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Gestão de stocks: a saga

Dilen Ratanji [1]

Dilen Ratanji – Diretor-geral Vetbizz Consulting

A gestão de stocks [2]é uma tremenda “dor de cabeça” nos centros veterinários… e, salvo raríssima exceção, nunca batem certo! Os três fatores críticos que contribuem para uma (d)eficiente gestão de stocks são: gestão de recursos humanos, organização interna e eficiência na comunicação. Para que seja mais fácil explanar esta matéria relacionada com stocks, apresentarei de seguida um conjunto de questões e respostas.

Porque fazemos stock?

Os produtos são uma realidade nos centros veterinários, seja para consumo interno, para prestação de serviços ou simplesmente para venda aos clientes.

 

Quais as vantagens de uma boa gestão de stocks?

E quais as desvantagens de uma má gestão de stocks?

Que dificuldades encontramos na medicina veterinária?
Que variáveis devemos considerar para uma boa gestão de stocks?
Que procedimentos posso adotar para uma boa gestão de stocks?
  1. Utilização de software de gestão: é impensável, hoje, os CAMV não terem um software veterinário que inclua o módulo de gestão de stocks;
  2. Utilização dos produtos compostos (conjunto de vários artigos simples): poupa tempo ao colaborador no momento da cobrança, minimiza os erros de cobrança, dá baixa automática dos produtos no stock e permite a contabilização dos consumíveis usados;
  3. Gestão do consumo interno: permite controlar o nível mensal de consumo interno e medir o número de consumíveis efetivamente consumidos;
  4. Fator de conversão: quando a unidade de compra não é idêntica à unidade de venda, então temos obrigatoriamente que utilizar o fator de conversão para uma correta valorização do inventário. Caso contrário, teremos desvios significativos na quantidade e valorização dos stocks;
  5. Stock médio, mínimo e máximo: o seu software veterinário poderá alertá-lo para quando deve encomendar um determinado produto e, eventualmente, quais as quantidades recomendadas;
  6. Pessoa responsável: deve eleger apenas uma pessoa (ou equipa) responsável pela gestão de stocks, devendo todas os pedidos e diligências passar sob o seu escrutínio;
  7. Fazer um inventário e atualizar no software veterinário o stock de cada produto, sendo que trimestralmente fará sentido verificar as validades;
  8. Utilizar a metodologia FIFO;
  9. Contagem semanal dos produtos de maior rotação e mensal para os de menor rotação;
  10. Registar sempre os produtos consumidos internamente.
 

Em suma, “organização” e “método” são as palavras-chave para ter uma correta e eficaz gestão de stocks no seu CAMV. Pelas boas práticas de gestão veterinária, que a VetBizz [3] tem vindo a assistir nos CAMV na última década, o seu inventário deverá rondar os 5 a 7% do volume de negócios, sendo que é razoável que seja superior no caso de ter mais do que um CAMV no grupo, pois é necessário considerar um stock “extra” em cada unidade de negócio.

*Artigo de opinião publicado originalmente na edição n.º 157  da revista VETERINÁRIA ATUAL [4], de fevereiro de 2022.