VetSummit 2018

VetSummit: Vets can play together

VetSummit: Vets can play together

A 3ª edição do VetSummit, que decorreu no passado dia 16 de maio no Centro Cultural de Belém, provou que os médicos veterinários sabem (e conseguem) trabalhar em conjunto. Mais de 120 profissionais responderam ao nosso apelo para juntos debaterem as mais recentes novidades em matéria de oncologia, anestesia, dermatologia, nutrição, medicina interna e oftalmologia, sem esquecer a medicina veterinária integrativa.

Coube a Ana Rita Serras, médica veterinária com residência em Oncologia Veterinária pelo Colégio Europeu de Medicina Interna, centrou a sua palestra na importância de tratar as doenças oncológicas e sublinhou porque devemos fugir da palavra cancro. “Esta palavra tem uma conotação emocional muito negativa. O tutor quando ouve a palavra cancro já não nos ouve e a neoplasia é uma doença crónica com maior taxa de cura”.

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Ana Rita Serras abordou ainda como deve ser feita a comunicação com os tutores dos animais e da importância de passar uma perspetiva positiva ao dar a informação. “Podemos tratar, não curar”. A médica veterinária abordou ainda a importância de um primeiro exame físico completo e sublinhou os cuidados que a equipa de médicos veterinários deve ter com os citotóxicos, nomeadamente na aplicação da quimioterapia. “É sempre obrigatório o uso de luvas e é um tratamento que deve ser realizado por profissionais experientes”.

Seguiu-se a apresentação de Alejandra Mateo, diplomada europeia em Anestesia e Analgesia. Para a médica veterinária espanhola, que focou a sua atenção nas complicações que podem surgir com as anestesias, “70 a 80% são devido a erros humanos”. Desta forma é importante ter consciência dos riscos que podem surgir com as anestesias e deu como exemplo uma check list que a sua equipa usa diariamente e que ajuda a que todos os procedimentos sejam revistos antes da anestesia, para minimizar os esquecimentos. “Os erros são normais, acontecem, somos humanos. Mas ter uma check list ajuda a evitar erros e confusões. Demora um minuto a fazer e é super importante”.

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Após o primeiro cofee break, coube a Ana Oliveira abordar as novas armas no controlo do prurido. A diplomada pelo Colégio Europeu de Dermatologia Veterinária fez distinção entre o prurido agudo e crónico, uma vez que é necessário “escolher o tratamento consoante o caso”. A médica veterinária referiu um exemplo de um Bulldog Francês, “uma espécie que persegue os veterinários por tantas alergias que sofrem. É uma raça que manifesta prurido todo o ano e é imprescindível controlar bem a dermatite atópica, bem como pensar a longo prazo“.

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Programa de perda de peso

A Royal Canin aproveitou o VetSummit para dar a conhecer o seu novo Programa de Perda de Peso. 

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Thierry Correia, Field Trainer Scientific Communication da Royal Canin, apresentou o programa e a marca quer certificar 150 clínicas e hospitais veterinários nacionais até ao final de 2018. “Está provado que, se o animal emagrecer, vive em média mais dez anos que um animal obeso e é importante passar essa informação aos tutores dos animais”. Para Thierry Correia, as clínicas devem ter uma task force, ou seja, uma pequena equipa formada por um veterinário e um enfermeiro veterinário e que estea concentrada neste programa de perda de peso, pois desta forma aumenta a probabilidade de sucesso.

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E para dar o seu testemunho real, Mafalda Pires Gonçalves, médica veterinária responsável pelo Programa de Controlo de Peso “Ganhar Anos de Vida” do Hospital Veterinário do Restelo, revelou como lida com as questões de controlo de peso no hospital.

Diarreias crónicas, masterclass de oftalmologia e medicinas alternativas

Coube a Rodolfo Oliveira Leal iniciar as palestras da tarde com uma abordagem às diarreias crónicas. O médico veterinário abordou a importância da alimentação e dos antibióticos no controlo do problema e referiu que, segundo estudos, a ultrassonografia tem uma utilidade baixa nestes casos.

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Entre as novas abordagens, a que deu mais que falar foi a transplantação fecal, ou seja, uma “infusão de suspensão fecal de indivíduos saudáveis no tracto GI de indivíduos com doença GI. Existe evidência crescente da implicação da microbiota intestinal na patogénese de doenças não GI, como obesidade, diabetes mellitus, autismo, miastenia gravis…”

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Seguiu-se a masterclass de Oftalmologia que juntou em palco Cristina Seruca, especialista em Oftalmologia Veterinária, com Ana Rita Serras para discutirem casos em que a oftalmologia beneficiou muito da ajuda da oncologia para o sucesso da terapêutica. O mesmo aconteceu com os casos clínicos onde a Medicina Interna deu o seu contributo, neste caso com os comentários de Rodolfo Oliveira Leal.

O dia terminou com a entrevista a Manuel Sant’Ana sobre as medicinas alternativas, mais concretamente a acupunctura na medicina veterinária. Para o especialista europeu em Bem-Estar e Ética Animal, as medicinas alternativas requerem estudos científicos que comprovem a sua eficácia, caso contrário os médicos veterinários estão a fazer experimentação animal de técnicas cuja eficácia não está comprovada por estudos científicos.

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Jorge Cid, bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, aproveitou o evento para se pronunciar sobre o caso que tem lançado a discussão entre a classe médico-veterinária. “A integração ou não destas práticas no ato médico veterinário ainda está a ser discutida”. Todavia, disse: “Acredito que a Acupuntura vai ter um tratamento à parte e que, assim sendo, deverá ser sempre praticada por um médico veterinário, que esteja certificado para essa prática”.

Nota: Reportagem na íntegra na edição de Junho da Veterinária Atual, que agradece o apoio dos patrocinadores na realização do evento.