em criar os seus próprios conteúdos, mais fidedignos e orientadores. E, se houve algo que a pandemia trouxe, foi a multiplicidade de webinars e lives que ajudam a esclarecer as dúvidas dos tutores.

Vanessa Pais e Rita Vicente defendem que as primeiras consultas também são bons momentos para mitigar as desinformações e mitos existentes. “Nem todos os tutores têm a ‘ousadia’ de nos perguntar se determinada informação é válida ou não, se esse mito tem ou não algum fundamento. Quando o tutor é mais contido nas suas perguntas, é importante que sejamos nós, médicos veterinários, a iniciar a conversa, introduzindo esse tema na consulta”, defende Rita Vicente. Apesar de muitos tutores preferirem adotar uma alimentação natural para o seu animal, desconhecem, no entanto, a complexidade e impacto desta área na saúde do seu animal de estimação.

Um dos erros que mais chega às consultas diz respeito à introdução deste tipo de alimentação por iniciativa dos tutores, mas sem qualquer acompanhamento médico-veterinário. Vanessa Pais dá um exemplo recorrente e explica que, em alguns destes casos, “a alimentação do animal resume-se a arroz com frango por períodos longos, onde não há qualquer tipo de suplementação, legumes e vísceras e sem sequer uma noção das quantidades de proteína, hidratos de carbono e fibras a serem proporcionadas”. Outra situação frequente é a transposição da dieta humana para o cão ou gato sem qualquer tipo de ajuste. “A questão da alimentação natural, seja ela cozinhada ou crua, é uma área bastante complexa e que deve ser sempre acompanhada por um médico veterinário especializado, além de que é uma área que, felizmente, está em constante desenvolvimento”, sublinha a médica veterinária.

 

Pode considerar-se a opção por uma alimentação que inclua alimentos não processados e com uma dieta que vá ao encontro daquilo que o animal necessita e que pode ser encontrado na natureza. “Infelizmente, nem sempre se consegue implementar este tipo de alimentação, por variadíssimas razões: é pouco prático no dia-a-dia do tutor, o prazo de validade é menor, há a necessidade de acompanhamento profissional caso seja preparada em casa, existe pouca oferta no mercado e também por ser ainda um tema controverso entre colegas. A ração, estando ela implementada há imenso tempo e não desprezando a sua vantagem de praticidade por parte dos tutores, vem assim a ser a opção mais utilizada”, refere Rita Vicente. Mas também neste caso é preciso ter em consideração as opções mais corretas. “Lamentavelmente, existem no mercado rações que estão desadequadas e são a base da alimentação da vida de um animal. Temos casos, principalmente relacionados com patologias de pele que nos chegam para procurar algo diferente porque já experimentaram de tudo e com um ajuste na alimentação são visíveis melhorias significativas.”

Temos casos, principalmente relacionados com patologias de pele, que nos chegam para procurar algo diferente porque já experimentaram de tudo e com um ajuste na alimentação são visíveis melhorias significativas.Vanessa Pais, médica veterinária

Os hábitos alimentares dos tutores acabam por ser refletidos no tipo de alimentação que providenciam aos seus animais de companhia. “Estando os animais de companhia cada vez mais presentes na vida dos tutores, e havendo uma certa humanização, a importância da alimentação tem sido crescente em âmbito de consulta, o que é excelente porque temos tutores dispostos a proporcionar cuidados de maior qualidade a este nível, melhorando a saúde do seu animal”, foca Mafalda Pires Gonçalves. E, na sua opinião, a internet veio aproximar os médicos veterinários dos tutores porque permite-lhes comunicar por uma via que anteriormente só era possível no ato da consulta. “E isso é estupendo”, sublinha.

Conteúdos gratuitos nas redes sociais

As redes sociais têm sido uma boa ferramenta de comunicação, principalmente nesta fase pandémica que vivemos. Já ninguém o discute. Por outro lado, permitem aos próprios CAMV e profissionais de medicina veterinária chegar aos tutores das mais variadas formas. “Na Cascaisvet, sempre que possível, promovemos lives, stories e publicações com informações pertinentes para os nossos tutores. Contudo, estamos cientes de que há muito conteúdo na internet falso e/ou inadequado e que nem sempre os tutores sabem fazer essa distinção. Por isso, sendo essa informação partilhada por CAMV ou por profissionais entendidos na área, dá mais segurança e credibilidade aos nossos tutores, permitindo assim, de uma forma lúdica, instruir, informar e sensibilizar devidamente os mesmos”, destaca Rita Vicente. A internet surge assim como um bom complemento às consultas presenciais, mas não as substitui pois é através delas que cada caso é individualizado com um acompanhamento personalizado.

