Opinião

Espécies exóticas: uma realidade cada vez maior

Espécies exóticas: uma realidade cada vez maior

As espécies exóticas estão cada vez mais presentes no quotidiano dos CAMV, aumentando a importância de um maior conhecimento sobre estes novos animais de companhia por toda a equipa médico-veterinária. Atualmente é designado como animal exótico todo aquele que não é autóctone; nem cão, gato ou cavalo e que não tenham qualquer fim produtivo. Existem inúmeras espécies de animais exóticos que vão desde o conhecido canário até ao kimkajou, entre muitos outros.

Os Enfermeiros Veterinários devem conhecer a legislação e devem por isso saber que algumas espécies são protegidas pela convenção de Washington ou CITES sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção. Esta convenção é um acordo internacional entre 180 países que assegura que o comércio de animais e plantas não põe em risco a sobrevivência destas espécies em estado selvagem, atribuindo diferentes graus de proteção, regulamentadas consoante o grau de protecção atribuído. Muitas das espécies exóticas exigem documentos, pelo que é importante ter essa informação evitando assim a proliferação do comércio ilegal. Exigir sempre os documentos aquando da compra é um direito e dever de qualquer tutor.

Para qualquer novo proprietário de um exótico é fundamental inteirar-se sobre as particularidades do animal e é neste momento que o Enfermeiro Veterinário tem uma enorme responsabilidade, pois é muitas vezes a cara do corpo clínico na recepção. Um correcto maneio e instalações adequadas são imprescindíveis para manter um animal saudável, não obstante da importância de referenciar um CAMV especializado, se não for esse o caso.

Existem algumas considerações que enquanto Enfermeiros Veterinários devemos ter em conta no momento de aconselhar um novo tutor de um exótico, pois adquirir um animal é muito mais que isso, mas infelizmente a aquisição por impulso é bastante frequente, pelo que deverá ser uma decisão ponderada e em concordância com toda a família. E é preponderante que o alimento e instalações sejam ser providenciados antes da chegada do animal, tal como a recolha de informações para uma escolha mais adequada, e para o maneio mais indicado.

É realmente importante referir que o novo tutor deverá ter em consideração o “tipo” de animal e o seu comportamento; o exótico que pretende será manipulado ou tem preferência por um animal que não tenha tanta interação(?), tem de haver consciência e não ficar desiludido com um comportamento que é intrínseco da espécie escolhida.

O ter crianças ou outros animais em casa pode ser importante, já que alguns não se adaptam à convivência com crianças ou outros animais, portanto se o detentor tem ou planeia ter filhos ou outros animais deve repensar nas suas escolhas. Há animais que vivem bem toda a vida nas mesmas instalações, mas outros vão exigindo mudanças à medida que se desenvolvem, pelo que o tutor deverá estar preparado para essa mudança, pois inúmeras espécies, principalmente de répteis, multiplicam várias vezes o seu tamanho pelo que podem ser mais difíceis de lidar pois exigem espaços maiores, e em consequência, as despesas são proporcionais. Além destas despesas adicionais com equipamentos terão também de ser tidas em conta, por exemplo, lâmpadas e fontes de calor específicas.

Conhecer as necessidades alimentares e assegurar proveniência constante e de qualidade é importantíssimo para uma óptima manutenção. Algumas espécies exóticas têm longevidade de mais de 50 anos, sendo nossa responsabilidade consciencializar para essa realidade. Um animal é um compromisso para a vida e se o tutor tiver uma vida instável, com mudanças frequentes, deverá reconsiderar as suas escolhas.

O mesmo se passa ao nível de atividade do animal, bem como os seus horários, pois um animal noturno e barulhento pode não ser uma boa opção para um apartamento. Instalações que providenciem brinquedos para que o animal possa arranhar, morder ou cavar são ideais, mediante as necessidades de cada indivíduo. Outro facto a considerar são os períodos de ausência do tutor, seja por férias ou outro compromisso, isto porque se por um lado é fácil encontrar alguém que tome conta de um coelho durante um período de ausência, por outro não será assim tão fácil encontrar quem alimente uma cobra ou um escorpião. O proprietário deverá ter conhecimento se na sua área de residência existe algum CAMV com especialidade em exóticos, pelo que se não houver deve o tutor ter consciência de que se terá que deslocar para que o seu animal possa receber todos os cuidados e tratamentos que necessita.

Ter uma animal, sendo ele exótico ou não, é um comprometimento para a vida, por isso enquanto enfermeiros e profissionais da área da saúde veterinária é também nossa a responsabilidade educar cada vez mais e melhor os tutores dos “nossos” animais. A cada tutor que aconselhamos ajudamos a que os seus animais sejam mais felizes e saudáveis.