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Centro Veterinário de Estremoz e Vila Viçosa: “Está na hora de crescer”

Centro Veterinário de Estremoz e Vila Viçosa: “Está na hora de crescer”

“Vamos mudar para o centro da cidade, para um edifício de três pisos, que deverá estar operacional no próximo verão”, conta José Carlos Cortes, fundador e diretor da Clínica Veterinária de Estremoz e Vila Viçosa. Confessa que deixou a clínica de animais de produção porque “fazer pecuária tornou-se para mim cada vez mais doloroso” e salienta: “a medicina de pequenos animais é mais desafiante e gratificante”.

O médico veterinário frisa que não deixou a pecuária por já não gostar. “Continuo apaixonado pela área, principalmente pelos ovinos, mas é um desgaste muito grande, há muita falta de condições e não há horas para nada”. José Carlos Cortes lembra que deu por si a “achar normal um atraso de uma hora ou mais”. Tudo isso, a somar aos ‘habituais’ problemas de cobranças, pesou na decisão. E lamenta: “Fazer pecuária tornou-se cada vez mais doloroso”, acrescentando que “hoje faço apenas algumas montarias”.

Centro Veterinário de Estremoz e Vila Viçosa: “Está na hora de crescer”

José Carlos Cortes, fundador e diretor da Clínica Veterinária de Estremoz e Vila Viçosa

Começou com os de animais de produção após ter terminado o curso, em 1994, seguido as pegadas do pai que era intendente pecuário em Angola, “o que equivale agora a um chefe da zona agrária”. Mas hoje considera que “a medicina de pequenos animais é mais desafiante e gratificante” e adianta que “tem mais temáticas para desenvolver conhecimento”. Diz-nos que “não devia ter sido médico veterinário, mas sim engenheiro porque o que gosto mesmo é de resolver problemas. Daí achar que os pequenos animais ‘dão mais luta’ e, muitas vezes, é quando a veterinária se torna arte”. E salienta: “A conversa com o dono é determinante para conseguirmos uma história clínica bem construída” mas, claro, a observação do paciente é fundamental. Ainda sobre a clínica de pequenos animais, José Carlos Cortes afirma à VETERINÁRIA ATUAL que “estamos a anos-luz de quando abri o consultório em 1996, evoluiu-se muito”, tanto na parte da medicina, como na forma como os donos encaram os seus animais.

Uma clínica com vocação de hospital

Há cerca de um ano ficou mais ‘liberto’ para concentrar a atividade nos pequenos animais e daí também a aposta em passar para um novo espaço, no centro da cidade de Estremoz, com mais pessoas, meios e possibilidades de negócio: “Está na hora de crescer para podermos oferecer uma melhor estrutura e qualidade de serviço”. O médico veterinário explica: “vamos mudar para o centro da cidade, para um edifício de três pisos, que deverá estar operacional no próximo verão. Teremos de contratar, pelo menos, mais duas pessoas – um veterinário e um elemento ‘multifunções’”, adiantando que “no piso térreo vai estar instalada a Pet Shop e a área de Grooming, no segundo vão estar três consultórios, o internamento, a cirurgia e o meu escritório, enquanto no terceiro piso vamos ter um T0 – com uma copa e um quarto, bem como uma pequena sala de conferências”. Um dos novos equipamentos, conta, “será um laser terapêutico que ajuda na recuperação de suturas, feridas, quadros inflamatórios crónicos, entre outras situações”.

Centro Veterinário de Estremoz e Vila Viçosa: “Está na hora de crescer”

Em Vila Viçosa vai manter-se o consultório, que abre de segunda a sexta-feira da parte da tarde e ao sábado de manhã, e onde as médicas veterinárias Filipa Branquinho e Salomé Lagoa rodam semanalmente, em conjunto com as enfermeiras veterinárias Filipa Dores e Patrícia Gibão. “Eu sou o elemento redundante, vou lá quando é preciso. Mas também temos vários clientes de Vila Viçosa que, por vezes, vêm a Estremoz”, admite José Carlos Cortes.

Internamento insuficiente

Quando a empresa nasceu, em 1996, o pequeno consultório que tinha no centro de Estremoz – que abria das 17h00 às 20h00 – “era grande. Depois foi ficando pequeno e mudámos para esta vivenda em 2005. Hoje, principalmente o internamento é insuficiente e já se justificava termos um hospital”, refere o médico veterinário. E é nesse sentido que se encaminha o novo projeto: “para já será na mesma clínica veterinária, mas com vocação de hospital”. José Carlos Cortes defende que “o principal de todo o negócio é o fator humano, por isso a equipa tem de crescer e funcionar bem em conjunto, antes de avançarmos para essa nova etapa”.

O atual espaço foi escolhido por estar junto à Estrada Nacional, “onde passavam cerca de 3 mil viaturas por dia e como ainda havia vestígios do antigo caminho-de-ferro que aqui estava anteriormente, tinham de passar devagar e dava para nos verem bem”, explica. Mas agora já tem uma base de clientes (cerca de 1.400 clientes ativos – que visitam a clínica cerca de uma vez por ano) e a localização (mesmo na praça central de Estremoz) “também é muito boa”.

