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Investigação

Detetado primeiro caso de leishmaniose em lontras

Veterinários espanhóis da Universidade de Múrcia detetaram anticorpos para a Leishmania numa lontra euro-asiática.

Veterinários espanhóis da Universidade de Múrcia detetaram anticorpos para a Leishmania numa lontra euro-asiática. De acordo com a notícia avançada pela Animal’s Health, a lontra apresentava também sinais clínicos compatíveis com leishmaniose.

A lontra eurasiática é um macho quatro anos de idade, que se encontra alojado no parque natural Terra Natura, na capital de Múrcia.

Este é o primeiro relatório conhecido pelos médicos veterinários que descreve um caso de leishmaniose clínica numa lontra euro-asiática, embora os autores apontem que esta espécie já tinha sido identificada como suscetível à infeção por Leishmania. Além disso, num outro estudo, o ADN deste parasita foi detetado em 7 em cada 10 lontras selvagens saudáveis no noroeste de Espanha.

Depois de serem realizados os testes serológicos e moleculares, a infeção de Leishmania foi confirmada. O caso é semelhante a um relatório anterior que descrevia o primeiro caso de infeção por L. infantum num furão doméstico em Valência.

Os investigadores observaram que os níveis de anticorpos eram consistentes com os normalmente produzidos em cães infetados com Leishmania e, na altura do diagnóstico, o animal apresentava alguns sintomas, tais como epistaxe bilateral, anorexia e apatia, sintomas compatíveis com a leishmaniose.

As principais alterações detetadas no perfil analítico das lontras euro-asiáticas positivas para Leishmania coincidiram com as relatadas na leishmaniose: hiperproteinemia, hiperglobulinemia, diminuição da PON-1, aumento da haptoglobina e ferritina e proteinúria.

Depois do tratamento, o estado geral de saúde do animal melhorou, uma vez que não mostrou qualquer epistaxe, e a concentração de ferritina diminuiu.

Os autores salientaram que a infeção natural por L. infantum em espécies selvagens no sudeste de Espanha já tinha sido descrita em lobos e ursos-pardos em cativeiro e em espécies selvagens como raposas, coelhos e roedores. Os investigadores salientam ainda que foi identificado, em abundância, o vetor flebótomo no parque de vida selvagem Terra Natura.

Perante estas descobertas, os investigadores poderiam colocar a hipótese de as lontras euro-asiáticas poderem atuar como um reservatório secundário de infeção por L. infantum na bacia do Mediterrâneo.

Neste sentido, acrescentam que a infeção em carnívoros selvagens sugere a ocorrência de um ciclo selvagem deste patógeno, o que é bastante relevante para a saúde humana e dos animais de companhia.

A Leishmaniose não se trata apenas de uma doença animal, mas uma zoonose, afetando também os seres humanos.

Rogelio López-Vélez, coordenador da Unidade Nacional de Referência para as Doenças Tropicais, do Serviço de Doenças Infeciosas do Hospital Universitário Ramón y Cajal, em Madrid, salientou que a doença “interliga o mundo veterinário com o mundo humano”.

Os autores da Universidade de Múrcia salientam que, considerando este caso de leishmaniose numa lontra, deve ser tido em conta a partir de agora, nas áreas endémicas de Leishmania, que as lontras euro-asiáticas são suscetíveis à infeção por L. infantum, bem como ao desenvolvimento de quadros clínicos.