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A importância da comunicação na eutanásia em animais

A eutanásia [1] faz parte do dia a dia de trabalho dos médicos veterinários, principalmente num ambiente de emergência. O autor do livro “The MiniVet Guide to Companion Animal Medicine [2]” e médico veterinário, Gerardo Poli, explica, num artigo para o Vet Times [3], como a comunicação com o tutor é importante.

“O aspeto mais importante no cuidado com o cliente neste momento difícil passa por garantir que se concentre realmente em comunicar de forma clara, eficaz e, o mais importante, com empatia sincera”, começa por relatar.

 

Ouvir as suas preocupações e as razões para a decisão são os primeiros passos.

“A eutanásia é uma conclusão difícil e, na maioria dos casos, vou deferir para o cliente quando se trata de avaliar a qualidade de vida do seu animal de companhia”.

 

Para ajudar os tutores a avaliar a qualidade de vida dos seus animais, Gerardo Poli sugere que estes sejam questionados sobre a sua felicidade e sofrimento e se este sente dor.

No caso de o paciente confirmar a decisão, o médico veterinário refere que tenta sempre confirmar três aspetos: se decidiram realmente eutanasiar, se querem estar presentes e como querem que se lide com os cuidados posteriores.

 

O médico exemplifica uma abordagem: “Então, o meu entendimento da nossa conversa é que tomou a decisão de eutanasiar o Fluffy hoje». Por vezes, quando se faz esta pergunta, o cliente revela que ainda não chegou a essa decisão, o que significa que terá de recuar um pouco e guiá-lo novamente no processo de decisão”.

“Tente não realizar a eutanásia na sua sala de consulta ou nas principais áreas de tratamento – se tiver uma sala privada para eutanásia, esse é o ideal. Isto é importante especialmente se o tutor voltar no futuro com outro animal de companhia ou um novo animal. Muitas vezes é difícil entrar na sua sala de consulta e ser lembrado da eutanásia do seu querido animal de companhia”, considera o especialista.

 

No final do processo, Gerardo Poli aponta que nunca se deve dizer algo como “o prazer foi meu” ou “de nada” em resposta de um agradecimento do tutor, apesar de ser o primeiro instinto.

“Eu diria algo como ‘Sinto muito pela sua perda. Avise-nos se pudermos ajudar de alguma forma’”, conclui.