Investigação

Cães braquicefálicos ou com mais de 50 kg mais propensos a doenças relacionadas com o calor

Traqueostomia em cães com colapso laríngeo grave: quais os resultados a longo prazo em cães braquicéfalos?

Os cães braquicefálicos e os cães com mais de 50 kg são os mais suscetíveis de desenvolverem doenças relacionadas com o calor, de acordo com o estudo Incidence and risk factors for heat-related illness (heatstroke) in UK dogs under primary veterinary care in 2016 ,realizado pela Universidade de Nottingham Trent, no Reino Unido.

O estudo em questão, referido numa publicação da Animal’s Health, avaliou a propensão de alguns cães para desenvolverem doenças relacionadas com o calor e os resultados apontaram que os mais velhos, mais pesados (acima de 50 kg) e os braquicefálicos, têm um risco mais elevado de desenvolver doenças relacionadas com o calor.

Emily Hall, investigadora da Faculdade de Ciências Animais, Rurais e Ambientais da Universidade de Nottingham Trent, investigou a incidência de golpes de calor em cães, recorrendo aos registos eletrónicos anónimos de 905 543 cães que foram ao veterinário no Reino Unido em 2016, incluindo 395 (0,04%) casos confirmados de doenças relacionadas com o calor, dos quais 56 foram fatais, com uma taxa de mortalidade de 14,18%.

De acordo com os dados, os cães com um peso corporal igual ou superior à média da sua raça eram 1,42 vezes mais suscetíveis de contrair doenças relacionadas com o calor do que os cães com um peso corporal inferior à média da sua raça.

Independentemente do peso médio na raça, os cães com 50 kg ou mais também eram 3,42 vezes mais suscetíveis de sofrer de doenças relacionadas com o calor do que os cães com menos de 10 kg.

Além do peso, o fator da idade também influencia a incidência destas doenças. Os cães com idades entre os seis e os oito anos e os maiores de 12 anos tinham 1,53 e 1,75 vezes, respetivamente, mais probabilidades de desenvolver doenças relacionadas com o calor, do que cães com menos de dois anos de idade.

No caso das raças, os cães braquicefálicos, como pugs e bulldogs franceses, tinham 2,10 vezes mais probabilidades do que os cães com traços normais. Também os cães de raça pura tinham 1,86 vezes mais probabilidades de sofrer deste tipo de doenças do que rafeiros.

O estudo destaca assim, a importância de manter um peso corporal saudável e criação para uma boa função respiratória.