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CAMV que mantenham ligação com os clientes durante a pandemia serão lembrados no pós-covid-19

Com os CAMV a funcionar a ‘meio gás’ para garantir a segurança de todos os clientes, esta não é altura de silenciar iniciativas de marketing e comunicação. Manter a comunicação para fidelizar e conquistar novos clientes é mais importante do que nunca.

As marcas e empresas que não souberem atuar adequadamente durante esta pandemia poderão ser penalizadas pelos consumidores. A tendência é apontada por vários estudos publicados nas últimas semanas e vem lembrar que esta não é altura para que os CAMV abrandem nos seus esforços de marketing e comunicação.

Esta é também a posição de André Casado, CEO da IAMIN, consultora que nasceu para ajudar as empresas a desenhar as suas estratégias de marketing e comunicação no digital e que conta com uma longa experiência na área da saúde.

De acordo com André Casado, apesar de o investimento na comunicação e no marketing ser sempre importante, nesta altura é crucial. “As clínicas devem investir. Devemos sempre entender que a veterinária é um segmento privado e tem bastante concorrência. Ora aqui entramos no dilema do prisioneiro: quem comunica e se posiciona tem sempre vantagem num mundo onde, cada vez mais, temos a informação nas mãos”, defende.

O consultor explica que, apesar de muitos CAMV estarem a trabalhar com equipas reduzidas ou apenas a tempo parcial, é essencial “manterem-se disponíveis através de diferentes canais sociais e privados”.

“Através de redes sociais como o Facebook e o Instagram, que têm bastante penetração no nosso mercado nacional, e canais em que é possível estabelecer um diálogo privado. Falo do Whatsapp, Messenger ou o próprio e-mail. Sabemos que, mais do que nunca, durante a quarentena, as pessoas estão agarradas a estes meios”, afirma.

“Quem comunica e se posiciona tem sempre vantagem num mundo onde, cada vez mais, temos a informação nas mãos”

As redes sociais, em particular, podem ser uma ferramenta útil para que as clínicas veterinárias se mantenham presentes na vida dos seus clientes e pacientes. Segundo André Casado, “os barómetros atuais [ver gráfico abaixo] têm mostrado que é importante que as marcas mantenham o contacto com os seus clientes, mesmo que estes não estejam numa fase de consumo. O que vários colegas consultores, no plano global, têm partilhado é que mais do que nunca, é importante o reforço desta ligação. Além disso, as marcas devem procurar estabelecer uma ligação não numa perspetiva comercial, mas fazendo parte da solução para o problema que estamos todos a viver”.

Fonte – https://www.aaaa.org/consumer-sentiment-towards-brands-during-covid-19/

O consultor lembra ainda que para implementar uma estratégia de conteúdos nas redes sociais não é preciso um elevado grau de expertise e que a aquisição de novas competências em marketing está ao alcance de todos, já que existem vários cursos gratuitos online que qualquer pessoa pode fazer.

“As clínicas podem aproveitar esta fase para adquirir novas competências. Há vários cursos online que qualquer pessoa que seja responsável pelo marketing pode fazer. Seja ela o gestor de um CAMV ou alguém do corpo clínico que tenha interesse nestas áreas. Para mim, os essenciais são os cursos da Google e do Facebook. São gratuitos e muito práticos. Além disso, existem ferramentas que considero essenciais para a gestão diária de uma estratégia nas redes sociais: o Later, que serve para fazer um planeamento de conteúdos e publicações agendados em diferentes redes sociais; o Google Business, que é essencial para posicionamento e pesquisa no Google, principalmente para os negócios que ainda não investiram em bons sites, para entrarem no ranking do Google; o Mailchimp, que serve para enviar newsletters a pacientes, é uma das melhores plataformas e tem uma app mobile que facilita bastante o processo, além de que é gratuita até 2000 contactos; e o Canva, que é uma espécie de Photoshop online gratuito e que é fácil de utilizar, tendo a vantagem de ter vários templates de redes sociais que podemos usar para conteúdos criativos”, revela.

Quanto aos conteúdos, assume que a estratégia de criar lives, workshops e webinars gratuitos — formatos pelos quais várias marcas e empresas têm optado nas últimas semanas para continuar a comunicar — pode ser inteligente “se os conteúdos em si ajudarem os consumidores a lidar com o contexto da quarentena”. E explica porquê: “As marcas que inteligentemente estão a ajudar os seus clientes que estão em casa com todo esse tipo de conteúdos são as marcas que vão, naturalmente, ser lembradas mais tarde. O facto de estarmos mais tempo em casa traduz-se na capacidade de estarmos mais tempo disponíveis e atentos ao que as marcas fazem. Um barómetro da Edelman, publicado recentemente, mostra-nos que 33% dos consumidores estão a ignorar e a penalizar as marcas que não estão a atuar adequadamente perante esta pandemia.”

“As marcas que inteligentemente estão a ajudar os seus clientes que estão em casa com todo esse tipo de conteúdos são as marcas que vão naturalmente ser lembradas mais tarde”

André Casado prevê também que a covid-19 possa acelerar em Portugal uma tendência que tem vindo a crescer noutros mercados e para a qual os médicos veterinários devem estar preparados para dar resposta — a telemedicina.

“Uma das tendências que as clínicas podem começar a implementar a curto prazo é a telemedicina. Esta pandemia vai acelerar ainda mais o consumo deste tipo de soluções. Existem já vários médicos veterinários em Portugal a apresentar esta solução nas suas práticas clínicas, assim como existe população a querer este tipo de solução para não ter de sair de casa. As ferramentas disponíveis para desenvolver esta prática são várias. Podem ir desde a simples videochamada em Whatsapp ou Zoom…Mas quem está a levar esta prática a sério está a investir em ferramentas específicas, como o Doxy.me. Além disso, sabemos já que esta é uma área de negócio que vai chegar aos 41 mil milhões de dólares de faturação já em 2021 [ver gráfico]”, conclui.

Fonte – https://www.statista.com/statistics/671374/global-telemedicine-market-size/