Médicos Veterinários

Aqui há gato

Dermatologia felina em debate

A medicina felina está a conquistar mais serviços e boas práticas. Tem havido uma maior aposta em clínicas exclusivas para gatos, mas também em certificações cat friendly em CAMV generalistas, tanto em Portugal como além-fronteiras. Como resultado, temos felinos mais saudáveis e tutores mais felizes.

Dados do Sistema de Identificação e Recuperação Animal indicam que, entre 1 de janeiro e 11 de setembro de 2018, foram registados 9 710 gatos. No período homólogo, em 2019, o número duplicou para 21 443 gatos. No mesmo intervalo temporal, de 109 408 cães, o registo passou para 119 770. E se os cães são por excelência os animais de companhia dos portugueses, também é certo que os felinos têm vindo a ganhar o seu espaço, notando-se um aumento das famílias que os escolhem para suas casas.

Helena Felga é a fundadora e diretora clínica da Clínica dos Gatos, inaugurada em outubro de 2008, no Porto, e foi pioneira nesta área. “Desde aí, uns anos mais tarde, apareceram mais centros de medicina felina”, destaca à VETERINÁRIA ATUAL. Diz que o interesse por uma medicina exclusivamente vocacionada para felinos tem vindo a evoluir muito positivamente: “Há uma tendência para formações nesta área, alterações nos consultórios para torná-los cat friendly e uma aceitação geral de que, de facto, os gatos não são cães pequenos e necessitam de uma avaliação muito distinta por parte do médico veterinário.”

Em simultâneo, nota ainda uma maior exigência por parte dos donos que procuram serviços especializados felinos. “Muitas vezes, mais do que as condições ideais, ambientais e físicas para que o seu gato seja visto tranquilamente, procuram a experiência de quem se dedica há tanto tempo a atender apenas e só gatos”, afirma a médica veterinária.

Em 2012, abria no Restelo, em Lisboa, o Hospital do Gato, pelo pulso da diretora clínica, Maria João Dinis da Fonseca, que também tem vindo a notar maior apetência por serviços especializados. “Os tutores valorizam muito a nossa dedicação e o tipo de serviço que prestamos e ficam mais confiantes por saberem que vão encontrar uma equipa motivada a receber o seu gato. As especificidades dos gatos, nomeadamente o seu temperamento mais territorial, fazem com que o momento de levar o gato a um CAMV seja vivido com grande ansiedade pelos tutores. O facto de saberem que quem os vai receber vai minorar ao máximo o desconforto do gato faz com que se sintam mais confiantes e o levem com mais frequência a consultas, cumprindo os planos profiláticos e não adiando sinais de alerta”, explica.

O negócio evoluiu e o mesmo grupo abriu, em fevereiro de 2017, o Consultório do Gato, no Parque das Nações, também na capital. Novos horizontes para o mesmo projeto.

Proporcionar um ambiente acolhedor, familiar e caseiro tem sido, desde o arranque do Espaço do Gato, em julho de 2018, no Funchal, Madeira, uma aposta da diretora clínica Cátia Oliveira, e de Sofia Nóbrega, também médica veterinária e seu braço direito. Ambas já tinham trabalhado noutros CAMV e notavam que era complicado perceber se as alterações de comportamento dos gatos estavam relacionadas com a doença em si ou ao meio adverso resultante do ambiente misto que encontravam nas clínicas e hospitais. “De uma maneira geral, achávamos que esta não era uma espécie muito acarinhada pela classe, não só porque este tipo de medicina é um pouco mais desafiante do que a praticada em cães e talvez porque os colegas tenham maior dificuldade no maneio e em conseguir lidar com os gatos de uma forma calma”, explica Cátia Oliveira.

O desejo de ter tempo para uma consulta de felinos num ambiente menos stressante foi decisivo para o arranque do projeto. “As consultas de gatos não podem realizar-se em cinco, dez minutos”, acrescenta. Já na altura da faculdade, a diretora clínica estranhava a pouca relevância que era dada à medicina felina. “Não gostava da forma como os gatos eram tratados, até que descobri clínicas vocacionadas para felinos noutros países, e também em Portugal, e percebi que não estávamos sozinhas”, conta.

