Doenças Hereditárias

Devem os veterinários ser mais proactivos na luta contra as doenças hereditárias?

Cathryn Mellersh  - WSAVA - Veterinária Atual

A Associação Veterinária Mundial de Pequenos Animais (WSAVA) pediu recentemente à comunidade mundial de médicos veterinários que assuma “um papel proactivo na luta contra as doenças hereditárias”. O pedido foi feito por Cathryn Mellersh, chefe da Canine Genetics no Animal Health Trust e membro do Comité das Doenças Hereditárias da WSAVA, durante o congresso da BSAVA, numa intervenção em que a especialista incentivou os profissionais do setor a aconselhar os criadores sobre os testes disponíveis, antes de usarem os seus animais para reprodução.

Cathryn Mellersh explicou que é importante os médicos veterinários não se coibirem de dizer aos proprietários se estes fizerem uma má escolha em relação ao seu animal para que assim possam tentar impedi-los de voltar a cometer novamente o mesmo erro.

Em comunicado, a WSAVA refere ainda que “Mellersh explicou que a preocupação com as doenças hereditárias, particularmente em cães, tem crescido significativamente nos últimos anos, tanto para os veterinários, como para os proprietários e criadores, graças a uma maior consciencialização dos riscos que representam para os animais.”

Segundo a especialista, este aumento da consciencialização “coincide com um período de rápido progresso no desenvolvimento de ferramentas e recursos para combater as doenças hereditárias, nomeadamente o banco de dados online, criado pelo comité das doenças hereditárias da WSAVA e apoiado pela Mars Veterinária, que se encontra acessível gratuitamente para os veterinários em todo o mundo.”

O exemplo apresentado foi o do glaucoma primário de ângulo aberto no Shar Pei, uma doença hereditária dolorosa que provoca cegueira, para a qual o grupo de pesquisa da Drª. Mellersh acaba de desenvolver um teste de ADN. Ela realçou que a maioria das doenças mendelianas são passiveis de deteção por testes de ADN, no entanto, se o gene for recessivo elas seriam difíceis de eliminar sem um teste específico.

“Pedimos aos veterinários para aconselharem os criadores a usarem testes de ADN para evitar a reprodução em cães clinicamente afetados e para reduzir a frequência ou mutação dentro da raça, ao longo do tempo, sem danificar a diversidade genética. Na escolha de um teste é importante que os veterinários estejam seguros que o teste usado baseia-se em dados científicos sólidos e se aplica à correta mutação para a raça em questão”, defendeu.

“A mutação da doença referente ao teste de ADN não é a única mutação que um portador pode ter”, acrescentou. “A maioria dos cães transporta pelo menos 50 mutações recessivas. Assim, se os portadores não forem utilizados como reprodutores, e se usarmos como reprodutores cães cujo teste foi negativo para essa mutação, existe o risco de que outras mutações endémicas nestes cães aumentem de frequência ao longo do tempo e possam surgir novas doenças hereditárias”.

“Peço aos veterinários para trabalharem connosco e contribuírem para o progresso que está a ser feito no combate às doenças hereditárias, particularmente nos cães (…) O maior desafio que enfrentamos é o de educar o público em geral, que deve ser consciencializado para as doenças hereditárias ao escolher um cachorro, devendo selecionar os criadores que utilizem os testes de ADN e outros despistes adequados”, concluiu.