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Investigação descobre origem genética dos padrões de cor em cães

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Uma variante genética originada há mais de dois milhões de anos num animal agora extinto parente do lobo moderno é a responsável pelos padrões de cor muito leves na pelagem dos cães e lobos. A equipa internacional de investigadores incluindo cientistas do Instituto de Genética da Universidade de Berna, na Suíça, descobriu ainda a existência de mais uma combinação de cor, revela a instituição em comunicado.

A universidade recorda que os lobos e os cães produzem dois tipos diferentes de pigmentos: o preto, chamado eumelanina, e o amarelo, de nome eumelanina; sendo a mistura destes pigmentos que resulta nos padrões de cores.

Antes do estudo, quatro padrões diferentes tinham sido reconhecidos em cães e várias variantes genéticas tinham sido teorizadas como causa dos padrões. No entanto, a investigação encontrou mais uma.

Durante a formação da cor da pelagem, a presença da chamada proteína de sinalização agouti é o que produz a feomelanina amarela. “Percebemos desde cedo que as variantes genéticas causais têm de ser variantes regulamentares que modulam a taxa de produção de proteínas e conduzem a quantidades mais ou menos de proteína de sinal agouti”, explica o investigador da Universidade de Berna, Tosso Leeb.

O gene para a proteína de sinalização agouti tem vários locais de iniciação para a leitura da informação genética, que são chamados promotores. Os cães possuem um promotor ventral, responsável pela produção da proteína na barriga, e um promotor específico do ciclo capilar.

A investigação descobriu a existência de duas variantes do promotor ventral. Uma das variantes transmite a produção de quantidades normais. A outra causa a produção de uma quantidade maior que o normal. Os investigadores também identificaram três variantes diferentes do promotor específico do ciclo capilar.

Tosso Leb considera que, face a estes resultados, “os manuais escolares têm de ser reescritos porque há cinco em vez dos quatro padrões anteriormente aceites nos cães”.

Outras descobertas

O estudo investigou ainda se as variantes genéticas identificadas também existem em lobos. Estas análises demonstraram que já estavam presentes em lobos antes da domesticação de cães modernos.

Os investigadores demonstraram também que a variante hiperativa do promotor específico do ciclo capilar em cães e lobos de cor clara partilha mais semelhanças com espécies muito distantes, como o chacal-dourado ou o coiote do que com o lobo cinzento europeu.

“A única explicação plausível para esta descoberta inesperada é uma origem antiga desta variante, há mais de dois milhões de anos, num parente já extinto de lobos”, diz o cientista Tosso Leb.

O estudo foi publicado na revista científica Nature Ecology and Evolution e está disponível em: https://www.nature.com/articles/s41559-021-01524-x.

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