Burnout

Suicídio de médicas veterinárias volta a chamar atenções para burnout na profissão

A notícia do suicídio de duas médicas veterinárias do Santa Barbara Animal Doctors está a abalar a comunidade. Tiffany Margolin, que se dedicava ao tratamento de animais com acupunctura, faleceu o ano passado, enquanto Amanda Lumsden, que fazia esterilizações e castrações low-cost, cometeu suicídio no passado mês de fevereiro.

A notícia chocou colegas e clientes, que referiram nunca terem percebido qualquer sinal de stresse ou esgotamento. A morte das médicas veterinárias é mais uma chamada de atenção para o problema grave que afeta a profissão. “É um problema na nossa área”, referiu Kristi Gibbs, do Adobe Pet Hospital, ao Independent. “Ambas as profissionais eram provavelmente as pessoas mais amáveis que poderíamos encontrar e a notícia é especialmente devastadora porque somos uma pequena comunidade, mas isto está a acontecer por toda a parte”.

Vários estudos chamaram a atenção para taxas particularmente elevadas de depressão, ansiedade e burnout na classe médico-veterinária, com muitos profissionais a optar por tirar a própria vida.

Um estudo realizado na Universidade do Oregon, nos EUA, revelou que 87% dos profissionais de saúde, de um total de 2000 pessoas que responderam a um inquérito, sentem-se “exaustos”. Em Portugal, o mesmo assunto também mereceu destaque e foi realizado um estudo com os médicos veterinários portugueses.

“As pessoas esperam que o veterinário faça milagres”

Segundo Lex McKenna, do Santa Barbara’s Coastal Mobile Veterinary, “os médicos veterinários estão numa indústria muito emocional para nós e para os nossos clientes. Lidamos com serem que são muito queridos para as pessoas”. E mais: “os médicos veterinários são motivados para resolver todo o tipo de doenças. E quando não conseguem tratar o animal é muito difícil lidar com isso. Especialmente quando perdem pacientes após pacientes”.

Também não é incomum os médicos veterinários trabalharem 12 a 14 horas por dia, especialmente “para ajudar o maior número de animais que conseguirem, mas também para pagarem contas”. Lex McKenna referiu ainda que lidar com as expetativas dos donos também pode ser complicado. “As pessoas esperam que o veterinário faça milagres. A sociedade habituou-se aos serviços no imediato e gratificação instantânea, e nem sempre conseguimos fazer isso”.

Isto além de serem quase obrigados a trabalhar de graça, por amor aos animais. “Às vezes as pessoas ficam fora de si por não quererem ou não conseguirem pagar. Dizem que se gostássemos dos animais faríamos o tratamento de graça”.

Em resposta ao suicídio das duas médicas veterinárias, o Santa Barbara Ventura Veterinary Medical Association organizou uma reunião de emergência e convocou a psicóloga Kathleen Ayl – autora do livro When Helping Hurts: Compassion Fatigue in the Veterinary Profession – que referiu que é vital falar sobre o assunto, especialmente para os mais jovens que estão a pensar seguir a profissão.

O assunto foi bastante comentado nas redes sociais, com Sérgio Lobato a expressar a sua opinião num post: “… Burnout na veterinária é uma epidemia… negar isso por se achar forte e que isso é frescura da geração nutella vet só mostra sua falta de humanidade e talvez esconda sua própria debilidade emocional travestida de agressão.. pense nisso! Em agosto trago para o Rio de Janeiro o SOS VETERINÁRIA, m grito de socorro para a classe! Um porto seguro para que possamos falar de algo que nos aflige todos os dias!”