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Coronavírus entérico canino é possível causa de surto de vómitos em cães

Após 12 meses de investigação epidemiológica, os investigadores da Small Animal Veterinary Surveillance Network (SAVSNET) identificaram uma variante do coronavírus entérico canino [1]  (CCoV ou CECoV) como provável causa de um surto britânico de vómito prolífico em cães, avança o portal Vet Times [2].

Cães com vómitos prolíficos foram significativamente mais propensos a testar positivo para CeCoV [3], enquanto testes genéticos em amostras mostraram que as sequências de CeCoV de 14 dos 16 cães testados eram idênticas, sugerindo uma única estirpe ou variante geograficamente distribuída por toda a Inglaterra.

 

“A análise dos dados de controlo de casos revelou que os cães machos, tanto castrados como não castrados, tinham uma probabilidade significativamente maior de serem um caso, em comparação com as fêmeas castradas”, afirmou a leitora de epidemiologia veterinária em Liverpool, Gina Pinchbeck.

O professor de informática em saúde veterinária em Liverpool e membro da equipa do SAVSNET, Alan Radford, revelou que “já conhecemos o coronavírus entérico canino [1] há algum tempo. No entanto, é geralmente associado a uma doença leve. É esporadicamente associado a casos severos e geralmente em animais mais jovens e associados a outros agentes patogénicos entéricos”.

 

“Nós suspeitámos de uma transmissão entre cães ou de uma fonte ambiental comum, já que os cães que viviam com outro cão que também tinha vomitado tinham uma probabilidade significativamente maior de se tornarem em casos”, afirmou Gina Pinchbeck.

“Embora este tipo de ciência não possa provar que esta variante causou o surto, sugere uma associação entre os dois”, explicou Alan Radford.

Investigação
 

A investigação iniciou-se em janeiro de 2020 com um pedido da Small Animal Veterinary Surveillance Network (SAVSNET) da Universidade de Liverpool para ajudar na recolha de dados de um possível surto (cinco ou mais episódios num período curto de 12 horas).

O vómito era mais frequente do que é o típico para a gastroenterite canina e os casos dos pacientes afetados eram tão semelhantes – diarreia e letargia prolongada também estavam a ser relatadas – que os médicos veterinários começaram a suspeitar de uma causa infeciosa.

 

Em apenas um mês, os investigadores da SAVSNET receberam 1 258 questionários de casos de médicos veterinários e tutores, enquanto 95 amostras clínicas de 71 animais também foram recolhidas.