Opinião

Como tirar partido do Congresso Montenegro

Como tirar partido do Congresso Montenegro

“80% of success is just showing up”

Esta frase de Woody Allen sempre me inspira e anima quando aquela voz off interior me assombra dizendo: “andas tão cansada…tantas horas de trabalho…é só mais um congresso e os temas nem são do teu interesse…imagina o que poderias descansar ou divertir-te no fim-de-semana se faltasses a este evento?!”

Neste mercado altamente competitivo, em que o número de animais por clínica é cada vez menor, e por isso é crítico a otimização financeira dos negócios, os recrutadores são desafiados a encontrar as pessoas e o talento certos, entre um mar de ofertas de CV’s que atapetam diariamente as suas secretárias. Da minha experiência não há nada tão time consuming e frustrante do que 50 CV´s totalmente normalizados que quando alinhados funcionariam bem com papel de parede de tão parecidos que são.

Porque é que insisto neste ponto aparentemente tonto?

Todos aspiramos a encontrar um trabalho que nos inspire a fazer melhor e nos remunere o esforço investido; muitos de nós sonhamos com uma progressão de competências, de responsabilidades ou de carreira e alguns ambicionam empreender. Mas a realidade é que nunca me passou pelas vistas uma oferta de emprego que preenchesse algum dos meus sonhos ou ambições e nunca as ofertas de trabalho me caíram no colo.

Parafraseando Woody Allen temos de aparecer. Mas mais do que aparecer, temos que nos dar a conhecer, a nós, aos nossos talentos e ambições. E nada melhor de que estes eventos formativos e sociais para investir na nossa marca pessoal. Arrisco-me a ir mais longe e a dizer que quem não é visto é esquecido. Neste mercado tão atomizado, as inter-relações são quase familiares: toda a gente conhece alguém que conhece outro alguém que pode ter a chave que abre ou fecha a tua porta.

Sabemos que 70 a 80% das vagas de emprego no nosso sector são preenchidas através do networking porque mais do que uma lista de competências técnicas, a vantagem competitiva hoje em dia reside nas características enquanto pessoa, como nos relacionamos com outros, como gerimos a energia, como comunicamos, como nos comprometemos e envolvemos com a missão – falo das soft skill’s e essas é impossível aparecem refletidas numa folha de papel.

Aguarda-nos um calendário de muitos eventos do sector. Que objetivos espera alcançar em cada um deles à parte da formação técnica contínua? Ambiciona conhecer alguma pessoa ou negócio em particular? Necessita de ajuda para concretizar alguma ideia ou sonho? Este é o primeiro passo: definir a ambição.

E como seria imprudente um atleta esquecer-se de treinar, também aqui temos que investir algum tempo na preparação do como chegar ao nosso objetivo: definir os nossos pontos fortes e construir um pitch de marketing que sirva de cartão-de-visita junto daqueles que queremos impressionar. E esta é a fase mais divertida porque o limite está na imaginação: desde pequenos vídeo CV´s que pode entregar num pendrive; sugerir um plano de ação para melhorar um processo numa clínica ou incrementar o negócio; apresentar um trabalho anterior de sucesso, mesmo que em áreas totalmente distintas, etc.. Just go for it.

Desengane-se aquele que vê a fronteira como limite. O mundo está globalizado e a nossa profissão não é exceção. Temos connosco todos os anos key opinion leaders do sector, de diversas áreas de especialidade e negócio e de várias partes do mundo. O que nos distancia destas pessoas que na maioria das vezes se sentem úteis a ajudar ou a partilhar experiências? Medo de não parecer suficientemente inteligente? Vergonha? Falta de autoconfiança?

Talvez na primeira abordagem estas limitações nos deixem a voz trémula e o discurso menos articulado, mas que tal respirar fundo e começar com um: “Adorei as suas comunicações. Aprendi imenso. Gostaria de saber mais sobre o seu trabalho, aceita tomar um café?”

Se procura resultados diferentes é importante criar oportunidades com as pessoas certas e sempre que possível deixar nelas aquela sensação de curiosidade e interesse que os motiva a procurar-nos ou a referenciar-nos. Como efeito colateral, a nossa autoconfiança cresce, bem como as skill’s de comunicação.

Atreva-se a dar o primeiro passo. Desafio-o já no próximo evento a dar uma oportunidade à sua carreira: procure uma pessoa que o inspire ou alguém que pode abrir uma porta ou ajudar com um projeto e convide-o(a) para um café de 5 minutos. Seja honesto e claro no seu objetivo. E cuidado com o que deseja porque, de repente, pode ser uma realidade 😉