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Animais de companhia

73% dos veterinários acreditam que as mudanças nas estações afetam negativamente animais de companhia

Setenta e três por cento dos médicos veterinários portugueses acreditam que as alterações da sazonalidade têm um impacto negativo na saúde dos animais de companhia. Mais: 67% dizem que a casuística de doenças transmitidas por vetores, como a leishmaniose, aumentou. Estas são algumas das conclusões de um questionário desenvolvido pela empresa de saúde animal MSD Animal Health, cujos resultados foram anunciados hoje e no qual participaram 284 médicos veterinários e 19 966 tutores em Portugal.

O inquérito faz parte da campanha “Protect Our Future Too”, lançada esta semana, que tem como objetivo ajudar os médicos veterinários a sensibilizar os tutores de animais para este tema, chamando a sua atenção para o perigo das temperaturas mais elevadas ao longo do ano, especialmente durante o outono e inverno, para a saúde dos animais de companhia.

Implementada em 30 países da Europa, Rússia, norte de África e Médio Oriente, a campanha inquiriu 201 893 detentores, 3 871 médicos veterinários e 751 enfermeiros veterinários entre fevereiro e julho deste ano.

Segundo a MSD Animal Health, é a “primeira vez na história” que médicos veterinários, cientistas e tutores de animais de estimação se unem numa campanha europeia de alerta para o impacto da alteração das estações do ano na saúde animal.

O questionário revelou que 74% dos médicos veterinários portugueses acreditam que, nos últimos anos, o número de ectoparasitas (como carraças e pulgas) nos animais de companhia tem aumentado. No entanto, 64% consideram que os tutores não estão sensibilizados para esta mudança.

Porém, a maioria dos tutores portugueses tem consciência das suas limitações, com 55% a reconhecer que não estão bem informados sobre o impacto das alterações das estações do ano nos animais de companhia. Já 42% acreditam estar conscientes do impacto da subida de temperaturas e alterações da sazonalidade no seu animal de companhia, incluindo mudanças comportamentais.

Além disso, enquanto 77% afirmam proteger os seus animais todo o ano, 23% admitem só o fazer ocasionalmente, especialmente na primavera e verão.

Além do questionário, a campanha contou com a participação de 21 cientistas europeus que partilharam os seus conhecimentos numa mesa-redonda sobre quatro temas – a abordagem Uma Só Saúde, parasitas, doenças, e alterações de comportamento em animais de estimação.

“A comunidade médico-veterinária deve garantir uma boa comunicação acerca dos riscos inerentes às alterações da sazonalidade. É importante educar os tutores de animais para proteger a saúde dos cães e gatos durante todo o ano, assegurando o bem-estar de toda a família, uma vez que existem doenças que são zoonoses, ou seja, que podem também afetar o Homem”, disse Rodolfo Oliveira Leal, médico veterinário diplomado em Medicina Interna pelo European College of Veterinary Internal Medicine.

Lukasz Adasek, professor da Universidade de Ciências da Vida em Lublin, Polónia, sublinhou ainda a sua preocupação, especialmente com as carraças, que vivem mais tempo em climas mais quentes: “A alteração das estações do ano contribui para o surgimento de novas espécies de carraças em áreas onde não foram anteriormente encontradas”, disse.

A iniciativa “Protect Our Future Too” vai decorrer até 2021 e é apadrinhada por figuras públicas de cada país envolvido.

Em Portugal, Nuno Markl é embaixador do projeto, que conta ainda com a colaboração de alguns influenciadores digitais. “As alterações climáticas são um tema cada vez mais central nas nossas vidas. É um problema que afeta a natureza, os humanos e também, algo que não sabia — mas que faz todo o sentido — os nossos animais domésticos. Juntei-me ao movimento ‘Protect Our Future Too’ para ajudar a espalhar a palavra e desta forma dar a conhecer o que podemos fazer para ajudar os nossos pequenos amigos”, explicou o humorista e locutor de rádio, que é também detentor de dois cães.

As alterações climáticas e o seu impacto na saúde animal vão ainda ser o tema de um dos painéis das Conferências Veterinária Atual, que irão decorrer nos dias 9 e 10 de dezembro, à tarde, na plataforma Zoom.

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