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Cruz Amarela: “A única coisa que não queremos é deixar um cliente sem resposta”

Cruz Amarela: “A única coisa que não queremos é deixar um cliente sem resposta”

A Cruz Amarela é um projeto com duas facetas: a do médico veterinário ao domicílio e a comercialização de produtos para cães e gatos. Depois de consolidar a sua posição na área da Grande Lisboa, chegou a hora de iniciar a expansão de norte a sul do país.

A Cruz Amarela surgiu em 2012 quase de uma brincadeira entre um médico veterinário que se cria dedicar aos domicílios e que precisava de angariar clientes (mas não sabia como) e um ‘não médico veterinário’ que trabalhava na área comercial e de marketing de uma empresa não relacionada com a medicina veterinária. “Esse médico veterinário precisava de angariar clientes porque não tinha jeito e lançou-me o desafio um pouco por brincadeira: arranjar-lhe os clientes e ele encarregar-se da parte técnica”, conta José Pedro Passanha, diretor-comercial da Cruz Amarela.

As dimensões da ‘brincadeira’ foram crescendo de tal forma que em 2016 “sentimos a necessidade de formar uma sociedade” e José Pedro Passanha passou a dedicar-se em exclusivo à gestão da Cruz Amarela. Foi ainda decidido acrescentar uma outra vertente ao projeto, além dos domicílios: a comercialização de produtos para animais de companhia, especificamente para cão e gato, como alimentação, brinquedos e produtos que “cubram todo o tipo de necessidade que estes animais têm”, elucida o diretor-comercial.

Cruz Amarela: “A única coisa que não queremos é deixar um cliente sem resposta”

Até que o médico veterinário que inicialmente lançou o desafio a José Pedro Passanha teve necessidade de sair da sociedade e foi então que o gestor se viu abraços com um novo desafio: encontrar um novo médico veterinário que assegurasse a parte clínica. Foi aí que a Cruz Amarela ganhou, há cerca de um ano, um novo sócio, Carlos Velez. “Já tinha uma clínica e o meu primeiro contacto com a Cruz Amarela foi porque esta começou a ser minha fornecedora”, conta o médico veterinário, acrescentando que posteriormente “o José Pedro veio ter comigo e perguntou-me se, além das atividades que já tinha, podia abraçar este desafio. Disse-lhe que sim”.

Um nicho

O core da Cruz Amarela, no que toca à parte clínica, são realmente os domicílios, atuando na zona da Grande Lisboa (Amadora, Cascais, Lisboa, Oeiras, Sintra) e começando agora a dar os primeiros passos nas áreas da Batalha, Marinha Grande, Alcobaça e Caldas da Rainha. “Nunca houve a ideia de criar um espaço físico porque isso acarretava custos e apercebemo-nos de que na zona da Grande Lisboa havia um nicho a trabalhar, ou seja, aquelas pessoas que, por exemplo, têm um animal, mas chegam às 20h00 a casa e não têm paciência para ir a um centro de atendimento médico veterinário (CAMV), por isso se o médico veterinário for a casa é perfeito”, explica José Pedro Passanha.

Por outras palavas, da perspetiva dos dois sócios a Cruz Amarela acaba por dar resposta a uma demanda dos tempos atuais: a falta de tempo. “O ritmo de vida que se vive hoje é muito acelerado e não há tempo para nada. Quando comecei a trabalhar, as pessoas esperavam três ou quatro horas para serem atendidas num CAMV, mas hoje não estão para isso. Se tiverem um médico veterinário que vá a casa, à hora marcada, maravilhoso”, complementa Carlos Velez.