“Não basta ter áreas separadas. Há que querer ser certificado porque se é genuinamente cat friendly e não apenas porque se cumprem os requisitos”Helena Felga

O Espaço Gato assume-se como a “única clínica especializada em medicina felina na Madeira” e “como uma clínica de proximidade emocional com o tutor e com o gato”, acrescenta Sofia Nóbrega. O balanço do primeiro ano tem sido positivo para ambas as médicas veterinárias, que sentem que os cuidados melhoram num ambiente em que os profissionais e os felinos se sentem mais confortáveis.

O crescimento tem sido também uma constante: segundo Helena Felga, a Clínica dos Gatos tem vindo a aumentar números de ano para ano. “Cada vez mais recebemos segundas opiniões vindas de locais distintos por termos médicos veterinários dedicados em exclusivo à medicina felina há tanto tempo”, diz.

Tratar os pacientes “como se fossem nossos”

A Clínica dos Gatos recorre ao uso de feromonas da felicidade, que “vieram mudar a aproximação à consulta de gatos mais assustados”, destaca a diretora clínica. Esta é uma das tendências crescentes a que médica veterinária tem assistido: a utilização de “feromonas sintéticas para alterar o ambiente em casa, no transporte e no veterinário”.

Por seu lado, o Espaço Gato segue um conceito que, segundo Cátia Oliveira e Sofia Nóbrega, proporciona tranquilidade a gatos e tutores. “Nós tratamos os pacientes como se fossem nossos e os tutores sentem que os gatos são cuidados como se estivessem em casa”, defende a diretora clínica.

“Os donos têm zonas dedicadas para tomar café, ler um livro e interagir com a equipa da clínica. Queremos que todos se sintam à vontade na consulta. Normalmente, os gatos pesquisam o consultório e o espaço tem zonas com esconderijos para que se sintam mais confortáveis, o que também permite examiná-los melhor e ter uma abordagem mais correta dos pacientes”, acrescenta. É com esta transparência que pretendem crescer, o que acaba por ser essencial até para ultrapassar a barreira económica associada a alguns procedimentos.

“A satisfação dos nossos tutores é a nossa melhor rede social” – Maria João Dinis da Fonseca, Hospital do Gato

Medicina felina O balanço que Maria João Dinis da Fonseca faz dos sete anos de atividade do Hospital do Gato “excedeu as expectativas”. Quanto ao serviço diferenciador, defende que “é um caminho válido ter um CAMV exclusivo para gatos que aposte numa equipa com profissionais dedicados e em sintonia com os devidos meios técnicos. No entanto, é necessário ter em conta que, apesar de estarmos a segmentar os nossos utentes, o investimento é muito semelhante ao de uma clínica mista”. Considerando que a diferenciação não basta, a diretora clínica assume que esta ligação entre tutor e gato tem de ser uma preocupação diária. “Penso que também nos distinguimos pelo nosso atendimento, que concilia medicina de excelência com um lado muito humano, que nunca descura o sofrimento dos tutores. Tratamos os nossos pacientes como se fossem nossos, queremos o melhor para cada caso, e é essa autenticidade que passa para os tutores e que faz com que nos divulguem. A satisfação dos nossos tutores é a nossa melhor rede social.”

Certificação cat friendly

A par da aposta exclusiva em medicina felina, também já se nota uma preocupação acrescida da parte de diretores clínicos de CAMV em adaptar o espaço das clínicas aos felinos. Helena Felga tem assistido também “ao interesse crescente nos gatos e a uma exigência elevada por parte dos tutores”.

“Em Portugal, já são 22 as clínicas certificadas (9 na categoria de ouro, 12 na categoria de prata, e uma, na de bronze)” Sarah Endersby, International Cat Care – ISFM

Também a diretora clínica do Hospital do Gato considera que, se devidamente comunicada aos utentes, a certificação da International Society of Feline Medicine (com a sigla inglesa ISFM, e com tradução em português, Sociedade Internacional de Medicina Felina), transmite credibilidade e ajuda a fidelizar clientes. “A certificação implica que a equipa se dedique a rever protocolos e a uniformizar procedimentos, e mostra que estamos empenhados em melhorar a experiência dos gatos.”

