- Veterinaria Atual - https://www.veterinaria-atual.pt -

As novas abordagens na gestão multimodal da dor

Constantemente surgem novas modalidades de tratamento. O portal Dvm360 [1] identificou três novas técnicas de gestão multimodal da dor [2] nos pequenos animais de companhia que estão a atrair atenção.

O primeiro é a utilização de técnicas fear free. Os especialistas Steve Dale e Leilani Alvarez traçaram, numa sessão dedicada ao “Pain Can Be Heeled: Multimodal Now Includes Dog Training”1, paralelos com a pesquisa médica humana que mostra como o stresse, a ansiedade, a depressão e outros estados negativos de espírito podem aumentar a perceção da dor2.

 

Em estudos que examinam a dor crónica lombar, a substituição total da anca e a artroplastia total do joelho, o medo e a ansiedade em torno da dor agravaram os resultados em termos de perceção e função da dor.2,3 Inversamente, uma perspetiva positiva levou a níveis mais baixos de dor e incapacidade num estudo.4 Os resultados de um outro estudo mostraram uma redução significativa da dor durante 12 meses quando os antidepressivos foram combinados com um plano de gestão da dor.5

Os oradores afirmam que esta evidência sugere uma ligação entre o estado da mente e a perceção da dor, apontando estratégias cognitivas para a gestão da dor em humanos como uma orientação para reduzir o medo, o stresse e a ansiedade em pacientes animais.

 

A segunda técnica que está a ganhar tração é o treino comportamental. Steve Dale e Leilani Alvarez explicam que o comportamento pode levar a lesões crónicas do tecido mole, exemplificando, que quando um cão está constantemente a pular entre mobília pode aterrar em superfícies escorregadias e sofrer lesões.

O animal de companhia pode recuperar ou prevenir tais ferimentos através de um treino comportamental personalizado projetado para eliminar ou modificar o comportamento ofensivo.

 

Por fim, a última técnica é a oxigenoterapia hiperbárica [3], técnica em que o animal é colocado numa divisão com atmosfera composta por 100% de oxigénio e uma pressão 1,5 a 3 vezes maior que a normal, permitindo a mais oxigênio fluir pelo corpo. De acordo com a University of Florida College of Veterinary Medicine Small Animal Hospital, este tratamento resulta em “redução do inchaço, estimulação da formação de novos vasos sanguíneos no tecido curativo/inchado, redução da pressão causada por lesões na cabeça ou medula espinhal, melhor cura [da ferida] e melhor controlo da infeção.” 6. Apesar disso, esta técnica ainda é experimental em animais, não existindo ainda muita investigação.

Referências

  1. Dale S, Alvarez L. Pain can be heeled: multimodal now includes dog training. Presented at: Fetch dvm360® Conference; April 22-24, 2022; Charlotte, NC.
  2. Koechlin H, Coakley R, Schechter N, Werner C, Kossowsky J. The role of emotion regulation in chronic pain: a systematic literature review. J Psychosom Res. 2018;107:38-45. doi:10.1016/j.jpsychores.2018.02.002
  3. Sorel JC, Veltman ES, Honig A, Poolman RW. The influence of preoperative psychological distress on pain and function after total knee arthroplasty: a systematic review and meta-analysis. Bone Joint J. 2019;101-B(1):7-14. doi:10.1302/0301-620X.101B1.BJJ-2018-0672.R1
  4. Martinez-Calderon J, Zamora-Campos C, Navarro-Ledesma S, Luque-Suarez A. The role of self-efficacy on the prognosis of chronic musculoskeletal pain: a systematic review. J Pain. 2018;19(1):10-34. doi:10.1016/j.jpain.2017.08.008
  5. Kroenke K, Bair MJ, Damush TM, et al. Optimized antidepressant therapy and pain self-management in primary care patients with depression and musculoskeletal pain: a randomized controlled trial. JAMA. 2009;301(20):2099-2110. doi:10.1001/jama.2009.723
  6. Hyperbaric oxygen chamber. University of Florida Small Animal Hospital. Accessed June 15, 2022. https://smallanimal.vethospital.ufl.edu/clinical-services/integrative-medicine-services/hyperbaric-oxygen-chamber [4]