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Cães também têm comportamentos típicos da adolescência

13,4% dos cães de raça morrem nos primeiros dois meses de vida

Estudos da Universidade de Nottingham e da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, comprovaram que o comportamento típico associado à adolescência também ocorre nos cães jovens.

De acordo com as descobertas dos investigadores, aos oito meses de idade – período equivalente à puberdade nos caninos – é mais provável que os cães ignorem as ordens dadas pelo seu tutor, sendo mais difícil treiná-los.

Este tipo de comportamento é mais pronunciado em cães com uma ligação insegura com o seu detentor.

Lucy Asher, professora de Ciência de Precisão Animal na Escola de Ciências Naturais e Ambientais da Universidade de Newcastle, e coautora da investigação, alerta que a adolescência pode ser um momento vulnerável para os cães, que em muitos casos, nesta idade, são levados para abrigos para serem adotados.

“Este é um momento muito importante na vida de um cão”, explica a professora, citada pelo site da Notthingham University.

“É quando os cães são frequentemente realojados porque já não são um cachorrinho bonito e, de repente, os seus tutores acham que já não os conseguem controlar ou treinar. Mas, tal como acontece com as crianças adolescentes humanas, os tutores precisam de estar conscientes de que o cão está a passar por uma fase e que vai passar.”

A equipa analisou um grupo de 69 cães e monitorizaram a obediência nos labrador golden retriever e em cruzamentos das duas raças, aos cinco meses, antes da adolescência, e oito meses, durante a adolescência.

Os resultados indicam que os cães demoraram mais tempo a responder à ordem para ‘sentar’ durante a adolescência, mas apenas quando esta era dada pelo tutor, e não por um estranho.

As probabilidades de não responderem repetidamente à ordem do tutor eram mais elevadas aos oito meses, em comparação com os cinco meses de idade. No entanto, a resposta a esta ordem por parte de estranhos melhorou entre os testes realizados no intervalo entre os cinco e os oito meses.

A equipa analisou também um grupo de 285 labradores, golden retrievers e pastores alemães e cruzamentos das raças.

Os tutores e um treinador, menos familiarizado com cada cão, preencheram um questionário sobre “treinabilidade”, tendo de classificar declarações como: “Recusa-se a obedecer a ordens que, no passado, provou ter aprendido.”

Os tutores deram notas mais baixas aos cães no período da adolescência, em comparação com quando tinham cinco ou 12 meses de idade. No entanto, os treinadores relataram um aumento da “treinabilidade” entre os cinco e oito meses de idade.

Os peritos constataram também que, tal como acontece com os seres humanos, as cadelas com ligações inseguras com os seus tutores – caracterizadas por níveis mais elevados de procura de atenção e de ansiedade de separação – tinham mais probabilidades de atingir a puberdade precocemente.

Naomi Harvey, coautora da investigação da Escola de Medicina e Ciência Veterinária da Universidade de Nottingham e da instituição de caridade Dogs Trust, explica que “muitos tutores de cães e profissionais há muito que sabem, ou suspeitam, que o comportamento dos cães pode tornar-se mais difícil quando passam pela puberdade”. Contudo, até agora não tinha havido qualquer registo empírico sobre esta questão.

“Os nossos resultados mostram que as mudanças de comportamento observadas nos cães são estreitamente paralelas às das relações entre pais e filhos, uma vez que o conflito entre tutor e cão é específico do principal cuidador do cão e, tal como acontece com os adolescentes humanos, esta é uma fase passageira”, acrescenta.

A coautora do estudo deixa ainda o alerta: “É muito importante que os donos não castiguem os seus cães por desobediência nem comecem a afastar-se emocionalmente deles neste momento. Isto poderia piorar qualquer comportamento problemático, como acontece nos adolescentes humanos.”