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“A vivência na urgência implica uma imersão das pessoas num ambiente um pouco hostil”

A Kimipharma [1] – empresa de saúde animal – promoveu um encontro para médicos veterinários que decorreu no passado dia 2 de outubro, no auditório da Ordem dos Médicos. A visão integradora da abordagem One Health [2]esteve presente durante o evento que, entre outros assuntos, debateu a urgência e emergência em veterinária. O orador que trouxe esta temática às conferências − o médico veterinário e Provedor do Animal no concelho de Almada, Nuno Paixão − esteve à conversa com a VETERINÁRIA ATUAL.

Existe alguma lacuna em termos de formação nesta área da urgência/emergência veterinária?

Sim, há bastante. Só muito recentemente começaram a aparecer algumas unidades curriculares que são facultativas e a vivência na urgência é muito pouco abordada.

 

A vivência na urgência implica uma imersão das pessoas num ambiente um pouco hostil.

Neste conceito One Health, o que podem os médicos veterinários aprender com a experiência das urgências da medicina humana?

Este conceito sempre foi muito bem trabalhado pelos médicos veterinários. Não é por acaso que costumamos dizer que a medicina salva os humanos, a medicina veterinária salva a humanidade.

 

Cada vez mais os nossos clientes exigem o mesmo nível de qualidade, quer no hospital humano, quer no hospital veterinário. Há 20 anos, os clientes não queriam fazer exames complementares, neste momento são os próprios que nos perguntam o que podemos fazer para saber mais.

Isso será o que vamos beneficiar com esta abordagem: a noção de uma saúde global e de que aquilo que se faz para humanos é aquilo que se faz para os animais.

Em que medida a pandemia causada pelo SARS-CoV-2 veio ajudar este conceito de One Health?
 

Veio ajudar e desajudar. Ajudou porque as pessoas ficaram mais alertadas para esta relação de doenças de animais que passam para pessoas e de doenças de pessoas que passam para animais. E que nós quando tratamos animais também estamos a tratar o ambiente e também estamos a tratar pessoas e que aquilo que acontece na Ásia tem impacto aqui e vice-versa. Isso foi a parte boa: aumentou a cultura de saúde global da população.

A parte má é que nos obrigou a isolar mais. O facto de não se poder ir visitar os idosos, de as clínicas impedirem a entrada dos clientes por razões de segurança, de nas hospitalizações não ser permitido visitas dos tutores aos nossos pacientes, tudo isto causou uma cisão que há muito tempo vinha sendo evitada. E isto pode ter dois resultados: ou mantemos essa cisão, que não acho que seja natural, ou as pessoas apercebem-se que isto não pode acontecer e vão reclamar mais para manter esta ligação. Se na saúde não os separamos também na doença e na recuperação não os podemos separar.