À data de fecho desta edição, e segundo dados fornecidos por Sarah Endersby, veterinary development manager na International Cat Care – ISFM – e coordenadora do programa Cat Friendly, existem 1 600 clínicas certificadas por esta organização sem fins lucrativos em 36 países, número que vai crescendo a cada semana. Dessas, 609 têm certificação “Gold”, 885 têm certificação “Silver” e 99 são “Bronze”. Em Portugal, “já são 22 as clínicas certificadas (9 na categoria de ouro, 12 na categoria de prata, e uma, na de bronze)”.

Foi em 2012 que a ISFM introduziu este programa, especificamente criado para encorajar os médicos veterinários a estarem mais atentos às necessidades dos gatos e respetivos tutores. “O grande objetivo é reduzir o stresse e promover uma maior atenção aos gatos para que o seu bem-estar seja assegurado”, explica Sarah Endersby. A responsável garante que a maioria das clínicas de pequenos animais pode conseguir esta acreditação, mas que é necessário, na maioria das situações, implementar algumas mudanças nas suas infraestruturas.

Medicina felina

Da sua experiência ao longo dos anos, Sarah Endersby sublinha que a maioria das clínicas que adotaram este programa notaram que os gatos passaram a estar menos stressados e são mais fáceis de tratar. “Também a comunicação com os donos passou a ter mais benefícios, denotando uma grande diferença e uma melhor experiência para os gatos que, combinada com conselhos úteis, como por exemplo, o transporte adequado, passou a garantir menos problemas aos tutores”, defende. A organização recebeu ainda relatos de donos que passaram a apresentar menos arranhões e mordidelas de gatos após a adoção das medidas cat friendly.

Tal como sentido por Cátia Oliveira e Sofia Nóbrega do madeirense Espaço Gato, Sarah Endersby nota um aumento de donos que optam por gatos como animais de companhia. “Infelizmente, recebem muito menos atenção do que os cães e isso parece dever-se às dificuldades e stresse associados às consultas veterinárias. Os gatos sentem-se ameaçados e vulneráveis fora do ambiente doméstico, o que acaba por ser um fator decisivo para os proprietários na decisão de levarem os seus animais a uma consulta.” A representante da ISFM aconselha os clínicos a educarem os donos sobre os benefícios da prevenção.

E, para os diretores clínicos que considerem que investir numa clínica cat friendly fica muito oneroso, a veterinary development manager afirma que “o recurso a técnicas de manuseio mais amigas dos gatos não tem necessariamente de custar muito dinheiro. O mesmo se aplica no que respeita à mudança do ambiente físico das clínicas, desde a sala de espera ao internamento”. Integrar este programa parece assustador no início e é importante implementar novas abordagens passo a passo. “É claro que é fundamental ter equipamentos específicos para gatos, como termómetros flexíveis, medidores de pressão arterial, boxes com um tamanho adequado para internamento, por exemplo.” No final, garante, os benefícios estarão à vista: um maior número de consultas e a melhoria da condição clínica dos gatos.

Em Portugal, a empresa Royal Canin tem uma parceria com a ISFM para agilizar a certificação cat friendly nos CAMV nacionais. “De acordo com um estudo da Royal Canin, mais da metade dos tutores de gatos não leva o seu gato ao veterinário para check-ups regulares. Os gatos são muito bons a esconder os seus problemas de saúde e a nossa empresa pretende aumentar a consciencialização para esta questão, ajudando os tutores de gatos a saber identificar quando o seu animal de estimação precisa de cuidados veterinários”, defende Irma Villanueva, scientific communication manager da Royal Canin Iberia.

