Resistência aos antibióticos

Antimicrobianos devem ser vistos “armas para tratar doenças e não formas de disfarçar más-práticas”, diz bastonário

Antimicrobianos devem ser vistos “armas para tratar doenças e não formas de disfarçar más-práticas”, diz bastonário

A Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) realizou no passado dia 26 de maio, no Real Parque Hotel, em Lisboa, uma sessão informativa para alertar para o crescente problema da resistência aos antimicrobianos. Jorge Cid, bastonário da OMV, defende que estes fármacos “têm de ser vistos como armas para tratar doenças e não como formas de disfarçar más-práticas”.

Os antimicrobianos, ou antibióticos como são mais comumente designados, são utilizados para tratar doenças infeciosas em humanos e em animais e, desde meados do século XX, são usados para lutar contra bactérias, com várias variantes a serem descobertas ou sintetizadas, tendo-se vaticinado durante muito tempo que nunca mais se morreria de doenças bacterianas.

De acordo com Jorge Cid “percebemos hoje que foi o abuso e o mau uso dos antibióticos, na medicina humana e animal, que conduziu a esta situação. A discussão de ‘quem é a culpa’ é antiga e não tem uma resposta simples. No entanto os médicos-veterinários, não sendo obviamente os únicos envolvidos, têm um papel fulcral na inversão desta perigosa tendência. São eles os únicos agentes competentes para administrar o uso das tais armas com o objetivo de estas continuarem a cumprir a sua superior missão de curar e prevenir as doenças animais”.

“É também de crucial importância repensar a produção animal valorizando o bem-estar animal, a nutrição, o maneio e tudo o que promova as defesas naturais e a imunidade. Os antimicrobianos têm de ser vistos como armas para tratar doenças e não como formas de disfarçar más-práticas”, conclui Jorge Cid.

A Ordem dos Médicos Veterinários defende ainda que “é essencial que o controlo da venda e do uso de antibióticos esteja efetivamente e sem exceções nas mãos dos médicos-veterinários. Não basta rótulos indicando a obrigatoriedade de receita médica. É preciso fiscalizar e sancionar quem não cumpre.”