Negócio

Molly & Jack: “O produto não pode apenas ser bonito, tem de ser funcional”

Criada por três médicas veterinárias, a marca de acessórios para cães e gatos Molly & Jack alia o orgulho de produzir em português com a estética, a funcionalidade e a personalização. Apesar de recente, a marca tem feito sucesso no nosso país e está já a dar os primeiros passos rumo à internacionalização, com a criação de uma loja online.

A Molly & Jack é uma marca portuguesa de acessórios para cães e gatos criada em tempo recorde por três médicas veterinárias: Inês Fonseca, Maria Gaivão Sepúlveda e Sónia Miranda. Trabalhando há mais dez anos, direta ou indiretamente com animais de companhia, a temática dos acessórios acabou por ser incontornável na vida das três profissionais de medicina veterinária e foi durante uma conversa de amigas, em 2016, que se aperceberam de uma lacuna existente no mercado.

Tendo em conta que “os conceitos de estética e de funcionalidade estão cada vez mais presentes na nossa vida, em conversa percebemos que havia necessidade de uma marca nacional que privilegiasse estes fatores e, ao mesmo tempo, as matérias-primas e os artesãos portugueses”, conta Maria Gaivão Sepúlveda.

Foi então que deitaram mãos à obra e começaram a investigar para perceber o que já existia no mercado e que produtos poderiam produzir. Em janeiro de 2017 “achámos que estavam reunidas as condições para criarmos a Molly & Jack e começámos a produzir os nossos produtos, tendo a loja sido inaugurada no final de maio”, na zona do Campo Pequeno, em Lisboa.

A mais-valia de serem veterinárias

As médicas veterinárias conseguiram, no fundo, “criar uma marca bastante diferenciadora, que privilegia sempre a produção nacional, e é constituída por produtos de qualidade, feitos à mão e com possibilidade de personalização”, sintetiza Maria Gaivão Sepúlveda. Neste sentido, apesar de a marca ter as suas coleções, no âmbito das trelas, coleiras, camas, brinquedos, etc., “o tutor não está limitado à nossa oferta. Por exemplo, temos as nossas camas, mas se a pessoa quiser uma igual à decoração que tem na sala ou no quarto vamos ao encontro dessa necessidade, produzindo uma cama com essas características, mas nunca descurando a funcionalidade do produto”.

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Para as três amigas é aqui que reside a mais-valia do conceito: “o produto não pode apenas ser bonito, tem de ser funcional”. E a funcionalidade, assim como muitas das características inovadoras do projeto, é conseguida graças ao facto de serem médicas veterinárias, pois “a nossa experiência clínica é essencial”. Deste modo, “conseguimos criar uma marca diferenciadora, que tem tido uma grande aceitação por parte de todos, quer dos tutores dos animais, quer dos nossos colegas, veterinários ou não, que trabalham na área dos acessórios pet e isso não teria acontecido se não tivéssemos a bagagem de versatilidade que o facto de sermos médicas veterinárias nos dá”, remata Maria Gaivão Sepúlveda.

Uma loja de bairro

Desde que a ideia surgiu até à concretização do projeto, que culminou com a inauguração da boutique, “aconteceu tudo realmente em tempo recorde”, reforça Sónia Miranda, explicando que o espaço físico e a marca Molly & Jack foram projetos criados e desenvolvidos ao mesmo tempo durante os primeiros meses de 2017. Partilham o mesmo nome, mas a boutique disponibiliza para venda, além da Molly & Jack, produtos de outras marcas cujo conceito esteja em sintonia com o criado pelas três amigas, entre os quais alguns trabalhos de artistas portugueses. A loja possui ainda uma área dedicada à farmácia veterinária e à alimentação.