A empresa apoia as clínicas veterinárias que desejem credenciar-se através do fornecimento de recursos detalhados “sem nenhum custo adicional”. A responsável confirma que a procura de informações por parte de profissionais do setor tem crescido. “Através das nossas campanhas e do nosso apoio a eventos e publicações educacionais, como o Veterinary Focus, esperamos que o interesse das clínicas em tornar-se uma clínica cat friendly aumente, para assim podermos – todos juntos – criar um mundo melhor para os gatos.”

A aposta pela melhor informação dos médicos veterinários não fica por aqui: “A APMVEAC realizou este ano o IV Congresso de Medicina Felina [5 e 6 de outubro, no Hotel Olissipo Oriente, em Lisboa] e nós somos um dos principais patrocinadores para apoiar a educação veterinária”, explica Irma Villanueva.

Sofia Nóbrega e Cátia Oliveira consideram que uma equipa motivada também contribui para um melhor ambiente. “Somos assumidamente uma clínica worker friendly”, explica a diretora clínica do Espaço Gato. Por outro lado, em algumas situações, foi preciso ir até casa dos tutores. Sofia Nóbrega explica: “Já tivemos situações em que fizemos alguns procedimentos nas casas dos tutores até para perceber o contexto em que aquele animal vive, se a própria casa é cat friendly, e damos algumas dicas. Temos a flexibilidade de direcionar os nossos cuidados consoante a história de cada gato que acompanhamos.”

A realidade espanhola

Durante anos, Germán Pérez Muñoz trabalhou em clínicas generalistas, principalmente com cães, gatos e animais exóticos. “Aos poucos, fui-me apercebendo de que os gatos eram tratados como pacientes de terceira. Achava curioso como é que, no caso dos exóticos, os donos encaminhavam para um especialista, mas no caso dos gatos, não”, conta o diretor clínico e cofundador da Kato Clínica Felina, localizada em Sevilha, Espanha. A extrapolação dos cuidados veterinários praticados em cães para os gatos levou-o a aprofundar, em conjunto com a mulher, também médica veterinária e cofundadora da clínica, Carmen Muñoz, as particularidades dos felinos e a descobrir “o quão fascinante é a medicina felina”.

“O meu pai – pastor de profissão – fica orgulhoso do filho, mas ainda hoje não percebe bem o trabalho que desenvolvemos. Imagine-se o que sentiu quando lhe disse que iria ser um médico veterinário felino” – Germán Pérez Muñoz, Kato Clínica Felina

Com o tempo, verificou que os gatos precisavam de instalações e cuidados exclusivos. “Na nossa área de influência, não havia nenhuma clínica com estas características e começámos a aventura”, explica. Esta é a quarta clínica especializada em medicina felina do país e a primeira localizada no sul de Espanha. “Antes era impensável nesta região – Andaluzia – haver uma clínica especializada em gatos. Hoje, é uma realidade.” Quando surgiu a ideia de avançar com este projeto, em 2014, momento em que o médico decidiu dar o salto e realizar algumas formações específicas na área, muitos amigos e familiares tentaram demover o casal, porque não acreditavam no sucesso da ideia. “O meu pai – pastor de profissão – fica orgulhoso do filho, mas ainda hoje não percebe bem o trabalho que desenvolvemos. Imagine-se o que sentiu quando lhe disse que iria ser um médico veterinário felino”, conta Germán Pérez Muñoz.

Cinco anos depois, têm crescido em pessoal e investimento, adquirindo equipamento para “oferecer o melhor atendimento”. Existem também cada vez mais centros com salas de espera e espaços de ambulatório e internamento específicos para felinos. “Por outro lado, há cada vez mais médicos veterinários a formarem-se nesta área”, garante o médico.

Não encontrar cães na clínica veterinária ­– este era um pedido antigo dos donos de gatos. Germán Pérez Muñoz garante que a evolução da medicina felina em Espanha “tem sido enorme”, tanto no âmbito dos médicos veterinários, como das farmacêuticas.

