Investigação

Vacina contra o cancro canino em ensaios nos EUA

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Está atualmente em curso, nos Estados Unidos, o ensaio da vacina contra o cancro canino, naquele que é um dos maiores ensaios clínicos do género na história da medicina veterinária e que conta com a participação de mais de 800 cães.

O Estudo de Vacinação contra o Cancro Canino (ensaio VACCS) tem como objetivo avaliar uma nova estratégia de vacinação para a prevenção – e não tratamento – do cancro e está a ser levado a cabo por investigadores da Universidade da Califórnia, Universidade do Estado do Colorado e Universidade de Wisconsin.

A vacina foi concebida para abranger cerca de 30 proteínas anormais encontradas na superfície das células cancerígenas, que são o resultado de ácido ribonucleico (RNA) incorretamente codificado – por norma só presentes em doentes com cancro.

Espera-se que ao vacinar cães saudáveis com estas proteínas, juntamente com uma substância que estimule uma resposta imunológica, a vacina possa servir como um defensor universal contra o cancro, “ativando” o sistema imunológico. A vacina visará vários cancros comuns aos cães, entre os quais o linfoma, osteossarcoma, hemangiossarcoma e mastocitomas.

Os cães participantes, com idades entre os seis e os dez anos de idade, receberão várias vacinas, ou um placebo, e viverão em casa, sendo examinados duas a três vezes por ano, durante cinco anos após a vacinação.

David Vail, professor e oncologista da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Wisconsin-Madison, explicou: “Estamos a testar uma forma totalmente nova de criar uma resposta imunitária anticancerígena. O Santo Graal seria prevenir o cancro em vez de esperar que ele começasse para depois tratá-lo.”

Esta vacina preventiva é semelhante à vacina contra a gripe, cujo objetivo não é tratar o problema, mas sim preveni-lo: “Ter o sistema imunológico preparado de tal forma que, se uma célula cancerígena se desenvolver, a vacina irá atacar”, declarou Vail.

O professor Stephen Johnston, da Universidade do Estado do Arizona, que desenvolveu a vacina, afirma que “a vacina pode não ser eficaz, mas esta é provavelmente a única abordagem a este tipo de vacina, por isso sentimos que temos de a experimentar. As implicações do sucesso seriam enormes – para cães e pessoas”.