Medicina Veterinária

Onevet Group lança serviço de Medicina Regenerativa em dois hospitais

Onevetgroup lança serviço de Medicina Regenerativa em dois hospitais

O Onevet Group lançou recentemente, em parceria com a Vetherapy, um novo serviço de Medicina Regenerativa no Hospital Veterinário do Baixo Vouga (HVBV) e no Hospital Veterinário Universitário de Coimbra (HVUC), uma resposta a uma nova realidade na abordagem clínica veterinária.

Sónia Miranda, Coordenadora do Cluster Centro do Onevet Group, explica à VETERINÁRIA ATUAL que “a terapia regenerativa, nomeadamente com células estaminais, é cada vez mais uma realidade na abordagem clínica veterinária. Fomos percebendo que as células estaminais têm um potencial terapêutico enorme e podem ser usadas em variadíssimas situações clínicas. O mediatismo de alguns casos de celebridades e atletas de alta competição também ajudou a dar visibilidade a esta abordagem terapêutica”.

Isto aliado ao facto de cada vez mais pessoas analisarem a possibilidade de aplicação de células estaminais para solucionar os problemas dos seus animais levou o Grupo a unir-se à Vetherapy, que disponibiliza este tipo de tratamentos a médicos veterinários.

Pedro Carvalho, fundador da empresa e Diretor do recém-criado Centro de Investigação Vasco da Gama (CIVG), em Coimbra, explica-nos que esta parceria com o Onevetgroup pretende tirar partido do potencial terapêutico das células estaminais em diferentes situações clínicas.

“As células estaminais podem diferenciar-se em diferentes tipos celulares e assim substituir células e tecidos lesados repondo a arquitetura e funções do tecido original”, revela. Além disso “têm um papel crucial sobre o sistema imunitário (imunossupressão); cada vez mais são usadas em transplantes de órgãos e de medula, para diminuir ou mesmo inibir reações de rejeição e em patologias imunomediadas”.

Por outro lado, as terapias com células estaminais “ativam células e interleucinas anti-inflamatórias inibindo as pró-inflamatórias” e “atuam nas diferentes fases da cicatrização, como a remodelação, levando à formação de menos tecido cicatricial fibrótico e maior reposição do tecido original, com ocorrência de muito menos recidivas.”

De acordo com Pedro Carvalho, “até há muito pouco tempo, as terapias regenerativas eram uma miragem no cenário clínico veterinário, não só pelo seu custo elevado, mas porque não se encontrava um produto fidedigno e de qualidade no mercado e o acesso a estas células só se fazia recorrendo a laboratórios de investigação em universidades que nem sempre utilizam os melhores protocolos.”

Mas o cenário está a mudar. Recentemente, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) publicou um Guia sobre a utilização de terapias com células estaminais em animais, um documento em são descritos os procedimentos para manter a esterilidade e um controlo de qualidade rigoroso sobre o produto final, as instalações e materiais e reagentes utilizados para a sua obtenção.

Para Pedro Carvalho, “a publicação deste guia permite-nos antever uma fiscalização e vigilância mais apertadas, que se traduzirá numa melhor qualidade destes produtos e dos resultados finais obtidos com a sua aplicação.”

Sobre a Vetherapy, refere que “já saiu há alguns anos destas condições experimentais e neste momento disponibiliza produtos de grau clínico (produzidos em laboratório GMP), devidamente padronizados e com um controlo de qualidade rigoroso, e que têm uma década de otimização e aplicação clínica, com centenas de casos realizados. Na prática, aquilo que fazemos é disponibilizar, com toda a garantia de qualidade, estas células ou outros produtos regenerativos aos colegas veterinários, que apenas têm que as injetar no animal”.

Como posso ter acesso a estas terapias?

Isto significa que os médicos veterinários de outras unidades também podem recorrer aos serviços da Vetherapy. Sónia Miranda, Coordenadora do Cluster Centro do Onevet Group, revela que “o serviço propriamente dito funcionará no HVUC e no HVBV e qualquer colega pode sempre referenciar para nós casos em que pretendam aplicar terapia regenerativa. A principal vantagem reside na possibilidade de ter o caso acompanhado por alguém especificamente desta área, para além de beneficiar de todo o acompanhamento de forma integrada das diferentes especialidades veterinárias existentes nestes centros hospitalares. No entanto, uma vez que os tratamentos são adquiridos através da Vetherapy, qualquer veterinário em qualquer CAMV no país poderá fazê-lo sem qualquer problema.”

A responsável diz também que agora um dos objetivos passa pela “consciencialização dos colegas veterinários para a existência deste tipo de abordagem terapêutica, mas acima de tudo poder oferecer soluções terapêuticas onde antes não existiam. Acreditamos que o futuro da terapêutica (Humana ou Veterinária) será cada vez mais uma integração e transversalidade de diferentes áreas do conhecimento a trabalharem de forma sinérgica. Os colegas clínicos estão um pouco cansados da medicina de ‘receituário’, em que se inventam e prescrevem novas drogas e princípios ativos para cada pequena etapa da evolução da doença, acabando por se perder a visão do ‘todo’. Poder ter um serviço de Medicina Regenerativa a funcionar em centros como o HVUC e HVBV, onde as diferentes especialidades funcionam de forma integrada (Neurologia, Ortopedia, Dermatologia, Imunologia…e a Medicina Regenerativa) é a melhor forma de conseguir obter bons resultados, e é acima de tudo isso que pretendemos obter com este serviço.”