A Kato Clínica Felina tem muitos recursos para aumentar a literacia dos tutores de animais, como canal de Youtube, Facebook, Instagram e Twitter. O site da clínica também tem muitas informações de download gratuito para os tutores. “O Whatsapp transformou-se numa ferramenta muito útil para a nossa clínica e, todos os anos, organizamos umas jornadas felinas para famílias, num hotel da nossa cidade, sempre com enorme afluência”, conta o também autor do livro Primeros auxilios para gatos, publicado em fevereiro último, um guia prático para que os donos desta espécie consigam identificar possíveis doenças e situações de urgência. O médico está neste momento a escrever o seu segundo livro e tem sido cada vez mais convidado a participar em palestras e seminários.

A curto prazo, a Kato Clínica Felina pretende aumentar a equipa para “oferecer um melhor serviço como centro de referência” e apostar na área de odontologia, muito relevante em medicina felina. Pouco antes da entrevista à VETERINÁRIA ATUAL, tinham sido concluídas obras de melhoria nas áreas de consultas e no bloco cirúrgico.

ldentificação de felinos

Segundo o decreto-lei 82/2019, de 27 de junho, que entra em vigor no final do mês de outubro, existem novas regras de identificação de animais de companhia através da criação do Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC). Por outro lado, os donos de gatos são obrigados a identificá-los eletronicamente através da colocação de um chip até três meses depois de nascerem. Todos os gatos, incluindo os nascidos antes da publicação da lei, devem estar identificados até 2021.

Depois de a identificação de cães ter passado a ser obrigatória em 2008, é a vez dos felinos poderem ser facilmente localizados, já que esta medida permite aceder ao nome do animal e aos dados dos tutores (nome e morada) mediante a colocação de um chip que inclui um código de 15 dígitos. Quem não o fizer, incorre em multas que podem de ir de 50 a 3740 euros, no caso de pessoas singulares, e de coimas até 44 890 euros, no caso de criadores, lojas e associações dedicadas à adoção de animais.

Helena Felga concorda com a medida: “A Clínica dos Gatos já faz uma sensibilização ativa há muito tempo para que os tutores dos gatos coloquem o microchip”, diz, justificando que os gatos também fogem de casa, caem de varandas, assustam-se com fogos de artifício, são abandonados e recolhidos pelos canis municipais e por muitas associações de proteção. “A marcação electrónica vai facilitar a identificação de muitos pedidos e procuras no Encontra-me.org e outras plataformas.” A médica tem notado que existem hoje muito mais dúvidas e questões nesse sentido, e adianta que a Clínica dos Gatos já promove há cerca de dois anos a colocação de microchip em todos os gatos recolhidos pelo abrigo a que dá apoio.

Também Maria João Dinis da Fonseca antecipou esta obrigatoriedade. “No nosso grupo, desde o primeiro dia que está instituída a importância do microchip. É raro que um gato venha para esterilizar e que não coloque o microchip.” Na box solidária, onde existe sempre um gato para adoção, nenhum gato é adotado sem este procedimento. A diretora clínica adianta que a lei vem reforçar positivamente os protocolos profiláticos que já seguiam, e comparativamente ao mesmo período do ano passado, foram colocados mais 30% de microchips em 2019 no Consultório do Gato e no Hospital do Gato.

Tendo consciência que muitos problemas de comportamento dos gatos poderiam ser evitados, a diretora clínica continua a surpreender-se diariamente com “o desconhecimento que existe acerca das necessidades básicas para o bem-estar dos gatos”. Desse modo, o Hospital do Gato organiza mensalmente workshops de esclarecimento dos tutores.

Falta de registo nacional em Espanha

“Infelizmente, em Espanha, não há consenso por regiões. Em algumas, é obrigatória a identificação eletrónica juntamente com a vacinação antirrábica, e noutras, não”, explica Germán Pérez Muñoz. “Na Andaluzia, os microchips são obrigatórios para cães e gatos, mas na verdade, no caso dos gatos, nem todos cumprem. Não entendo como é que é possível que não tenhamos um único registo nacional. Considero que é uma medida essencial para melhorar a rastreabilidade dos animais, sendo especialmente importante nos casos de doenças zoonóticas”, conclui.