Nunca deixar sem resposta

No domicílio, o que se faz é muito “na onda de medicina preventiva (vacinação e desparasitação), mas também consultas e até colheitas de sangue e ecografias”, refere o médico veterinário. Contudo há casos e casos e, neste contexto, os sócios não são alheios a que existem efetivamente uma série de situações que têm de ser resolvidas num CAMV, como cirurgia, raio-X ou doenças graves. “Ligou-me um cliente numa madrugada destas com uma situação grave e encaminhei-o logo para um hospital nosso parceiro porque não ia conseguir resolver nada indo ao domicílio”, revela Carlos Velez. Ou seja, “a única coisa que não queremos é deixar um cliente sem resposta. Assim, uma vez que não conseguimos abarcar todo o tipo de serviços, como cirurgias e outras situações que não se podem fazer ao domicílio, criámos uma série de parcerias com seguradoras, hospitais, clínicas, hotéis, etc., e cada vez que há uma necessidade que não consigamos resolver encaminhamos para os parceiros, assim como eles encaminham para nós”, completa José Pedro Passanha.

Cruz Amarela: “A única coisa que não queremos é deixar um cliente sem resposta”

A este propósito, Carlos Velez salienta que todos os médicos veterinários são concorrentes uns dos outros, “mas lá por sermos concorrentes não temos necessariamente de ser inimigos. Se nos virmos como parceiros, se o negócio correr bem a uns, correrá bem aos outros, pois em parceria o crescimento poderá ser consolidado nas várias frentes”.

Crescer nos domicílios

O sucesso alcançado nos últimos anos leva os sócios a quererem ir mais além. “O projeto está muito focado na zona da Grande Lisboa e começamos agora a abranger as Caldas da Rainha, Marinha Grande, Batalha e Alcobaça”, reitera José Pedro Passanha, acrescentando que “estamos a começar nestas zonas, no que toca aos domicílios, e como somos uma empresa pequena não queremos estar a dar o passo maior do que as nossas capacidades”.

E porquê estas áreas para dar o pontapé de saída para fora da Grande Lisboa? “Porque fizemos uma parceria com um outro médico veterinário para assegurar as férias do Carlos e ele tem casa nessa zona, daí termos decidido que seria o teste para sairmos da área de conforto”, revela o diretor-comercial.

O primeiro passo para fora de Lisboa e arredores é realmente para a zona Oeste, no entanto o objetivo da Cruz Amarela é chegar a todo o país, quer seja no que toca à parte clínica, quer relativamente à comercialização de produtos. “Somos representantes de algumas marcas e distribuidores de outras, e o nosso melhor cliente é o canal Farmácia, apesar de também estarmos em pet shops, mas estamos a tentar expandir-nos e gostávamos de abranger toda a área nacional, sobretudo capitais de distrito”.

Quanto a espaços físicos, nomeadamente a criação de um CAMV, “se aparecer algo interessante não diremos que não, mas não estamos à procura disso, dado que para já queremos continuar a crescer nos domicílios”, remata José Pedro Passanha.

“Não pratiquemos preços indignos”

No que toca aos domicílios, de acordo com Carlos Velez, há “aqueles médicos veterinários que gostam de os fazer e os que não gostam. Pessoalmente sempre gostei”. Ou seja, o médico veterinário sempre gostou de “entrar no ambiente das pessoas e por isso conheço várias realidades”. Normalmente quando faz os domicílios não veste bata e os animais, segundo a sua perspetiva “recebem-nos muito melhor, visto que a bata branca intimida-os”. Um dos desafios de quem abraça a área médica é a paciência. “Temos de ter muita paciência, mas faz parte do trabalho. A medicina, seja ela humana ou veterinária, é uma vocação”. No entanto, Carlos Velez aponta um outro desafio, este mais ‘profundo’, relacionado com o preço dos serviços. “Há colegas que entram numa esfera de preços atentatória à nossa dignidade profissional e acho que deveríamos ter, à semelhança dos médicos, uma tabela de preços mínimos”. Neste sentido defende que “é inconcebível que num CAMV se leve 10€ pela castração de um gato, pois atenta contra a nossa dignidade profissional”. Daí apelar a que “dentro da nossa classe não pratiquemos preços indignos”.