Investigação

Investigadores desenvolvem técnica de inseminação artificial de Burro Mirandês

Investigadores desenvolvem técnica de inseminação artificial de Burro Mirandês

A Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA) está a desenvolver, com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), uma técnica de inseminação artificial para padronizar o Burro Mirandês.

Temos procurado junto das instituições científicas, como as universidades, padronizar e criar um manual científico que nos permita dar resposta aos criadores dos Burros de Miranda, espalhados por todo o País, quando necessitam iniciar o processo reprodução do seu efetivo, mas não possuem um animal reprodutor da raça”, explicou à Lusa o secretário técnico da AEPGA, Miguel Nóvoa, citado pelo site Notícias ao Minuto.

Nos últimos anos, na Universidade do Porto (UP) e, posteriormente, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), têm sido realizados estudos com o objetivo de conseguir a padronização de sémen congelado para a inseminação das fêmeas desta raça autóctone. Em 2018, já tinham sido realizados estudos preliminares pela equipa do Centro de Reprodução Animal de Vairão (CRAV), com o apoio da Direção-Geral da Agricultura e Veterinária (DGAV), que permitiram identificar o potencial de alguns machos reprodutores para a produção de sémen refrigerado com uma durabilidade superior a 36 horas.

Este novo estudo científico juntou investigadores da AEPGA, da UTAD e do CRAV, e conta com o apoio da DGAV.

“Durante o estudo científico foi feita a aplicação de inseminação artificial em 12 Burras de Miranda com sémen refrigerado proveniente de seis garanhões do Burro de Miranda”, explicaram os técnicos envolvidos.

O estudo decorreu entre junho e julho de 2019, nas instalações do Hospital de Veterinária da UTAD, em Vila Real. Os médicos veterinários Ana Celeste Martins-Bessa e Miguel Quaresma foram os responsáveis pelo mesmo, tendo ainda participado dez estudantes do Mestrado Integrado em Medicina Veterinária da UTAD.

Como resultado, foram obtidas oito gestações, o que corresponde a uma “taxa de sucesso de 66% à primeira tentativa”, resultados considerados “muito encorajadores” para a aplicação desta técnica, segundo Miguel Quaresma, do Hospital Veterinário da UTAD.

A refrigeração de sémen de asininos para a posterior aplicação em Burras de Miranda, possibilitará que “fêmeas em zonas remotas, longe de burros machos em atividade reprodutiva, possam ser inseminadas e ficar prenhas, ajudando, assim, a preservar a raça do Burro de Miranda”, destacam os investigadores.

O Burro de Miranda está em risco de extinção, uma vez que existem apenas cerca de 700 fêmeas, um número inferior ao recomendado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para a preservação de uma raça.