“A maior parte dos CAMV já têm uma página no Facebook e/ou Instagram. Os colegas com uma página profissional que comunicam de forma independente têm um papel, também, muito importante em função da sua área de atuação”, defende Mafalda Pires Gonçalves, destacando, no entanto, a preocupação de que é importante manter a isenção, ou seja, que o conteúdo que os colegas partilham “não seja ditado pela indústria alimentar ou farmacêutica”.

O papel da inovação

“Atualmente, a indústria farmacêutica está a evoluir exponencialmente e surgem novos probióticos com regularidade. Logo, a estratégia futura passa justamente por otimizar e suportar o seu uso com uma maior evidência. Se conseguirmos modular o nosso microbioma desta forma, então o tratamento de várias doenças será, sem dúvida, otimizado”, defende Rodolfo Oliveira Leal.

Têm sido lançadas novidades nesta área nos últimos anos. A VETERINÁRIA ATUAL contactou algumas das empresas e companhias que têm produtos lançados recentemente e que contribuem para um microbioma saudável. É o caso da Ecuphar Animalcare Group que lançou, em novembro 2020, “o primeiro e único suplemento do microbioma intestinal especialmente desenvolvido para cães, o Procanicare®”, salienta Raquel Mira, product manager. Composto por três estirpes de lactobacillus de origem canina, obtidos de animais saudáveis que vão reduzir as bactérias “más” e reforçar as bactérias “boas”, o produto “vai potenciar a imunidade local e o bem-estar geral dos cães.

Procanicare™ está indicado em situações de antibioterapia, cães com barrigas sensíveis, cães seniores, cadelas grávidas ou em lactação, uma vez que potencia a imunidade dos cachorros. Está também indicado em situações de disbiose em que os animais são sujeitos a alterações na dieta e também situações de stress, viagens ou estadias em canis” salienta a responsável. O produto é fornecido com uma colher doseadora para facilitar a administração, a recomendação da empresa é que a mesma ocorra “quatro vezes ao ano para que o animal possa beneficiar e potenciar do poder do microbioma”.

Incorporado na renovação da gama veterinária Reset Vet Portfolio®, a Royal Canin Ibéria lançou, no início de 2020, o “Território Gastrointestinal Tract®” e conta com “uma oferta completa de soluções nutricionais, não só para problemas gastrointestinais, mas também hepatopatias e para animais em convalescença”, explica Joana Pereira, médica veterinária do Departamento de Comunicação Científica da companhia.

Dentro das dietas gastrointestinais, a Royal Canin inclui soluções específicas para várias patologias e a grande novidade deste território foi “o lançamento de uma gama única no mercado, especialmente formulada para animais em crescimento: as dietas Gastrointestinal Puppy® e Gastrointestinal Kitten®. Disponíveis em formato seco (que pode ser reidratado para formar uma papa) e em formato húmido (mousse suave), podem ser dados desde a altura do desmame (3-4 semanas de idade; ou seja, em uma das alturas mais críticas e em que os animais podem sofrer de diarreias e problemas digestivos com mais frequência), até à idade adulta, de forma contínua e sempre que necessário”, sublinha a responsável.

A Royal Canin teve assim a preocupação de colmatar “uma clara carência no mercado pois é bastante frequente os médicos veterinários depararem-se com problemas gastrointestinais difíceis de debelar em gatinhos e cachorros e que, muitas vezes, infelizmente, se tornam crónicos”. Os alimentos da companhia são formulados com a incorporação de nutracêuticos, como alguns prebióticos, nas dietas gastrointestinais, o que facilita a compliance do tutor, segundo Joana Pereira, pois “o animal faz a ingestão voluntária do alimento, que além de ser completo já contém tudo o que é necessário para um microbioma saudável, o que, por sua vez, vai aumentar a taxa de sucesso terapêutico e clínico de cada caso e o grau de satisfação dos clientes”.

Portfólios renovados

A Campifarma apresenta no seu portfólio, “o Ulyte® [disponível em pasta oral e em comprimidos], um importante suplemento nutricional para processos diarreicos, formulado para reduzir o tempo de recuperação das diarreias, restaurar o equilíbrio nutricional e promover a recuperação da estrutura intestinal. A sua composição tem como principais prioridades: regular o microbioma intestinal veiculando prébióticos (Enterococcus faecium NCIMB 10415) e probióticos (FOS) criando um meio adequado para a proliferação de bactérias ácido-lácticas benéficas; aumentar a consistência das fezes através de componentes com elevada capacidade de adsorção; e, de forma distinta, manter e recuperar a estrutura intestinal através da glutamina (principal substrato dos enterócitos promovendo a reparação da parede intestinal interna) e carvão ativado (biocaptador de toxinas e gás)”, salienta o product manager João Sousa.

