Investigação

Faculdade veterinária dos EUA recorre a sistema de descontaminação que permite reutilização de máscaras N95

mascara n95

Perante a regular utilização de equipamento de proteção pessoal (EPI) no tratamento de doentes e a possível escassez de máscaras, a Faculdade de Medicina Veterinária da Virginia-Maryland, nos Estados Unidos da América, implementou um sistema de descontaminação de máscaras.

De acordo com notícia da publicação sobre animais de produção VetBovineOnline, o sistema gaseifica as máscaras N95 durante 2,5 horas, recorrendo ao vapor de peróxido de hidrogénio concentrado, por forma a destruir bactérias, vírus e outros contaminantes.

“Estamos a dar às pessoas na linha da frente desta pandemia um pouco de paz de espírito de que têm, de facto, os equipamentos que necessitam para se protegerem enquanto salvam vidas”, disse Margie Lee, microbiologista médica e chefe do Departamento de Ciências Biomédicas e Patobiologia da faculdade veterinária.

Juntamente com Lee, os membros da equipa incluem Karen Hall, gestora de recursos animais, que liderou o projeto de implementação; Pete Jobst, diretor de instalações da faculdade; e Jennifer Zambriski, professora assistente de epidemiologia no Departamento de Ciências da Saúde da População e chefe da equipa de controlo de infeções do Hospital de Ensino Veterinário.

O sistema de descontaminação está alojado no campus da Virginia Tech, no Center for One Health Research, uma instalação operada pela faculdade de veterinária em parceria com o Edward Via College of Osteopathic Medicine.

O sistema de descontaminação consegue esterilizar até duas mil máscaras N95 a cada ciclo de 12 horas, o que inclui a etapa de tratamento e desgaseificação. Apesar de cada máscara poder ser limpa até 20 vezes sem degradar o seu desempenho, a sua faixa elástica pode resistir a apenas a três ciclos de desinfeção. Como tal, as máscaras não devem ser desinfetadas mais de três vezes, a fim de preservar a sua capacidade de adaptação ao rosto de quem a utiliza.

Depois de ser tratada com peróxido de hidrogénio vaporizado, os indicadores biológicos que são esterilizados juntamente com as máscaras são enviados para o Virginia Tech Animal Laboratory Services (ViTALS) para testagem.

O teste procura o crescimento bacteriano nas máscaras: caso o crescimento ocorra, é sinal de que o processo de esterilização correu mal. Se nenhum organismo crescer, as máscaras são consideradas seguras para utilização pelos prestadores de cuidados de saúde.

Este sistema também vai ajudar o Hospital de Ensino Veterinário, uma vez que, anteriormente, os EPI no hospital eram eliminados após uma única utilização. Agora, clínicos e técnicos podem reutilizar as máscaras respiratórias N95.