 

“Achámos que fazia sentido ter uma loja física para ser a nossa montra porque as pessoas gostam de ver e de sentir”, refere Maria Gaivão Sepúlveda, acrescentando que “o nosso modelo é o de loja de bairro, onde quem tem cão ou gato pode encontrar tudo o que precisa para o seu animal. Por isso fazia sentido contemplar a alimentação e a farmácia veterinária”. No respeitante à alimentação, por vários constrangimentos, nomeadamente de espaço, “tivemos de fazer uma seleção rigorosa do que fazia sentido e estabelecemos uma parceria com uma marca que estava alinhada com a nossa forma de trabalhar”. Quanto à parte da farmácia “somos médicas veterinárias e sabemos aconselhar, nunca descurando que o animal já vem medicado e acompanhado por um colega”. O atendimento é sempre personalizado visto que, como ilustra a cofundadora, “sabemos aconselhar a alimentação que o animal em questão deve fazer ou medicamento” e o mesmo acontece no respeitante aos acessórios.

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As médicas veterinárias pretendem manter este nível de personalização também ao nível da loja online lançada no início deste ano. “É um desafio mais virado para a marca Molly & Jack, sendo que a ideia é que o nosso conceito de loja de bairro chegue a toda a gente em Portugal e no estrangeiro. Mas não queremos que o contacto personalizado com os clientes se perca”. E até à data, as fundadoras da Molly & Jack têm conseguido ser bem-sucedidas nesta ambição: “a pessoa começa sempre por nos enviar uma mensagem e acaba por se estabelecer um diálogo. Por exemplo, pergunta-nos qual será o tamanho ideal da cama para o seu animal, o modelo, etc., e queremos que este nível de proximidade se mantenha”, refere Maria Gaivão Sepúlveda.

De Portugal para o mundo

Foi assim que surgiu este projeto, cujo nome representa todos os gatos (Molly) e todos os cães (Jack) cujos tutores abracem o conceito. “Pensámos em inúmeros nomes e não queríamos que estes refletissem o ‘meu’ gato ou o ‘seu’ cão e num dos nossos brainstormings surgiram os nomes Molly e Jack e achámos que eram giros e assim Molly são todos os gatos para quem fazemos os nossos produtos e Jack todos os cães”, explica a médica veterinária.

Apesar de recente, o balanço do projeto é “muito positivo e gratificante” por vários motivos, como aponta Maria Gaivão Sepúlveda: “pela experiência, pelo desafio, pelas pessoas que temos conhecido, pelos artesãos que fazem os nossos produtos e pela maneira como toda a gente se tem envolvido”.

“Acreditámos desde o princípio, mas durante o decorrer do projeto vimos que está a acontecer e vai continuar”, reforça Sónia Miranda, revelando que “a Molly & Jack é uma marca que tem o seu espaço em Portugal, mas também internacionalmente”. Neste sentido, o futuro do projeto passa pela internacionalização, algo para o qual a loja online é um importante passo.

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“Um orgulho enorme de produzir em português”

Inês Fonseca, Maria Gaivão Sepúlveda e Sónia Miranda estão envolvidas em todo o processo de criação e conceção dos produtos Molly & Jack. “Temos uma equipa grande a trabalhar para nós, mas juntos escolhemos tudo”, refere Maria Gaivão Sepúlveda, explanando que “se alguém está mais focado na questão do bem-estar animal, outra de nós está mais focada na questão estética e este input de todos é essencial para tudo funcionar bem”. Quanto à produção dos produtos da marca, não houve dificuldades em encontrar artesãos, já que “há muita gente boa a produzir muito bem em Portugal”, revela a cofundadora. Contudo, para a médica veterinária existem dois grandes desafios: “a produção personalizada para a qual contamos com imensas costureiras” e “se a nossa marca crescer, como vamos conseguir continuar?”.

Desafios à parte, como destaca Sónia Miranda, tem sido até com alguma preocupação social que as amigas têm procurado os artesãos, sendo que “essa preocupação acaba por ser compensadora porque vemos pessoas envolvidas, muitas das quais costureiras, que já estavam na reforma a voltarem a ter uma atividade”.