Investigação

Investigadores nacionais identificam primeiro herpesvírus em lebres

Um grupo multidisciplinar de investigadores portugueses identificou, pela primeira vez, um herpesvírus (LeHV-5) em lebres-ibéricas, a única espécie existente em Portugal e cujo território se limita à Península Ibérica. Até à data, garantem os investigadores, nunca havia sido descrito nenhum herpesvírus em qualquer espécie de lebre do mundo.

A equipa de cientistas do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa (FMV-UL), do Instituto de Medicina Molecular (IMM) e do Royal Brompton & Harefield NHS Foundation Trust, no Reino Unido, detetou e identificou o vírus, associado a patologias cutâneas e reprodutivas em lebres-ibéricas (Lepus granatensis), uma das duas espécies de leporídeos em Portugal, juntamente com o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus). As conclusões da sua pesquisa foram publicadas num artigo científico, na revista Plos One, no final da semana passada.

A descoberta é particularmente relevante porque a lebre-ibérica é, explicam os investigadores numa nota enviada à VETERINÁRIA ATUAL, uma presa chave nos ecossistemas mediterrânicos, “cuja diminuição populacional foi já associada à diminuição do lince-ibérico e da águia-imperial”.

Alguns dos membros da equipa de investigação fazem também parte do projeto +Coelho e relataram pela primeira vez, no final de 2018, a emergência da mixomatose, uma doença infetocontagiosa, em lebres-ibéricas em Portugal. Provocada por um vírus da família Poxviridae (Myxoma virus), a mixomatose teve uma mortalidade “muito expressiva nas populações silvestres, originado reduções estimadas entre 70 e 90%”, o que levou a que, no ano passado, a maioria das associações de caçadores decidisse interditar a caça a esta espécie para fomentar a sua recuperação.