Investigação

Estudo identifica nova via de infeção de bactérias Streptococcus equi

Estudo identifica nova via de infeção de bactérias Streptococcus equi

Uma equipa de cientistas da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Cardenal Herrera (CEU UCH), em Valência, identificou que a bactéria Streptococcus equi, subespécie zooepidemicus, se propaga dos cavalos aos seres humanos também através da via linfática.

Juan Manuel Corpa Arenas, professor de histologia e anatomia patológica na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade CEU, é um dos autores do estudo, que foi realizado em conjunto com investigadores da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Davis, na Califórnia.

O trabalho desenvolvido concluiu que a propagação da bactéria pode ocorrer não só através dos vasos sanguíneos, facto que já era conhecido, mas também através dos vasos linfáticos, podendo invadir assim o sistema digestivo de alguns animais infetados.

Os resultados do estudo foram publicados na revista científica internacional Journal of Veterinary Diagnostic Investigation.

Corpa Arenas colaborou com investigadores do Sistema de Saúde Animal e Segurança Alimentar da Califórnia (CAHFS) no estudo, que analisou casos de alpacas que sofrem de uma infeção natural pela bactéria Streptococcus equi, provocando a “febre alpaca” nestes camelídeos sul-americanos.

As alpacas com esta infeção também podem infetar as pessoas com as quais têm contacto. Segundo o estudo, as lesões associadas à “febre alpaca” localizam-se basicamente nas superfícies serosas destes animais, na pleura e peritoneu.

De acordo com Juan Manuel Corpa, citado pela Animal’s Health, “esta subespécie da bactéria Streptococcus equi é normalmente encontrada no sistema respiratório de cavalos saudáveis e com pneumonia e também tem sido associada a múltiplas síndromes em diferentes espécies animais, tais como cães, camelídeos, ruminantes, suínos e primatas. As infeções por esta bactéria foram também descritas em pessoas que tiveram um contacto próximo com cavalos, pelo que é considerada uma zoonose na natureza, ou seja, é transmitida pelos animais aos seres humanos”.

“Quando os seres humanos estão infetados com esta bactéria, principalmente devido ao contacto com cavalos, podem em alguns casos desenvolver patologias graves, como meningite, endocardite, aneurismas da aorta, trombose, espondilodiscite, entre outros. Nos casos mais graves, as infeções podem causar a morte. Por conseguinte, esta doença é considerada uma zoonose emergente, que pode afetar as pessoas que estão em estreito contacto com estes animais”, conclui.