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Instituto da Polónia classifica gatos como “espécie alienígena invasiva”

A Academia de Ciências da Polónia classificou os gatos [1] domésticos como uma “espécie alienígena invasiva”, devido aos danos causados a pássaros e outros animais selvagens. A decisão foi recebida negativamente pelo público, informa a Associated Press [2].

A classificação foi inserida na base de dados polaca do Instituto de Conservação da Natureza da academia. O biólogo responsável pela classificação Wojciech Solarz nota que a lista já possui outras 1 786 espécies, sem que tenha levantado objeções.

 

O responsável considera que o tumulto pode ter resultado de alguns relatos mediáticos que criaram a falsa impressão de que o seu instituto estava a pedir que os gatos fossem eutanasiados.

Wojciech Solarz cita o crescente consenso científico de que os gatos domésticos têm um impacto prejudicial na biodiversidade dado ao número de aves e mamíferos que caçam e matam. O critério utilizado para a colocação de animais na lista foi “100% cumprido pelo gato”, declara.

 

Num segmento televisivo transmitido pela emissora independente TVN, o biólogo esteve frente-a-frente com o médico veterinário Dorota Suminska, que desafiou a conclusão. O autor do livro “The Happy Cat” apontou a poluição e as fachadas de edifícios como outras causas da perda de biodiversidade.

Dorota Suminska questionou ainda “se o homem está na lista de espécies alienígenas não-invasivas”, argumentando que tinha sido atribuído aos gatos demasiada culpa, injustamente. Wojciech Solarz respondeu, afirmando que os gatos matam cerca de 140 milhões de pássaros na Polónia todos os anos.

 

No início deste mês, o instituto da Academia de Ciências da Polónia sublinhou, em resposta à controvérsia, que se “opõe a qualquer crueldade contra os animais” e declarou que a classificação estava em conformidade com as orientações da União Europeia.

O instituto nota que o “felis catus” foi domesticado provavelmente há cerca de dez mil anos no Médio Oriente, tornando a espécie alienígena para a Europa de um ponto de vista estritamente científico.

 

O instituto sublinhou ainda que tudo o que recomendava era que os tutores de gatos limitassem o tempo que os seus animais de companhia passam ao ar livre durante a época de reprodução de aves.