A investigação desenvolvida na área da nutrição em animais de companhia tem sido um dos focos da Nestlé Purina nos últimos anos, nomeadamente, no que respeita à microbiota intestinal, da qual resultaram várias “fórmulas de manutenção, dietas de prescrição e um probiótico (Fortiflora®) atualmente disponíveis”, explica Carolina Bartolomeu, vet channel manager.

Dentro das soluções nutricionais para suporte de animais saudáveis, a Nestlé Purina lançou recentemente “o Pro Plan® Expert Care Nutrition (para cão e para gato), uma gama de dietas de manutenção dedicada a clínicas veterinárias e que possui na composição de todas as fórmulas colostro bovino, comprovado cientificamente como importante no reforço do sistema imunitário e da resposta vacinal, bem como no aumento da diversidade e da estabilidade da microbiota intestinal.” A gama oferece ainda as fórmulas Optidigest® com elevada digestibilidade, argila e prebióticos, cientificamente comprovados como aumentam o número de bifidobactérias para um melhor equilíbrio da microbiota intestinal, tendo lançado recentemente, a opção de fórmulas sem cereais, para além das anteriormente disponíveis, sem trigo.

 

A companhia apresenta ainda outros produtos, não tão recentes, dentro da gama Pro Plan Veterinary Diet®, “tendo ainda disponível a fórmula PPVD Canine e Feline EN Gastrointestinal, de elevada digestibilidade, nível baixo a moderado de gordura e com triglicéridos de cadeia média (uma gordura mais facilmente digerida e absorvida em situações de comprometimento intestinal), e prebióticos para equilíbrio da microbiota intestinal, especialmente quando combinado com Fortiflora®”, salienta a responsável.

Nos últimos anos, a Hill’s também se tem dedicado ao estudo do microbioma, caracterizando as populações bacterianas do trato gastrointestinal de gatos e cães. “Em especial, a Hill’s realizou análises para compreender as funções dessas bactérias no trato gastrointestinal. Tradicionalmente, os alimentos com fibras atuam essencialmente no sentido de afetar o equilíbrio da água para ajudar a controlar sinais clínicos. Uma nova ciência e investigação inovadora realçaram o papel fundamental que o microbioma do trato gastrointestinal de um cão ou gato pode ter, não apenas na resposta a problemas deste foro, mas também para determinar o seu bem-estar geral”, foca Maria Margarida Tomé, marketing & professional affairs manager.

No início de 2019, a empresa lançou o que considera “uma nova e inovadora solução nutricional chamada ‘Gastrointestinal Biome®’ que contém a nova Tecnologia ActivBiome+  que resulta da combinação exclusiva de fibras ativas com ação sinérgica para nutrir o microbioma do trato gastrointestinal do animal de companhia”. Neste mês de fevereiro, estará disponível uma nova textura na referência Hill’s Prescription Diet Canine GI Biome 363g®, em guisado, que se junta às referências seco para cão e gato e guisado para gato.

Reconhecendo a importância das soluções nutricionais da marca Hill’s Pet Nutrition, Magarida Tomé afirma que a empresa conta apresentar novidades em breve.

Investigações auspiciosas

Vanessa Pais, médica veterinária da clínica Cascaisvet refere o transplante de microbioma fecal (TMF) como uma investigação interessante e que tem como objetivo “transferir microbioma de um dador saudável para um recetor doente com a finalidade de restaurar e equilibrar uma microbioma disbiótico.  Segundo os estudos, o TMF tem-se revelado promissor no tratamento de diarreias crónicas, disbioses provocadas pelo uso de antibióticos, doença inflamatória do intestino e em situações onde sejam esgotadas outras vias de tratamento”.

Rodolfo Oliveira Leal destaca a disponibilização recente dos chamados “Dysbiosis Index – Índice de Disbiose” por parte de alguns laboratórios e que, até então, eram sobretudo utilizados na investigação, mas que, aos poucos, começam a ser introduzidos na prática clínica. “Através da avaliação do índice de disbiose, podemos avaliar possíveis alterações do microbioma com maior objetividade e corrigi-las de forma cada vez mais precoce.” Este índice permitirá, a curto prazo, averiguar a necessidade de TMF em animais de companhia.

“Através da avaliação do índice de disbiose, podemos avaliar possíveis alterações do microbioma com maior objetividade e corrigi-las de forma cada vez mais precoce” – Rodolfo Oliveira Leal, especialista europeu em medicina interna

O especialista europeu em medicina interna acredita que o microbioma pode vir a ser uma “chave terapêutica para o futuro e, modulando-o, conseguiremos otimizar a gestão de muitas doenças, como acontece já na medicina humana. Conhecê-lo e ‘mapeá-lo’ é um passo gigante na saúde humana e animal”.

*Artigo publicado originalmente na edição 146,  de fevereiro de 2021, da VETERINÁRIA ATUAL.

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