O consultório inicial, em 1996, foi um projeto a meias de José Carlos Cortes e do colega José Miguel Leal da Costa, que acabou por sair cerca de um ano depois para, em conjunto com dois outros veterinários, ir abrir o Hospital Veterinário Muralha de Évora. A médica veterinária Filipa Branquinho juntou-se à equipa há dez anos e a colega Salomé Lagoa está nesta CAMV há dois anos e meio.

A par da mudança para as novas instalações, o médico veterinário refere também que assumiu os destinos da Clivet (R. Ferreira Borges, Lisboa) há cerca de ano e meio. “Uma das mais antigas clínicas veterinárias em Portugal, fundada pelo Dr. António Resende em 1980, e para a qual também estamos a estudar uma mudança de instalações, na mesma zona, para um espaço maior e com melhores condições”.

Urgências e domicílios a pedido

O Centro Veterinário de Estremoz e Vila Viçosa tem atendimento urgente 24h, bastando para isso o cliente ligar para um dos telemóveis dos veterinários, “está sempre um de nós de plantão, inclusive ao fim-de-semana”. Os domicílios são essencialmente para pessoas sem mobilidade ou por conveniência operacional dos clientes, explica o médico veterinário.

Centro Veterinário de Estremoz e Vila Viçosa: “Está na hora de crescer”

A clínica não tem médicos especialistas e nos casos mais complicados “a referenciação é quase sempre para o Hospital Veterinário Muralha de Évora, pela proximidade, bem como amizade e confiança que me liga ao meu antigo sócio e aos outros dois colegas”, diz José Carlos Cortes. “Cada um de nós tem área de que gosta mais. Eu gosto de Cirurgia, Nutrição e Dermatologia, enquanto a Filipa e a Salomé se dedicam mais à Medicina Interna e Cardiologia” e frisa que “é muito gratificante podermos discutir em conjunto os diagnósticos e terapêuticas”.

Este CAMV tem equipamentos para análises de Bioquímica e Hematologia, bem como Ecógrafo portátil (que também é usado em Vila Viçosa, se necessário), RX e Eletrocardiograma, oferecendo ainda serviços de Banhos e Tosquias, prestados pelas duas enfermeiras.

Número de gatos tem aumentado

José Carlos Cortes diz-nos que “o número de gatos tem vindo a crescer, porque o cão exige muito mais acompanhamento. Esta é uma tendência que se sente mais em Lisboa, mas também já aqui”, salientando que “mais de metade das pessoas têm mais de um gato, aliás diria mesmo que três quartos dos donos de gatos têm ou vão ter mais do que um”. Para o veterinário, “os gatos dão mais luta do que o cão, como animal menos domesticado exige mais ‘arte e engenho’”.

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Falando-nos de alguns casos mais complicados que se lembra de ter tratado, o médico veterinário refere um caso de setembro do ano passado de um Epagneul Breton, de cerca de 6 anos, com 14kg, que o dono atropelou acidentalmente na quinta e que “nos chegou com vários problemas graves: luxação da articulação coxofemoral, comprometimento da região óssea da bacia, bem como comprometimento abdominal”. Conta que “medicamos o animal e houve melhoria no segundo dia, mas no terceiro piorou, abrimos e tinha necrose da bexiga, tivemos de reconstituir”.

Nessa altura, o médico veterinário também se apercebeu que o cão já tinha a cabeça do fémur com uma displasia grave, mas o dono não quis operar. Acabou por ser operado muito recentemente e “fizemos uma recessão da cabeça do fémur”. Era um animal que andava livremente na quinta e até já tinha mais peso (18kg). Agora já está em casa a recuperar.

Lembra também o caso da Maggie: “Uma cadela que operámos há cerca de um ano, que na altura tinha quatro meses. Tinha ureteres ectópicos, ligando os rins diretamente à uretra, tendo sido corrigida a sua inserção, para a bexiga. Durante 2/3 meses ainda teve incontinência, cada vez menor à medida que a bexiga ia ‘aprendendo’ a sua função, até que recuperou totalmente. Hoje está uma bela cadela”.

Leishmaniose afeta cerca de 15% dos cães

A Leishmaniose e Dirofilariose são preocupantes na região admite José Carlos Cortes, que afirma: “Aparece-nos um cão com Leishmaniose de 15 em 15 dias, sensivelmente, afetando cerca de 15% dos animais, pelo que tentamos que a vacina da Leishmaniose seja incluída no conjunto de vacinação anual”, mas nem todos os donos se dispõe a isso. O veterinário salienta que devia ser revisto o protocolo vacinal porque, “por exemplo, raramente vejo casos de Parvovirose ou Esgana”.

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Sobre a questão dos Seguros de saúde para animais defende que “é uma temática interessante pois são úteis na medida em que permitem, de modo geral, melhorar a qualidade de serviço” e diz-nos que aceita “os principais seguros”, mas considera que “os que existem são insuficientes e têm cláusulas de exclusão bastante limitantes”. Quanto à temática das dívidas, que afetam muito o setor, o veterinário refere que “apenas aceito, pontualmente, cheques pré-datados, pois tenho a garantia de pagamento, uma vez que o banco de Portugal obriga os bancos a pagarem todos os que são abaixo de 150€”.