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“A maior dificuldade poderá estar na obrigatoriedade de prescrever segundo a cascata”

O médico veterinário e coordenador da Secção Regional Sul e Ilhas da APMVEAC, Paulo Pereira, vai marcar presença nas Conferências Veterinária Atual [1] como orador da Mesa-redonda: Prescrição Eletrónica Médico-Veterinária – Maior segurança versus custos acrescidos [2]. Em entrevista, fala sobre as suas expectativas para o evento, que decorre no dia 27 de setembro, no VIP Grand Hotel, em Lisboa.

Quais são as suas expectativas para as Conferências Veterinária Atual deste ano, com foco na diferenciação dos CAMV e na resistência antimicrobiana? Que importância apresentam estes temas?

 

São temas diferentes. A diferenciação é obviamente mais virada para a definição da estratégia empresarial, técnica e cultural de um CAMV, relativamente ao seu enquadramento no setor. A resistência aos antimicrobianos constitui-se como um tema transversal à classe, quase ao âmago da mesma, quanto ao papel central que ter no centro da One Health, assumindo as responsabilidades científicas na comunidade.

A mesa-redonda da qual faz parte está focada na Prescrição Eletrónica Médico-Veterinária e na forma como esta novidade se reflete na prática clínica e no dia-a-dia do médico veterinário. Quais são as principais preocupações reportadas pelos seus colegas acerca deste assunto? No seu caso, médico veterinário de animais de companhia, como se reflete na sua prática clínica?

 

Passados que estão os primeiros tempos de maiores incertezas e de afinamento da plataforma, creio que entrámos em velocidade de cruzeiro, quanto à utilização da mesma. A maior dificuldade poderá estar na empatia para com os pacientes e os clientes, face à obrigatoriedade de prescrever segundo a cascata, o que pode onerar muito os tratamentos. Mas a legislação de base já existia há anos.

“Maior segurança versus custos acrescidos” será o mote deste debate. Poderia desvendar algumas das suas principais considerações sobre a prescrição eletrónica médico-veterinária e que tenciona trazer para cima da mesa?

 

A classe tem de se mostrar responsável e jogar o seu papel essencial na luta contra as resistências. Como temos um canal de comunicação privilegiado para com os tutores dos animais de companhia, somos essencialmente elementos de educação dos mesmos. Temos de entender que só podemos ter os medicamentos veterinários necessários à nossa atividade, fornecidos pela indústria farmacêutica veterinária, se fizermos uso dos mesmos.